Minha canção do exílio
Minha terra, palmeiras já não tem
De vez em quando tem um sabiá,
Tucano, “tico-tico no fubá”
Pardais e as gralhas, só de vez em quando,
Pois desmataram suas araucárias...
Minha terra até já foi capital
Da indústria, parreiras e pinheirais...
As indústrias continuam fazendo
Fortuna na mão de obra barata...
As parreiras e os pinheirais?... Cadê?...
Minha terra, sem dúvida, já é
Da plantação de tomate capital...
Porém só vejo um fabuloso parque
Que mesmo no centro ainda não faz
Melhorar a vida do pobre povo ...
Não aprendi a plantar, sequer colher...
Não sou corruptível politiqueiro...
Só sei usar estas poucas palavras
Parafraseando Gonçalves Dias
Pra com elas escrever meu protesto...
Na minha pequena “Canção do exílio”
Sem métrica, nem rima
Venho pedir socorro ao povo pobre
Pois, com amor, desta terra sou filho.
Terra que enobrece quem já é nobre,
Enquanto o povão, nos bairros sofre...
Márcio Roberto Goes
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