3 de outubro de 2026
Mundo Novo

05/12/2009

Por Júlio César Moschetta da Silva

Caçador e o Meio Ambiente

Gostaria de falar um pouco hoje sobre a questão ambiental no município de Caçador.

Esta cidade é relativamente nova, tornou-se um município independente em 25 de março de 1934 e atualmente tem cerca de 75.000 mil habitantes, área de 1.009,8 Km2, altitude média de 920 metros acima do nível do mar, está localizada na região oeste do estado de Santa Catarina. Caçador tem uma história de lutas e conquistas, com a construção da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande do Sul, a colonização tornou-se mais intensa e o povoado passou a chamar-se "Rio Caçador", devido à abundância de caça nas margens do rio. Vale lembrar que às margens do Rio do Peixe viviam grupos primitivos, Kaingang e Xokleng, que foram substituídos pelos desbravadores que começavam a chegar a partir o ano de 1881.

E é claro que no processo de colonização deste município como de muitos outros, ocorreu vários desrespeitos aos seres humanos que aqui viviam e também ao Meio Ambiente onde estes estavam integrados. A cidade cresceu e os problemas Ambientais também. Por volta dos anos 80, o município em pleno processo de desenvolvimento, apresentava diversos desrespeitos ao Meio Ambiente, como por exemplo: muito lixo despejado em terrenos baldios, não tinha se quer lixeiras para os pedestres nas ruas do centro da cidade, muito esgoto a céu aberto e o que é pior o nosso Rio do Peixe estava praticamente morto. O desrespeito era coletivo, praticamente não existia fiscalização em relação à área ambiental, nem se quer falava-se em Educação Ambiental e se fazia pouco ou quase nada para reverter este papel.

É com enorme alegria que afirmo que isso mudou, e para melhor. Caçador é hoje um exemplo em diversas áreas de preservação ambiental. Posso dizer que em relação à fiscalização e à orientação ambiental, hoje temos um escritório regional da FATMA, o IBAMA está mais estruturado, temos uma Policia Ambiental eficiente, contamos com o apoio da Vigilância Sanitária e o CONDEMA está atuante. Recentemente foi criada uma Fundação de Meio Ambiente em Caçador, que deverá responder pelas questões ambientais de nosso município. E ainda na questão de Educação Ambiental, foram criadas Ongs e Oscips, que em parceria com a Prefeitura, empresas e demais entidades vem realizando diversas atividades de conscientização em Caçador e na região de entorno. As ruas estão mais limpas, os jardins mais floridos  e a qualidade de vida do povo está cada vez melhor.

Engana-se quem acha que estou representando uma tendência política, pois qualquer morador consciente, também chegará a esta mesma conclusão. Isso não vale somente para Caçador, mas para toda a região do Vale do Rio do Peixe, pois também temos um comitê atuante em nossa bacia. Podemos ver uma luz no fim do túnel, mas fica a pergunta: será que toda esta melhoria faz parte de nossa evolução natural da humanidade ou é somente porque estamos sentindo na pele os efeitos do desrespeito com o nosso Meio Ambiente cometido durante gerações?

Até a próxima:

Eng. Ambiental:  Júlio César Moschetta da Silva

Júlio César Moschetta da Silva

Sobre a coluna

Júlio César Moschetta da Silva

Coluna Mundo Novo

Graduado em Engenharia Ambiental, especialista em Educação Ambiental e Gestão de Recursos Hídricos. Atuante em Conselhos Municipais em Caçador, Comitê da Bacia do Rio do Peixe e OnG Gato do Mato. Na coluna Mundo Novo Júlio escreve sobre assuntos ambientais, relacionando o tema com o desenvolvimento humano. Também aborda assuntos de caráter filosófico, abrindo discussão sobre a consciência humana.

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