ONDE ESTÃO AS ÁRVORES PLANTADAS PELO MARKETING AMBIENTAL?
Quem, quando, onde e quanto plantou? São perguntas que devem ser feitas pela sociedade e por todos os cidadãos "consumidores" às empresas e organizações que fazem propagandas de projetos de reflorestamento e recuperação ambiental no Brasil.
Se fizermos um levantamento do que já foi publicado em jornais e revistas, além do que já se foi divulgado na televisão, rádio e internet, sobre o "plantio de milhões de mudas", vamos ficar com a nítida impressão de que vivemos num país onde o total de área reflorestada ou revegetada provavelmente deve superar o total de área desmatada.
Algumas empresas chegam, inclusive, a anunciar que, depois de realizarem o plantio de "milhões de mudas de espécies nativas de florestas", passaram de uma situação de "passivo" para "ativo" ambiental, o que, se fosse verdade, seria maravilhoso!
É sabido hoje que, no caso da Mata Atlântica, por exemplo, a demanda de mudas para os projetos de reflorestamento ou recuperação ambiental é bem maior do que a oferta existente. Portanto, fica a dúvida: de onde saem às mudas que são plantadas pelas empresas que comunicam aos seus clientes e ao mercado em geral, que para cada litro de combustível colocado nos postos ou para cada embalagem de sabão em pó comprada, dentre outros inúmeros exemplos de "ações de marketing verde", uma árvore é plantada? Onde estão sendo feitos esses plantios? Há algum órgão ou entidade fiscalizadora capaz de comprovar a efetividade dessas campanhas? O que se plantou? Essa pergunta também é crucial, porque muitos plantios podem envolver espécies para corte como os eucaliptos e pinus, que não têm como objetivo a recuperação, e sim o plantio comercial.
Esta é uma questão que deve ser feita não só pela mídia, mas também pelos "públicos de interesse" da organização e por todos os cidadãos e consumidores que, muitas vezes, embarcam nesses apelos publicitários com a intenção legítima de "fazer alguma coisa pelo meio ambiente". Se não houver um controle dessas campanhas no sentido de se exigir a comprovação inequívoca do que se promete fazer, corremos o risco de assistir a uma multiplicação de iniciativas vazias de sentido na área ambiental e a uma banalização do que se chama hoje de "sustentabilidade".
Se desejarem resolver os seus passivos ambientais, promover ações que compensem a emissão de dióxido de carbono, investir em projetos de recuperação de áreas degradadas e até vender créditos de carbono, as empresas devem, antes de qualquer coisa, criar e utilizar critérios comprobatórios das suas ações. Ao mesmo tempo, deveria caber ao governo, às ONGs e à sociedade uma atitude de cobrança e de fiscalização dessas iniciativas. Dessa forma, ao comprar um produto que, por exemplo, valha uma árvore, o consumidor poderá ter a certeza de que ela será mesmo plantada e se quiser ser informado ainda de quando, onde e por quem esta foi plantada!
Vamos ficar de olhos aberto. Muita LUZ a todos e até a próxima.
Eng. Ambiental: Júlio César Moschetta da Silva