3 de outubro de 2026
Crônicas

03/09/2009

Por Márcio Roberto Goes

Integrando gerações

Demorei vinte e cinco anos para decidir o que queria da vida: ser educador, um ofício edificante tanto para mim quanto para qualquer pessoa que se envolve com a educação, seja ela professor, ou aluno. Naquela noite em que eu retirava meu histórico de ensino fundamental na Escola Básica Salgado Filho e o transladava até a Escola Paulo Schieffler para matricular-me no curso de magistério, também sacramentava o que seria minha principal atividade até hoje, antes porém, cursei erroneamente, um ano de contabilidade que resultou em reprovação... Graças a Deus! Só assim tive a chance de cursar aquilo que me realizaria e hoje não consigo me ver, profissionalmente em outro lugar que não seja a sala de aula ou o computador, meu canal de ligação entre minhas ideias e o resto do mundo...

Terminei o magistério e iniciei um caso de amor pela educação pública, porém atuei por pouco tempo nas séries iniciais do ensino fundamental: alguns meses que formaram o alicerce do meu perfil de educador... Depois, enveredei-me para a área das letras: um mundo fascinante e envolvente que me fez conhecer e viajar pela história e os aspectos sintáticos, morfológicos e semânticos do idioma mais bonito do mundo, o bom e velho Português...

E eis que nove anos depois, encontro-me com a professora Ema da Escola Esperança que nos brinda com a presença de duas turmas nas dependências da Escola Wanda Krieger Gomes, portanto, fazem parte da família. Esta professora, preocupada com uma melhor qualidade de ensino e com um melhor relacionamento pessoal entre seus alunos, convidou-me para fazer um trabalho envolvendo as duas turmas, regidas pelas professoras Ivone e Nelci, no âmbito do relacionamento humano...

Até  hoje, não descobri nenhuma forma eficaz de se trabalhar com pessoas que não tenha distribuição de tarefas... Para dividir tarefas, é necessário uma equipe... Que equipe escolher?... Como devemos educar nossos alunos também para a cidadania, convidei meus pupilos do terceiro ano de ensino médio matutino para formar a equipe de trabalho... Durante três semanas, sem nenhum peso de consciência, “fugimos” do planejamento anual que todo professor faz, mas nem sempre cumpre, e nos dedicamos de corpo e alma a este projeto. Visitamos as turmas, construímos material, escolhemos dinâmicas e músicas de recreação... Tudo para que houvesse uma perfeita integração entre distintas gerações de alunos e duas diferentes redes de ensino: estadual e municipal.

Como tudo o que é novo e diferente, causamos polêmica e preocupação entre alunos e professores envolvidos, porém, como sempre, me surpreendi com o brilhante trabalho dos meus jovens... Foram além das expectativas, mostrando para quem quiser ver (principalmente os que não acreditavam) que é possível e necessária a convivência entre as diferenças... Claro que, metade do mérito é das crianças que foram a razão do nosso trabalho, mas o empenho dos alunos do terceirão e dos professores envolvidos foi fundamental para esta injeção de ânimo e de esperança para estas crianças que precisam ter uma perspectiva positiva para si e para a comunidade...

Desta forma, só resta agradecer ao empenho de toda a equipe que venceu este desafio através da ação, pois de boa vontade vestida de terno e gravata, inaugurando cascas de escola, está cheio por aí... A ação acontece mesmo é entre os jalecos e uniformes de alunos e professores que são a verdadeira base da educação e deveriam ser o primeiro destino dos investimentos...
 

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

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Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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