Uma sexta-feira na Domingos
Gente do céu!... Vocês têm que conhecer a Escola Domingos da Costa Franco, especialmente a oitava série do matutino: Uma garotada “sangue bom”, gente boa mesmo. Estive lá na última sexta-feira, trocando algumas ideias com o pessoal a respeito de literatura, leitura, análise e produção de texto.
Antes, porém, a professora Luciane Campolin já havia feito um trabalho especialmente com meus textos e de outros cronistas a nível estadual e nacional, o que muito alegrou-me, pois ser equiparado com escritores reconhecidos nacionalmente, no mínimo me remete a uma intertextualidade ao nível dos formadores de opinião, o que para um escritor do interior de Santa Catarina é um orgulho enorme.
Mas, vamos parar com a auto “rasgação de seda” e vamos ao que interessa:
Cada vez que visito uma escola pública, me convenço mais de que temos muitos gênios adormecidos nos bancos escolares, senti isso ao ver os olhos daquela piazada brilhando ao ouvir os meus relatos e dos demais colegas... Sinto isso cada vez que um aluno se aproxima com um rascunho dizendo que produziu um texto despretensiosamente e gostaria que fosse lido por mim... Já fiz isso no passado, quando era aluno da educação básica e, nem sempre, fui ouvido (ou lido) pelos mestres... Havia algo mais importante a ser feito por eles, como destacar nossos erros em vermelho, naqueles textos encomendados, que na maioria das vezes, não tinha nada a ver com nossa realidade, mas valia nota...
Tenho certeza que “os exemplos arrastam”, portanto, não posso exigir que meu aluno produza bons textos se ele nunca lê uma produção minha... não posso querer que ele fique em silêncio durante minha brilhante explicação, se eu não o faço quando estou participando de algum curso de capacitação. Pensando nisso, neste ano resolvi levar meus textos periodicamente para a sala de aula. Ora, não imagina, o leitor, quão grande foi a minha surpresa quando notei que minhas palavras causavam emoção em alguns alunos, a exemplo do texto “As hortênsias”, que ao lê-lo, uma de minhas alunas não conseguiu concluir, pois foi tomada pelas lágrimas que teimaram em cair...
Da mesma forma, senti-me emocionado, na Escola Domingos da Costa Franco, quando presenciei vinte três alunos conversando, debatendo e questionando meus textos, com a certeza e a clareza de quem leu e analisou anteriormente... Mérito deles, que tiveram a coragem e determinação de dedicar um tempo à leitura e análise... Mérito da professora, que disponibilizou a eles a chance de visitar meu blog e outros sites de literatura usando de uma visão crítica e de um coração aberto às novidades, fomentando assim a produção de texto entre eles... Mérito da direção da escola, por estar aberta a estes eventos, que por vezes não têm a cobertura da imprensa, já que não se trata de nenhuma desgraça social, acidente de trânsito, ou ato de politicagem... Mérito de todos nós, que lutamos como “Davi contra Golias” em busca de uma educação pública democrática, edificante e de qualidade.
Obrigado, Dominguinhos, pela sexta-feira maravilhosa que passamos juntos!... Obrigado por acreditarem no meu trabalho!... Obrigado por acreditarem no trabalho de vocês!... Obrigado por acreditarem que o ser humano é capaz de realizar maravilhas quando o deixamos voar alto no mundo do conhecimento... Obrigado Dominguinhos!...
Márcio Roberto Goes
Jornal Informe – O diário Regional