3 de outubro de 2026
Crônicas

30/04/2009

Por Márcio Roberto Goes

PALAVRAS

Palavras bonitas, feias, dóceis ou duras, verdadeiras ou mentirosas, curtas ou longas, úteis ou inúteis... Todas têm força.

Não foi “a toa” que nos foi dado o dom da palavra, mas será que a humanidade tem usado corretamente este dom divino?... Será que a boca está em perfeita sintonia com o cérebro ou o coração?... Ou pensa-se uma coisa e fala-se outra?... Ou ainda, toma-se carona nos pensamentos, justos ou não, dos outros, nem sempre coniventes com o nosso?...

Pela atual conjuntura mundial, nacional e até mesmo ao nosso redor, parece que o dom da palavra tem sido usado como arma de ataque e defesa e às vezes, como instrumento de presunção e julgamento alheio continuamente. Inúmeras vezes, para fugir de situações desagradáveis, fala-se algo que, na verdade, não coincide com o cérebro, fruto de dois fenômenos exclusivos do ser humano: a mentira e a calúnia... Oh! Quanto orgulho para nós sabermos que somos superiores às demais espécies, porque sabemos mentir e caluniar: estratégias que nos garantem o domínio sobre outros seres, humanos ou não...

Afinal, somos cabeças pensantes, um poço de conhecimento: devemos nos portar como tal, porém parece que a água deste poço, há tempos não é submetida a uma análise de qualidade, o que torna-se um fato lastimável.

Por que será que é tão difícil dizer, simplesmente a verdade? É tão simples: Quem diz sempre a verdade, jamais se contradiz... Gostaria que alguns de nossos governantes, eleitos por nós,  aprendessem isso, para não ficarem abusando de nossa inteligência e de nossa paciência...

Tudo no mundo é determinado pelo homem, que insiste em manter o domínio sobre a própria espécie e todas as outras, usando a palavra como instrumento de convencimento e persuasão... Porém aqueles que se acham no direito de humilhar, massacrar e até matar, esquecem-se que se há dominados é porque existem dominadores e se existe poder, é porque lhes foi dado pelo povo através do voto, nem sempre merecido.

Mas existe o outro lado da moeda: Quando a maioria composta pelos dominados, que ainda têm o coração puro, resolver virar o jogo, os dominadores perderão o poder de uma forma tão amarga que se arrependerão das mentiras estratégicas que plantaram sua própria condenação.

Somos dominados pelas palavras mentirosas daqueles que sabem usar a retórica, e é através da palavra que poderemos conquistar a liberdade e a verdadeira democracia. Mas é preciso ter garra, determinação e coragem para “derrubar a cerca” da desigualdade.

Não será fácil, milhões de corações puros vencerem alguns corações de pedra, mas é “a verdade que nos libertará”... As palavras sinceras parecem estar em extinção e ninguém ainda acordou para preservá-las, mas ainda há tempo. Basta usarmos o pouco poder que nos foi dado através do voto consciente e sincero. Afinal, não é uma cesta básica, algumas “oncinhas”, ou qualquer outra propina eleitoral que tem o poder de mudar nossa realidade. O voto é nosso e ninguém tem o direito de nos furtar.

Em apenas dois momentos, os seres humanos são todos iguais: sentados no vaso sanitário e no momento do voto. Em ambos não se conta fortuna nem poder, somente o momento, que no caso do voto é único para qualquer cidadão.... Cabe a cada eleitor não fazer na urna o mesmo que faz no vaso sanitário, para não correr o risco de os eleitos fazerem o mesmo com nossos direitos de cidadãos.

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br
www.cacador.net

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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