PALAVRAS
Palavras bonitas, feias, dóceis ou duras, verdadeiras ou mentirosas, curtas ou longas, úteis ou inúteis... Todas têm força.
Não foi “a toa” que nos foi dado o dom da palavra, mas será que a humanidade tem usado corretamente este dom divino?... Será que a boca está em perfeita sintonia com o cérebro ou o coração?... Ou pensa-se uma coisa e fala-se outra?... Ou ainda, toma-se carona nos pensamentos, justos ou não, dos outros, nem sempre coniventes com o nosso?...
Pela atual conjuntura mundial, nacional e até mesmo ao nosso redor, parece que o dom da palavra tem sido usado como arma de ataque e defesa e às vezes, como instrumento de presunção e julgamento alheio continuamente. Inúmeras vezes, para fugir de situações desagradáveis, fala-se algo que, na verdade, não coincide com o cérebro, fruto de dois fenômenos exclusivos do ser humano: a mentira e a calúnia... Oh! Quanto orgulho para nós sabermos que somos superiores às demais espécies, porque sabemos mentir e caluniar: estratégias que nos garantem o domínio sobre outros seres, humanos ou não...
Afinal, somos cabeças pensantes, um poço de conhecimento: devemos nos portar como tal, porém parece que a água deste poço, há tempos não é submetida a uma análise de qualidade, o que torna-se um fato lastimável.
Por que será que é tão difícil dizer, simplesmente a verdade? É tão simples: Quem diz sempre a verdade, jamais se contradiz... Gostaria que alguns de nossos governantes, eleitos por nós, aprendessem isso, para não ficarem abusando de nossa inteligência e de nossa paciência...
Tudo no mundo é determinado pelo homem, que insiste em manter o domínio sobre a própria espécie e todas as outras, usando a palavra como instrumento de convencimento e persuasão... Porém aqueles que se acham no direito de humilhar, massacrar e até matar, esquecem-se que se há dominados é porque existem dominadores e se existe poder, é porque lhes foi dado pelo povo através do voto, nem sempre merecido.
Mas existe o outro lado da moeda: Quando a maioria composta pelos dominados, que ainda têm o coração puro, resolver virar o jogo, os dominadores perderão o poder de uma forma tão amarga que se arrependerão das mentiras estratégicas que plantaram sua própria condenação.
Somos dominados pelas palavras mentirosas daqueles que sabem usar a retórica, e é através da palavra que poderemos conquistar a liberdade e a verdadeira democracia. Mas é preciso ter garra, determinação e coragem para “derrubar a cerca” da desigualdade.
Não será fácil, milhões de corações puros vencerem alguns corações de pedra, mas é “a verdade que nos libertará”... As palavras sinceras parecem estar em extinção e ninguém ainda acordou para preservá-las, mas ainda há tempo. Basta usarmos o pouco poder que nos foi dado através do voto consciente e sincero. Afinal, não é uma cesta básica, algumas “oncinhas”, ou qualquer outra propina eleitoral que tem o poder de mudar nossa realidade. O voto é nosso e ninguém tem o direito de nos furtar.
Em apenas dois momentos, os seres humanos são todos iguais: sentados no vaso sanitário e no momento do voto. Em ambos não se conta fortuna nem poder, somente o momento, que no caso do voto é único para qualquer cidadão.... Cabe a cada eleitor não fazer na urna o mesmo que faz no vaso sanitário, para não correr o risco de os eleitos fazerem o mesmo com nossos direitos de cidadãos.
Márcio Roberto Goes
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