3 de outubro de 2026
Crônicas

05/02/2009

Por Márcio Roberto Goes

Conselho inicial...

- Bom-dia, senhores professores! Sejam todos bem-vindos... Estamos aqui reunidos para deliberar sobre o ano letivo que se inicia... Existem vários pontos a serem destacados, em especial dois: A grande evasão do ano passado e o número considerável de reprovação. Temos que pensar numa solução, já que para este ano diminuíram consideravelmente as matrículas tanto de ensino fundamental, como de ensino médio...

- Por favor! Eu gostaria de dar uma palavrinha...
- A vontade!
- Obrigado!... Como é que vamos solucionar a evasão se nossa escola não tem estrutura suficiente para funcionar razoavelmente bem, tanto o ensino regular como os cursos técnicos... Temos um prédio que só não é vazio porque tem quadros negros e brancos, cadeiras e mesas, ou seja: o mínimo do mínimo...

- Mas o que nós estamos fazendo para segurar estes alunos na escola?
- Na verdade, estamos pagando para trabalhar. Temos que imprimir trabalhos e provas em casa, pois a impressora nunca funciona... Não temos direito a vale transporte: Temos que viajar dezesseis quilômetros por dia para lecionar. Tudo isso para o bem de nossos alunos...
- Bem, estes problemas estruturais não cabem a nós!
- Outra coisa: Como segurar os alunos se em algumas salas nem porta tem?...

- Com licença! Eu também tenho algo a dizer!... Tudo isso foi dito e deliberado no começo do ano passado e o ano letivo terminou do mesmo jeito de sempre: No conselho final, reprovamos alunos que não mereciam, da mesma forma aprovamos outros que também não mereciam... Fizemos uma manifestação pedindo segurança e agora estão me dizendo que a guarda municipal não estará conosco este ano... Como ficamos?

- Parece que serão contratados policiais aposentados para fazer a segurança...
- Quando?
- Não sei!
- Como podemos fazer a nossa parte se o poder público não faz a dele?... Além disso a promessa era que a guarda municipal continuaria conosco até que se encontrasse uma alternativa...

- Olha!... Desculpe interromper, mas acho que o que mais falta aqui e em qualquer outra escola é acolhida... O nosso aluno chega em nossa escola e a primeira coisa que fazemos é “despejar” um monte de regras. Não damos um abraço, não desejamos as boas-vindas, não ouvimos a opinião dele... Simplesmente entregamos uma folha cheia de normas que, em pouco tempo vai virar aviãozinho e, muitas vezes nem nós não obedecemos as regras ali expostas...

Enquanto o aluno for esquecido como a razão de ser da educação, vamos continuar neste caos: professores mal-renumerados, desmotivados, tendo que trabalhar sessenta horas semanais para sobreviverem neste mundo capitalista selvagem... Escolas sem a mínima estrutura... Alunos sem perspectiva... É preciso colocar uma dose maior de amor em todos os âmbitos da educação, sejamos nós alunos, professores, serviços gerais, corpo pedagógico e administrativo... E principalmente as autoridades que foram eleitas para cuidar de um bem que é nosso...

Márcio Roberto Goes
Apaixonado pela educação
www.marciogoes.com.br

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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