3 de outubro de 2026
Crônicas

07/01/2009

Por Márcio Roberto Goes

Jeito magrão de ser

Num sábado desses recebi uma missão muito proveitosa e edificante: acompanhar duas meninas e um menino da nossa paróquia até Videira para um encontro de jovens... Na hora marcada, estava eu lá, em frente à paróquia pronto pra funcionar meu pratinha 91 e abraçar esta missão. Aliás, tudo que se refere a jovens me fascina, desde que eu era um deles... E na verdade ainda sou, pois já acumulei duas adolescências durante minha vida de três décadas e meia. Além disso, descobri a fórmula da juventude: basta estar sempre rodeado de jovens para ser um deles... Isso é um fato em minha vida, já que trabalho com esta garotada “sangue bom” do ensino médio, que têm me ensinado muito sobre relacionamento humano.

Um deles, o único menino, não pode ir por causa de um imprevisto... Tudo bem! Fomos só com dois terços da equipe, mais o tiozinho aqui, ora pendendo pra cá, ora pendendo pra lá, nas curvas sucessivas típicas do caminho de Caçador a Videira: fato que não é de todo mal, pois torna a viagem menos monótona.

Ao chegar na vizinha cidade, nos dirigimos até o local do encontro, onde acompanhei minhas heroínas... O mais incrível é que elas não sentiram vergonha de mim (ou não demonstraram)...

O encontro foi muito envolvente e participativo, como tudo o que tem o jovem como protagonista, mas um pequeno detalhe me chamou a atenção: Uma jovem, durante a reflexão, profere uma frase um tanto estranha para ser ouvida por um adulto, enquanto apontava para a imagem de Jesus:

- “A gente está aqui pela fé... Pela fé no magrão...”
 Magrão?... O que é isso?... Ela chamou Jesus de magrão? - Pensava eu carregado de preconceito e conservadorismo – Onde está o respeito pelas coisas de Deus?...

Mas imediatamente, meu lado ranzinza deu lugar a meu lado reflexivo que analisou a situação, colocando-se no lugar dos jovens ali presentes:

Pois bem... “Magrão” é uma gíria dos jovens contemporâneos. Eles a usam para se dirigir aos seus amigos mais íntimos, como forma de saudação: “Aí magrão!”... Logo, eles identificam Jesus como amigo, incluindo-o no seu círculo social... Um cara que tá por perto, no meio deles, vivo e presente, que fala e entende a língua e as características da juventude... Logicamente, não faltaram com o respeito, mas sim, aproximaram o divino do humano, de uma maneira legal e com a cara da garotada...

Algumas vezes, meus alunos se dirigiram da mesma forma a minha pessoa: “Aí magrão!”, o que também me torna um amigo mais próximo deles... E o mais incrível é que não me senti nem um pouco ofendido, pelo contrário, desta forma podemos conversar de igual pra igual, sem máscaras e nem barreiras de gerações que insistem em ser impostas.
 Pô cara! Foi mal aí Magrão!... Não sabia que você se ligava nessas “paradinha” de gíria! Só! Valeu?

É pela fé no magrão que eu ainda acredito nesta juventude, que é a mola propulsora do mundo. E sei que existem muitos jovens, imensa maioria, que ainda acreditam nos valores éticos morais e religiosos, do seu jeito “magrão” de ser... E com certeza, o magrão também se rejubila com o fato de seus jovens buscarem as coisas de Deus, através da intercessão de seu filho, Jesus Cristo: O magrão que já esteve pregadão, mas que agora é presença viva no meio desta juventude.

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

Mais colunas