3 de outubro de 2026
Crônicas

10/10/2008

Por Márcio Roberto Goes

Uma semana cultural

Lá estava eu... Meio atordoado, sem acreditar de súbito, sentado numa cadeira confortabilíssima, flexível e de rodinhas, o chão todo de carpete: era o plenário da câmara de vereadores... Ao meu lado, grandes personalidades... Entre elas, uma de minhas mestras na graduação, professora Ana Paula Carneiro, e o Pinduca, mestre na arte de interpretar poesias... Tanta gente importante e eu ali no meio deles... Meu Deus!... O que eu estou fazendo aqui?... Sou jurado, fui chamado pelo nome e aplaudido pelo público presente, para a difícil missão de avaliar os participantes do segundo recital de poesias da Escola Pierina Santin Perret.

Ainda um tanto extasiado com a situação, volto das nuvens e me ponho a assistir o recital. Por vezes, esqueço-me até que estou na condição de avaliador e me dou ao luxo de me deliciar com a obra de Cecília Meireles, Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, entre outros, além de poesias de autoria dos próprios alunos: fato que tornou o evento ainda mais grandioso.

Tudo foi milimetricamente pensado, desde a preparação dos alunos, até o figurino e o cenário: tudo muito simples, de uma simplicidade tamanha que chegava a ser divina, de uma divindade tamanha que chegava a ser simples o suficiente para apaixonar desde a criança da educação infantil, até os pais que ali estavam para aplaudir e prestigiar seus pequenos gênios.

No outro dia, à tarde, preparo-me pra lecionar durante cinco aulas, cheias de conteúdo daqueles que deixam qualquer criança “meio vesga” de tanto escrever coisas que, às vezes não as compreende direito, mas o professor mandou copiar, portanto devem ser copiadas para ter um exemplo de caderno completo e bem organizado...

E eis que minha rotina escolar é interrompida quando sou informado que devo descer com meus alunos até o SESC para uma apresentação teatral... Novamente me enchi de expectativas e acompanhei meus pequenos heróis até lá. Outra vez flutuei e desta feita com a obra de Clarice Lispector, representada grandemente e de forma criativa por três atrizes do projeto “Baú de histórias”, com a peça “Clarícias”.

Mais uma vez, minha escola utópica sai lá do fundo dos meus sonhos, daquele cantinho especial de meu coração e toma forma, cor, movimento, emoção...

Fatos como estes, me fazem ressuscitar meus sonhos de escola ideal e perceber que minha utopia não é só minha... É muito bom saber que um sonho tem uma razão de ser, sobretudo quando outras pessoas também o sonham, melhor ainda, o realizam.

Quiçá um dia todas as escolas, todos os professores e equipes pedagógicas tivessem a ousadia de tirar seus sonhos da gaveta das teorias e os tornasse realidade, para o bem dos nossos alunos, crianças e jovens... Oxalá a sala dos professores deixasse de ser um divã e se transformasse num lugar de projetos e de fomento de idéias como essas que tive a honra de presenciar esta semana.
As coisas boas só acontecem quando somos ousados o suficiente para sonhar...

Márcio Roberto Goes
WWW.marciogoes.com.br

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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