3 de outubro de 2026
Crônicas

05/09/2008

Por Márcio Roberto Goes

Um ponto pelo Hino

Todo ano, na semana da Pátria, desafio meus amados e diletos alunos a cantarem o Hino Nacional Brasileiro de cor, sem errar, nem gaguejar: aquele que consegue, recebe um ponto a mais na média bimestral...

Parece mentira, mas em oito anos de magistério, só consegui contemplar um único aluno de ensino médio com este prêmio... É impressionante, como decoramos facilmente as canções “populares” em cinco velocidades diferentes, que na maioria das vezes têm um padrão de letra e vocabulário que não exigem o mínimo conhecimento de poesia nem de música. No entanto, parece infinitamente difícil decorar e sentir a letra do Hino Nacional Brasileiro composta por Joaquim Ozório Duque Estrada, externando uma impressionante e inigualável declaração de amor por esta terra, inclusive intertextualizando outra obra de um grande escritor chamado Gonçalves dias, neste trecho:

(...) “Nossos bosques têm mais vida, nossa vida” no teu seio “mais amores” (...)

Vamos combinar que nosso modesto país sofreu grandes mudanças após a composição do seu Hino oficial, tanto estruturais, como políticas e culturais, porém, a letra ainda é capaz de nos provocar reflexão e “arrepiar até as unhas”: uma canção passional que exprime tantas belezas e riquezas de uma terra que ainda é amada e cobiçada pelos estrangeiros... Só falta ser amada e cobiçada pelos nativos.

- “Mas é muito difícil” – Me dizia um aluno. Sim! Nosso Hino Nacional pode ter um aspecto meio rebuscado, cheio de palavras que não fazem parte do nosso cotidiano e algumas frases fora da ordem direta, mas são justamente estes aspectos, que a meu ver, o tornam o poema em homenagem a um país, mais bonito do mundo.

O “Joaquinzinho” teve um cuidado todo especial na métrica e na rima: detalhes merecidos de um país com dimensões continentais que fala e escreve a Língua mais linda do mundo: o bom e amada Português que agora tentam unificar com os outros países lusofônicos, através da reforma ortográfica que vigora a partir de 2009... Bem! Podem até fazer uma tentativa frustrada de unificação ortográfica, porém o Português do Brasil, Jamais deixará de ser o mais bonito e versátil do mundo... Não é uma reformazinha meia-boca que vai nos fazer enrolar a língua e falar igual aos outros lusofônicos.

Vivemos num país lindo, com um hino maravilhoso, variações lingüísticas incomensuráveis e a maioria do povo não conhece a letra do Hino feito à “Pátria amada, mãe gentil”, que mais tarde se tornou Hino oficial do país...

É uma lástima perceber que se reconhece perfeitamente o sentido morfológico da palavra “créu” e não se tem a mínima curiosidade em descobrir o sentido do substantivo “lábaro”, do verbo “ostentar”, dos adjetivos “garrida” e “colosso”, da própria flâmula verde-louro e de outras palavras que compõem o Hino e encontra-se facilmente em qualquer dicionário.

Meu Brasil, quero amar-te, mas para amar-te é preciso conhecer-te... E para conhecer-te é preciso, entre outros aspectos, compreender teu poema oficial: o Hino Nacional.

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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