O MEU PIOR TEXTO
O verdadeiro homem tem a coragem de voltar atrás nos seus erros e redimir-se dos prejudicados por ele, embora não se possa lapidar novamente o cristal quebrado...
Sabe aquela atitude que, às vezes, a gente toma e em seguida se arrepende, normalmente quando já é tarde demais? Com os escritores também acontece... Eu sou um deles e tenho perfeita consciência de minha fragilidade, afinal, sou humano.
Semana passada, ao ler minha crônica publicada no Portal Caçador Online, desperto para a realidade e num acesso de autocrítica chego a seguinte conclusão: Este texto (O Vulto) ficou simplesmente horrível!... Muito mal construído, totalmente inútil, extremamente discriminatório (o que vai diretamente contra meus princípios)... E o pior: estava ali, accessível a pessoas do mundo todo. E também havia uma versão impressa no jornal. Apesar de saber que essa, no dia seguinte, serviria de embrulho para bananas, ou forro para os automóveis das madames (essa é a única maneira de eu ser visto num carro do ano), algo me dizia que minha publicação iria surtir um efeito indesejável, o que de fato aconteceu...
Ontem, recebi um e-mail nada educado comentando meu texto infeliz, em defesa da protagonista da crônica em questão, apesar de ela não ter sido identificada por mim em nenhum momento da narrativa. Quero salientar que este fato causou-me dois sentimentos antagônicos: Alegria, por saber que o caçadorense ainda dispensa um pouco do seu tempo para ler sites e jornais, pensa, analisa aquilo que lê e posiciona-se acerca do assunto; e tristeza, porque a pessoa que se dirigiu à minha pessoa, julgando-me, não “lembrou” de se identificar.
Enfim, como qualquer mortal, reconheço meu erro: foi um lapso de identidade... Jamais fui a favor de qualquer tipo de discriminação. Desafio qualquer leitor a procurar nas minhas cento e tantas crônicas publicadas em dois anos e meio, qualquer outro indício de discriminação: tudo o que se encontra são fatos do cotidiano com tons de humor e crítica, que são os dois principais aspectos da crônica, enquanto obra literária, na sua essência como narrativa... Não é justo que um texto acabe com tantos outros.
Tenho consciência do meu compromisso com o povo caçadorense e sei que ele espera de mim, a cada sábado, um texto que reflita a sua realidade... Por fim, gostaria de expor também minha “indignação” pelo fato de o leitor (ou leitora) ter se justificado com uma frase de um colunista a nível estadual que escreve somente para a elite, defende explicitamente os interesses dos capitalistas poderosos que pagam seu salário e constantemente chama nossos queridos alunos de “vadios”, generalizando uma característica de poucos... Isso não é discriminação?
Sei que errei e fui muito infeliz na minha crônica da semana passada, mas meu colega “estrela” não tem moral para falar de estupidez, parafraseado por um leitor indignado... De qualquer forma, perdão meu povo!
Márcio Roberto Goes