3 de outubro de 2026
Crônicas

16/11/2007

Por Márcio Roberto Goes

MEU QUERIDO IRMÃO LEO

Na edição de número 792 do jornal informe, datada de 03 e04 de novembro de 2007 e na mesma semana, no portal Caçador.net, fiz um infeliz comentário, totalmente unilateral que resultou, com razão, numa indignação coletiva da equipe guerreira de uma das escolas de minha vida: A Escola de Ensino Médio Irmão Leo. Na ocasião, expressava minha indignação pelo fato de a biblioteca ter mudado de um lugar amplo para um local menor, porém continua em uso.

Ao visitar a escola novamente, na última sexta-feira, quando vislumbrei o trabalho maravilhoso realizado na IV Feira do Conhecimento, ouvi os lamentos e os protestos de uma equipe, que como sempre é muito unida no que diz respeito à edificação dos valores da escola e das pessoas envolvidas.

Errei, lamentável e vergonhosamente ao escrever sobre um assunto do qual não tinha conhecimento do todo, mas meu coração, apaixonado pela educação, moveu-se pela emoção e guiou meus dedos no teclado afim de externar minha indignação que agora muda de rumo e tem como alvo, novamente aqueles “excelentíssimos” eleitos por nós que têm, mais do que todos, a obrigação de usar do dinheiro público, para buscar soluções para os problemas cotidianos da escola.

O fato é que, a biblioteca desta escola que ainda mora no meu coração, mudou de lugar, emergencialmente por medidas de segurança e de controle, visto que por situar-se num local muito exposto e por ter, mais ou menos setenta por cento das paredes de vidro, foi alvo de depredação e  furto de livros... retornamos aqui ao poder público, que parece fechar olhos e ouvidos para problemas relativamente fáceis de serem resolvidos, mas que não encontram a solução simplesmente porque não são atitudes que resultam num grande número de votos.

Além do mais, existe uma pessoa responsável por aquela biblioteca: coisa raríssima nas nossas escolas públicas estaduais, e segundo o depoimento de alguns professores, o problema de furto e depredação foi resolvido, além do mais, os alunos têm acesso ao acervo da escola com livros catalogados e organizados tornando o ato da leitura e da pesquisa, muito mais fácil e dinâmico.

Infelizmente, o problema maior é das autoridades “competentes” que fazem de uma “casca de construção” uma bandeira de campanha. Tudo isso começou há cinco anos atrás, quando o prédio foi projetado igualzinho a outras escolas de outras cidades e de outras realidades, com o título de “escola jovem” modelo. Acontece que nossa região, nossa realidade e nossas condições climáticas são outras (falo isso como leigo)... Pois foi esta falta de estrutura física adequada e de segurança que empurraram o acervo de livros para outro ambiente.

Agora, querem destruir o Paulo Schieffler, que é a escola pública mais antiga de Caçador, para substituirem-na por uma destas “cascas modelo”, quando seria mais conveniente reformar o prédio, que para mim é um patrimônio histórico e adequá-lo às normas de inclusão com rampa de acesso e outros aspectos que tornariam mais confortável a vida de estudantes com necessidades especiais.

Aos amigos do meu querido Irmão Leo, minhas sinceras escusas, porém meu erro, com certeza foi muito menos inpactatnte que o daqueles que projetaram e construiram com verba pública, uma escola que não oferece a segurança nem a estrutura necessária para a construção efetiva de uma verdadeira escola pública de qualidade.

Márcio Roberto Goes

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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