3 de outubro de 2026
Termômetro do Varejo

Empréstimos tomados por aplicativos de celular crescem no Brasil

Por Leila Longo Romão

Com mais acesso à tecnologia, os consumidores estão ampliando os empréstimos tomados via aplicativos de celular ou tablet, segundo levantamento da Folha de SP, com os cinco maiores bancos do país.
Muito se deve à facilidade desse tipo de operação, que pode ser feita em poucos segundos, ao toque dos dedos. Mas consultores financeiros dizem que é preciso tomar cuidado para a praticidade não virar uma armadilha.

É uma tendência global. Os consumidores estão preferindo ter cada vez mais contato virtual com os bancos do que presencial.

FÁCIL E CARO

Consumidores impulsivos, que sentem necessidade de comprar produtos sem necessidade, devem redobrar a atenção, "Muitas vezes, esta pessoa precisa de recurso com agilidade e, por isso, acaba recorrendo ao crédito pré-aprovado no aplicativo do celular, que pode dar a falsa impressão de que ela tem mais dinheiro do que realmente tem", afirma.

É preciso prestar atenção às taxas. "Crédito fácil é igual crédito caro. Quanto mais fácil for para contratar [o empréstimo], em geral, mais caro ele é", diz Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito, site comparador de empréstimos.

A taxa média de juros cobrada pelo Bradesco estava em 7,5% ao mês em abril. Os demais bancos informaram que os percentuais variam conforme o tipo de crédito concedido e o relacionamento do cliente com a instituição financeira.

Por isso, afirma Prata, é importante pesquisar. "Quando você contrata um empréstimo via `mobile´, perde a capacidade de negociar. A praticidade da ferramenta é interessante, sim, mas não anula a necessidade de o consumidor checar com outros bancos com os quais trabalha ou financeiras antes de tomar a decisão através do aplicativo."

Os bancos são obrigados a informar ao consumidor o custo efetivo total da operação, que já embute todos os encargos e despesas do empréstimo. Ter clareza sobre o que vai ficar devendo é fundamental, segundo o presidente do Canal do Crédito.

"Se endividar sempre deve ser a última opção. Reduzir gastos supérfluos, trocar marcas de produtos e repensar o padrão de vida podem evitar a necessidade de um empréstimo, especialmente em um cenário de inflação em alta, o que corrói o poder de compra do consumidor, e elevação de juros."

Leila Longo Romão

Sobre a coluna

Leila Longo Romão

Coluna Termômetro do Varejo

Graduada em Administração, com pós-graduação em Marketing e Vendas.

Empresária do ramo de confecções, na área industrial e lojista.

Foi presidente da CDL Caçador durante cinco o anos e Diretora Distrital da FCDL/SC.

A coluna Termômetro do Varejo traz análises de pesquisas do setor, além de orientação para os empresários lojistas, comerciantes e comerciários em geral.

Mais colunas