3 de outubro de 2026
Crônicas

Originalidade

Por Márcio Roberto Goes

Quando o mundo dorme, os escritores acordam. O silêncio e a clamaria da noite dão aos artistas da palavra as condições necessárias para fazerem sua arte com melhor qualidade...

E o assunto que me tira o sono hoje é justamente o uso das palavras... Mais especificamente, o uso legal das palavras escritas... Esta grande maravilha criada pelos seres humanos para melhorar a comunicação entre as pessoas, tem sido também motivo de intrigas, guerras e, infelizmente, plágio... Copiar um obra literária, ou parte dela sem citar a fonte, tomando como autoria própria é crime e, a meu ver, deveria ser considerado hediondo...

Quando meu amigo Edenilson Pérego me convidou para ser colunista da Tribuna Regional do Contestado, muito me alegrou pelo desafio e pela oportunidade de expressar minhas ideias num veículo com a cara do povo... Mas quando recebi a missão de fazer a correção ortográfica de toda a revista, confesso que “tremi na base”... Pois para revisar um texto de outrem é preciso não só observar os aspectos gramaticais e semânticos, mas também e a meu ver, principalmente, manter as características da  linguagem empregada pelo escritor... Sempre fiz isso com os textos dos meus alunos e, faço constantemente com os TCCs que chegam ao meu computador para serem revisados. Jamais me sentiria bem modificando totalmente um texto cujo resultado foi conquistado a partir de muita dedicação para manter o contato com os receptores. Portanto, queridos e queridas leitoras, principalmente aqueles que se julgam melhores só porque alimentam a ilusão de dominar o idioma escrito, talvez encontrem nos textos por mim revisados, palavras e sentenças que, a seus olhos firam a gramática normativa em detrimento de se conservar a originalidade...

Esta, deveria ser a postura de todos os veículos de comunicação, pois furtar, ou abortar uma ideia, é arrancar um pedaço da vida de uma pessoa. Este mesmo raciocínio, remeto à prática ilegal de plágio que acontece nas universidades e até na educação básica... Pessoas ganham muito dinheiro financiando a preguiça de alguns estudantes, fazendo projetos, trabalhos e até provas, prostituindo palavras que vão dar o diploma aos profissionais que, em pouco tempo, estarão por aí no mercado de trabalho, fazendo aquilo que não aprenderam por preguiça de construir as próprias ideias...

Além de tudo, trata-se de uma prática imoral e tenho asco disso... Já xinguei muita gente que me ofereceu dinheiro para fazer aquilo que era responsabilidade dele... Também já tive muita indignação ao ver amigos se gabando que receberam mais de mil reais para usar o control+C – control+V e vender isso a um preguiçoso cheio do dinheiro... É o plágio do plágio e deve ser combatido pelos defensores da originalidade das palavras...

Márcio Roberto Goes

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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