3 de outubro de 2026
Crônicas

E, se o Natal não fosse um dia?

Por Márcio Roberto Goes

Lindo... Muito lindo... Lindíssimo... Esta época do ano é muito linda... Todos imbuídos de um sentimento de solidariedade... É papai Noel por todo lado dando presentes, abraços e balas para as criancinhas pobres... Pessoas travestidas do bom velhinho visitam asilos, orfanatos, hospitais para levarem alegria e arrancar sorrisos das pessoas que têm algum tipo de desafio a vencer... As famílias se reúnem, trocam presentes, revelam amigo secreto, se congratulam e lembram do quanto os outros são importantes em sua vida...

Triste... Muito triste... Tristíssimo... Perceber que, depois que tudo passa, a partir do dia vinte e seis de dezembro, os pobres e oprimidos são esquecidos... As criancinhas pobres, continuam pobres, carentes e desnutridas... Os orfanatos continuam cheios de crianças abandonadas... Os asilos permanecem cheios de idosos esquecidos cruelmente por uma sociedade que tanto foi favorecida por eles... Os doentes continuam sofrendo solitários nos leitos dos hospitais... E as famílias... Ah, as famílias continuam sendo destruídas e desestruturadas pela mídia...

Mas é Natal... Nada disso importa... O importante é que teremos mais um especial do Roberto Carlos, comércio aberto até mais tarde e nos finais de semana, afinal, os comerciários não podem ter família, só os comerciantes que lucram muito e repartem nada... Tudo em nome do Natal capitalista...

Enquanto isso, o aniversariante continua tentando encontrar morada nos corações humanos para poder visitar, durante o ano todo, os hospitais, orfanatos, asilos e ruas cheias de pessoas abandonadas, pois não servem para o capitalismo, afinal não dão lucro a ninguém... Jesus estruturou a partilha e solidariedade, mas as igrejas se capitalizaram, infelizmente...

Normalmente, Jesus nasce nos corações, dia vinte e cinco de dezembro e no dia seguinte os seres humanos o matam novamente para poderem viver em paz o egoísmo durante o resto do ano... Como diz a canção do Padre Zezinho: “Tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria, se os pais fossem José e se os filhos parecessem com Jesus de Nazaré”...

Márcio Roberto Goes

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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