3 de outubro de 2026
Erocilda Pereira

30/08/2007

Por Erocilda Pereira

Caro leitor,

Agosto se cala...  lá se vai um mês de muita arte e cultura em nossa cidade! Lembra-se do projeto de teatro, dança e cinema? Aquele que fez brilhar atores caçadorenses em cena? Pois é... premiada, escolhida a dedo pelo diretor, ator e autor Marcos de Souza para levar até você, leitor fiel, palavras sérias sobre o momento teatral em que vivenciou em nossa cidade dentro. Sobre o assunto ele escreve:

“Caros Caçadorenses, após quarenta e quatro dias de trabalho intenso e caloroso com jovens atores desta cidade, que pertencem a grupos de teatro daqui ou alunos de teatro da prefeitura, me despeço da cidade á principio por curto prazo, que poder ser considerado longo. Tudo é uma incógnita. Venho através desta carta aberta agradecer imensamente a esta cidade pela acolhida gloriosa que foi oferecida a mim e aos meus queridos colegas, Raoni Garcia, Fernanda Oliveira e Olé Erdmann. Aqui tive o regozijo de experimentar de quase tudo, desde aventuras teatrais com os atores da cidade, assim como a repentina visita inesperada e inusitada a CTI do Maicé, que me acolheu por três dias numa madrugada desesperadora, após um colapso teatral e real que por pouco não se tornou fatídico... enfim coisas que acontecem na vida... Tanto eu quanto meu honroso colega Raoni Garcia, ator e coreógrafo, ficamos felizes de termos conseguido realizar, num período de 278 horas de trabalho, uma performance com a metodologia teatral alemã/brasileira. Um recorde para minha experiência e uma vitória para os componentes que se empenharam nesta Caçada teatral. Por este motivo gostaria de não só agradecer à cidade, mas gostaria de homenagear um caçadorense que vive no anonimato pelas ruas do centro e sonha em ser jornalista. O jovem de 23 anos Leandro Santos de Jesus, foi ao teatro assistir a performance e após o espetáculo procurou-me na intenção de entrevistar-me, fiquei muito feliz de constatar que um jovem morador de rua veio prestigiar-me com seu interesse pelo teatro e pela arte de sua cidade. Num almoço discreto, com atendimento exímio do garçom Wagner ocorreu então a entrevista, primeira entrevista feito por um jornalista, artista e morador das ruas de Caçador. Ficaria grato se a imprensa  publicasse alguns trechos desta entrevista séria, verdadeira  e espontânea de Leandro Santos de Jesus.

- O teatro para mim é vida bem ou mal vivida. É a vida na verdade ensaiada e combinada, uma boa xérox da vida privada e alheia. É a mentira bem contada. É um ato de amor, é a encarnação e a transformação da vida. É tudo, é substantivo.

- Eu descobri uma coisa fantástica que fará com que eu nunca esqueça essa cidade. Aqui, eu me tornei AUTOR ao escrever uma poesia intitulada ‘ A MUSA DE CAÇADOR’. Ex -Musa de Copacabana, que parece ser coisa de bacana mas não é. Neste pequeno conto ou poesia, procurei homenagear a cidade e conhecidos especiais de forma discreta. Fiquei encantado com esta cidade e apaixonado por algumas pessoas daqui que me marcaram.

- As culturas devem se unir. O teatro é internacional. No meu raciocínio isto significa único. Admiro e respeito os caçadorenses e espero que eles se unam e num ato de amor, tornem missão de todos a luta pelo teatro.

- Se ás vezes Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, eu possa afirmar que eu descobri Caçador... sem caravelas...a diferença é que aqui não encontrei índios e sim pessoas sedentas por aprender e dispostas a ensinar e a trocar. Após este período em Caçador passei a ver o teatro com olhos caçadorenses sem pertencer ou querer pertencer a quaisquer grupos de teatro. Sou uma instituição no sentido de conceito, sou ‘ OUTRA VISÃO’ e espero levar Caçador à Alemanha, sem ser contestado.”

E assim cumprida a tarefa, me despeço de você leitor com um grande abraço.

Aos fiéis leitores, sintam-se abraçados por mim pela gratidão e respeito.

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