“A arte não reproduz e visível”
Paul Klee (1879 – 1940)
Paul Klee, um gênio
Pintor nascido na Suíça em 1879
Cresceu em uma família de músicos desenvolvendo um talento extraordinário como violinista. A música forneceu ao pintor impulsos criativos para seu trabalho.
Conta a lenda que foi sua avó que o ensinou a usar o lápis e o pincel, através dos contos de fadas contados por ela e ilustrado por ele. Klee escolheu a carreira artística dedicando sua vida inteira a arte, enquanto estudante se dedicou sobretudo ao desenho.

Encontro de dois homens, cada um deles julgando
o outro em posição superior, 1903, Fundação Paul Klee.
Conheceu Lily Stumpf, uma pianista, no outono de 1899, e suas afeições tornaram-se arraigadas. No entanto, só se casariam alguns anos depois.
Recusado pela Academia de Artes de Munique Klee começa a estudar pintura com Franz Von Stuck (1863-1928) produzindo nus e retratos.
Paul Klee fez muitas excursões artísticas, os pontos altos foram às idas a Paris nos anos de 1905 e 1912. Estudou obras de Paul Cézanne (1839-1906), Henri Matisse (1869-1954) e André Derain (18880-1954). Desenvolveu a partir daqui, a pintura gravada em vidro onde, mais do que a cor, é o contraste claro-escuro que ocupa o primeiro plano.
Em 1911 conhece Wassily Kandinsky (1866-1944) entrando em contato direto com o grupo expressionista Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) - publicação considerada como um dos manifestos mais importantes da arte do século XX.
A obra Santa da luz interior não pertence, no entanto, ao período em que esteve ligado ao Blaue Reiter; mas busca no Expressionismo os ângulos em que se fecham as linhas, a influência das máscaras africanas e dos mosaicos bizantinos que o encantaram em sua viagem à Itália.

Santa da luz interior, 1921, litografia s/ papel; MAMSP
Nas idas e vindas do grupo Blauer Reiter, conhece Robert Delaunay (1885-1941) e suas experiências com cores. Delaunay dava uma importância igual e independente a cor, luz e movimento em seus trabalhos. Foi no orfismo desse pintor francês que Klee acreditou ter encontrado a chave de sua pintura. Escreveu: "A cor, como a forma, pode expressar ritmo e movimento".
A vigem para Tunis em 1914 foi um momento histórico. A paisagem tunisina, a arquitetura, a luz meridional e as cores ajudaram Klee a encontrar a via da pintura presenciando o colorido novo e diferente das paisagens. "A cor me possui (...) eu e a cor somos um (...) sou pintor”.

Veleiros, 1927, Coleção: Paul Klee-Stiftung, Kunstmuseum, Berna
Paul Klee teve seu primeiro êxito de vendas em 1917 em plena guerra. Neste período pintava a quadros com conteúdos figurativos ou dava-lhe título cuja referência literária era fácil de identificar.

Inspeção de navios, 1918.
A arte de Klee rende um convite de trabalho na Staatliches Bauhaus como professor. Iniciou lecionando no ateliê de encadernação. Depois, assumiu a chefia da oficina de pintura em vidro e afrescos.
Sua atividade como professor na Bauhaus obrigou-o a desenvolver e formular claramente as suas idéias sobre aspectos teóricos da pintura e da arte. A reação dos estudantes em relação ao professor Klee era muito variada. A opinião dos especialistas em Klee é, porém, unânime em um aspecto: suas aulas constituíam um desafio intelectual de alto nível. Alguns de seus alunos se adaptavam ao seu jeito. Muitos outros, entretanto, tiveram experiências valiosíssimas com Klee e aprenderam muito com ele.

O peixe dourado, 1925, óleo e aquarela sobre cartão, Hamburgo.
Outra característica típica de Klee era ressaltar constantemente que a sua maneira de abordar as questões não era a única possível. Ele sempre revelava como tinha chegado a essa ou àquela solução. Ao contrário de alguns de seus colegas da Bauhaus, ele não era nada dogmático. A obra O Peixe dourado forma um contraste vivo com uma aquarela fria baseada nos princípios psicológicos da percepção, difundido através do ensino de klee na Bauhaus.
Abandona a escola em 1930 para trabalhar na Academia de Artes de Düsseldorf sendo demitido por causa do regime nazista. Klee perde o cargo de professor na academia, e também o seu valor como artista na Alemanha.
Termina sua vida em Locardo, em 1940. No cavalete o seu apartamento, em Berna foi encontrada, por assinar “a grande natureza morta”, seu ultimo quadro.

Sem título (Natureza morta), 1940, Berna, Klee Museum
Características da obra de Paul Klee
- exaltação lírica da luz e da cor com grande tendência de musicalizar as cores e as formas;
- associação de elementos abstratos e figurativos, numa síntese harmoniosa entre a cor e o movimento;
- abstração: as formas e as cores não possuem qualquer relação com as imagens ou aparências da realidade exterior;
- busca da forma geométrica pura, reminiscências involuntárias, associações com certos objetos, possibilitando a expressividade da linha;
- a linha é o elemento fundamental no processo de construção da imagem;
- as linhas e a cor expandem-se, ultrapassam seus limites para se fundirem, compondo-se num mosaico para daí sugerir o tema.