Respeitável público: André Jean vai lançar “O Malabarista”
Foi preciso equilibrar o sofrimento para ver o espetáculo da vida acontecer. As acrobacias da vida de músico e a corda-bamba dos momentos difíceis foram superados pelo o dom de encantar uma platéia que só queria ver seu sorriso.
O caçadorense André Jean lança seu segundo CD, no teatro da UNC/Caçador dia 18 de agosto, às 20 horas. Entitulado de “O Malabrista”, Jean trará ao palco uma miscelânea de música, emoção e cultura circense.
Segundo o cantor, os ingressos antecipados serão vendidos à R$ 10,00. A expectativa é lotar o auditório, assim como no lançamento do primeiro álbum. André adianta para o Caçador Online que o CD ainda não está nas lojas, pois está em fase de mixagem e masterização. Saiba aqui tudo sobre o novo álbum.

O PROJETO
O cantor que despontou estado a fora garante que este segundo álbum é um projeto diferenciado do primeiro, que, segundo ele, estava carregado de sentimento. “Não que este também não esteja, mas este, creio estar mais maduro e desligado da história do primeiro disco, até porque eu não quero ficar alimentando isso”, afirma.
André está trabalhando com um trio de músicos profissionais de Lages, onde está residindo atualmente, e conta que vem desenvolvendo um trabalho de música experimental, porém bastante consistente, com arranjos elaborados pelo grupo, e as composições seguindo uma linguagem contemporânea. “As composições são todas minhas, creio que bem mais maduras, e consegui encontrar linguagens bem diferentes na estética musical e poética”, diz o músico.
A proposta é de uma estética musical livre dos formatos impostos pelo mercado fonográfico e radiofônico, não transformando a música em um simples produto de comércio, e sem valor cultural e artístico. “Levando em consideração as influências musicais de todos os componentes do grupo, sintetizamos essas influências e buscamos desenvolver arranjos com referencias regionais, com temperos mais elaborados e modernos, como o Jazz, tentando unir o tradicional com uma linguagem mais atual e acessível aos ouvintes, porém sem perder a pureza original desses formatos”.
Valorizar a cultura regional um pouco esquecida é um dos objetivos do grupo. Para Jean, esquecida por vários fatores, como por exemplo, o próprio desinteresse da população, tão agitada pela luta diária. Além da influência da mídia como a televisão aberta e rádios “populares” que teimam em ficar num círculo vicioso dando espaço a “mais do mesmo”, por imposição do mercado que prefere investir em “produtos” mais garantidos, e com fácil aceitação da população que já está condicionada a ouvir as mesmas fórmulas musicais. “Sendo assim o Novo, mesmo que valoroso em cultura fica esquecido e sem espaço, e a população sem acesso a estas manifestações”, finaliza.
Gravações
As gravações foram praticamente feitas ao vivo, utilizamos instrumentos todos acústicos, com exceção do teclado sintetizador. Segundo ele, o formato acústico foi feito já pensando na execução ao vivo. “Tudo muito básico”, explana, Bateria acústica com apenas três microfones para sua captação, baixo acústico, violão de nylon e violão de aço, acordeom, teclado e vocal, com poucos efeitos de “Reverb” e sem a utilização de “Pro-Tools”.
Arranjos
“O Malabarista” é uma mistura interessante de vários ritmos: samba, jazz, afoxé, maracatu, baião, ritmos folclóricos e regionais. Influências latinas como a salsa. Misturas de Bossa com Tango. Pitadas do universo circense, transitando também nas influências flamencas.
Além disso, dá espaço para linguagens de arranjos mais modernos e urbanos, com um toque de violões de bossa. “É uma viagem que nos remete a um clima simples e rústico de um velho acordeom, e sons das bailarinas de caixinhas de música, numa valsa muito singular. A proposta é que a sonoridade não deixe de ser acessível aos ouvintes, a comunicações é fundamental. A troca de emoções e sentimentos primordial”.
O show
“A configuração do formato do show é quase toda acústica, muito simples, vocal, violão de aço, violão de nylon, contrabaixo, bateria, acordeom, teclado e metais. No espetáculo, ao vivo, pretendemos interagir com pequenos versos e explicações de cada clima das canções”.
Curiosidades
• ”A canção que dá título ao álbum "O malabarista" tentei como compositor encarar personagem, embalado por uma bossa misturada com tango. A letra é uma homenagem à cultura circense, onde são citados vários elementos do circo. Na poesia, trocadilhos que expressam sentimentos de um homem já sem ‘Truques na cartola’”.
• As poesias e canções, todas do compositor e cantor André Jean, nos levam a um universo bem diversificado, às vezes intimistas, como em “Até Você, eu” e “Cardápio” onde o autor nitidamente encontra suas verdades. E mesmo que intimistas as canções tem muita identificação com os sentimentos comuns a todos nós.
• Elementos folclóricos e regionais estão presentes, onde é relembrada um pouco da beleza da infância que viveu no interior de Santa Catarina, com as crenças, ritos, culturas populares de nossa região. Esse é o tema da canção “Benzedeira”, na qual o autor relembra sua avó já falecida, “Vó Angelina”, benzedeira é claro. O clima nos remete a percebermos e relembrarmos da história rica, e a beleza da nossa cultura.
• Em outras canções o dia-a-dia também é muito presente na temática das letras, falando um pouco do nosso cotidiano e a influência da mídia em nossas vidas, expressa na canção “Um novo Cotidiano”. O mesmo cotidiano está presente em “Te arrancar um Pedaço”, porém num contexto mais romântico e sambado.
• “O Pintor do mar” é uma delicada poesia, porém com momentos muito intensos. Uma contemplação a grandiosidade da beleza do Oceano e de nossa Vida.
• A veia romântica e um tanto irônica do compositor aparece também em “Romance de TV”, uma letra bem quente que tenta descrever alguns momentos íntimos de um casal. O ritmo da salsa ajuda a esquentar ainda mais o clima quente da música.
• Com ênfase na poesia, na rima fácil, a interpretação quase teatral, o autor e cantor incorpora um interessante personagem na canção “Valsando”, convida-nos a valsejar como uma bailarina, a cantarolar uma melodia delicada e simples que combina perfeitamente com o clima de um universo de “um velho acordeonista de praça”. Uma canção beirando a insanidade de um valsar apaixonado, nostálgico e infinito.
COMPONENTES
André Jean, Cantor e compositor das letras e músicas, e produtor.
André Méier, Bateria e arranjador rítmico.
Thiago Bratti, Contra baixo, violão de nylon, violão de aço e arranjos.
Antonio Luis Lugon, Teclados, Acordeom e produtor.
Rodrigo e Ricardo Cavalett, nos metais.
