Os Contos da Carochinha
“Oi Lidi! Adoro você. Você é a mulher mais descolada, badalada e cabeça que conheço. Sou sua fã número 1. Lidi, quero ver o que você acha da minha história, o que devo fazer. Estou começando um namorico com um menino super mega popular da escola. Ele está no terceirão e eu na 8ª série. Ele é lindo! Todas as meninas morrem de amores por ele. E ele? Ele sempre foi super pegador. Passa o rodo mesmo. Também a mulherada não dá mole não. Se ele recusar chamam de ‘bicha’. Lidi, estou apaixonada por ele! Eu não sou de se jogar fora. Sou uma adolescente super paquerada no colégio, mas sou muito tímida, reservada, CDF e não dou abertura para os meninos faltar com respeito comigo. Não acredito que nossa história vá longe por causa dessa nossa diferença. E tem mais, não sei se vou tolerar a mulherada cair matando em cima dele. Sou muito ciumenta e não admito falta de respeito. Mas Lidi, vamos lá, tudo começou com trocas de olhares, depois SMS, passamos a nos falar pelo MSN e no facebook. Ele disse que gosta muito de mim e que quer ter um relacionamento sério. Nosso romance ainda é virtual e secreto. Nem minha melhor amiga sabe do que está se passando entre nós dois. Não tenho coragem de comentar porque tenho medo dele estar me levando na conversa. Meu Lidi, ele tem se mostrado um querido. Conversamos muito, todos os dias, quase o dia inteiro. Ele me dá bom dia, depois durante o dia, quando estamos com tempo livre, passamos horas conversando no MSN ou no Face ou por SMS. À noite sempre me deseja boa noite. Ai Lidi, durmo como um anjo, de corpo e alma leve como uma pena! Nossa relação não passa de um romance virtual ou por telepatia, como costumo brincar, o máximo que chegamos perto, foi com as trocas de olhares, que por sinal diz tudo. Sabe Lidi, ainda não quero ter uma aproximação. Até tenho medo dessa aproximação. Tenho medo que depois que ele consigo o que quer, que é ficar comigo mais de ‘pertinho’, tudo acabe. Porque vejo muito isso no colégio, depois que os meninos conseguem o que querem, perde o encanto e te trocam rapidinho por outra menina. E eu não quero que aconteça isso comigo também. Por isso prefiro curtir essa paixão de longe, sem toque, sem contato físico. Está tão bom esse amor virtual que tenho medo que acabe. Meu coração acelera, minhas pupilas dilatam toda vez que recebo um sinal, uma mensagem dele. Acho que isso é amor! Queria que realmente, lá do outro lado desses aparelhos (celular, notebook) esse amor fosse recíproco. Queria tanto acreditar que ele sente o mesmo por mim. Nossa, porque é tão difícil ser feliz? Por que, hoje em dia, está tão difícil confiar nas pessoas? Bruna – Centro

Bruna querida, você é uma fofa. Tomará que eu tenha uma filhota tão íntegra como você. Que cabeça boa a sua! Bruna, quero aproveitar essa oportunidade para agradecer todos os e-mails e cartas que tenho recebi de meus fiéis leitores. Gente, muito obrigada pelo carinho! Eu não imaginava que minhas crônicas fossem tão lidas, como a cada dia venho descobrindo novos e fiéis seguidores. Estou muito, mais muito feliz mesmo! O que tenho a dizer é que tudo isso é decorrente de 15 anos de muito trabalho. Gente, vocês não fazem ideia do quanto já me lasquei nessa vida, o quanto fui teimosa em querer seguir essa profissão. Mas valeu o sacrifício, agora chegou a hora da colheita. Amigo leitor, nunca desista de seus objetivos (tanto na vida pessoal, quanto profissional), se é isso mesmo que você quer insista, se qualifique, se prepare, que um dia você também chega lá. E nunca esqueça: o tempo da gente, não é o mesmo tempo de DEUS.
Bruna, agora borá lá, vamos voltar aos seus questionamentos. Querida, gostaria de começar repetindo o que venho ouvindo, há um certo tempo, de um amigo. Olha, tiro o chapéu pra ele, curto ouviu cada palavra que sai de sua boca. É um cara que se dedica ao conhecimento, a estudar, a ler, a saber, a aprender, a ouvir, questionar. Ele não inventou nada, simplesmente tem a sabedoria de quer buscar, buscar, estar em constante aprendizado. Admiro pessoas assim. E como falei, foi dele que ouvi essa frase e concordo plenamente. “Nada fácil excita, desperta o amor, o desejo. É a PERDA que mexe com nossos sentidos. Quando nos sentimos ameaçados pela perda, passamos a querer, a desejar o que não temos.” Concordo em número, gênero e grau. Isso é fato! Você é assim, EU sou assim, todo mundo é isso. Infelizmente o mundo é movido por esse sentimento de posse, de ter. Depois que conquistamos não é mais desejo. Gente, somos estimulados pelo NOVO, pelo que não temos ou não podemos ter. TENHO, logo NÃO FAZ MAIS DIFERENÇA. Quero outro. E isso é em tudo. Até na hora de comer. Estou com vontade de beber um espumante. Bebo, logo, saciei minha vontade. Em seguida, aquilo já não é mais o que desejo. Agora quero provar outra bebida. E isso é pra tudo em nossa vida. Sacaram?
Mas Bruna, vamos lá, menina tu sabe que até hoje penso igualzinho a você. Com essas ‘modernices’ tenho um medão de me envolver com os homens. Fico com os dois pés atrás sempre. Não acredito mais nos CONTOS DA CAROCHINHA. (ssrsrsr) E quando a esmola é demais temos que desconfiar sim.
Mas Bruna, sabe que boto fé nesse menino. Acho que ele está com boas intenções. Acredito que você deveria dar uma chance pra vocês, não é nem só pra ele, PRA VOCÊS. Sabe por quê? Por que você é diferente. Você é diferente das outras meninas. Seus valores são outros. Pelo visto você foi criada sabendo que devemos seguir algumas regras de comportamento. E essas regras, hoje em dia, não estão muito claras. Os pais, principalmente a mãe, que tem essa liberdade, intimidade para falar com a filha, não vêm dando muita importância e atenção a esse papel que cabe a ela tomar frente e impor limite e esclarecer os filhos.
Entenda Bruna, se você fosse igual às outras meninas, daí concordo que ele poderia estar tentando de levar no bico. Ou melhor, já de primeira você teria se entregado pra ele e no dia seguinte ele olharia pra você, apenas como mais uma. As meninas têm que entender que enquanto ELAS não se darem valor, respeito, menino, rapaz, homem nenhum vai levá-la a sério. Vejo que hoje em dia as pessoas estão se atropelando, fazendo tudo errado. Atropelando as fases que deveria iniciar pela paquera, passar pelo namoro e assim sucessivamente até chegar à união matrimonial. Hoje as pessoas mal e porcamente se conhecem e já estão brincando de casinha. Por isso os relacionamentos não duram. Primeiramente é preciso se conhecer, ver se realmente si tem afinidade, amor, respeito, depois disso a conversa começa a ser diferente. Ou tudo acaba no meio do caminho ou esse caminho passa a ser longo.
Por isso Bruna se dê a oportunidade de ser feliz. Se você sente que ele está correspondendo ao seu amor, borá lá menina, vivam essa linda história de amor que está nascendo. Só vá com calma, um passo de cada vez. E só se entregue para ele quando achar que realmente está preparada e é isso que você quer. Não faça nada só pra agradá-lo, tentar segurá-lo, porque cama amiga, não segura homem nenhum. Pense nisso!
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista