3 de outubro de 2026
Erocilda Pereira

03/07/2007

Por Erocilda Pereira

Arte: Sopro de Vida

Certamente meu caro leitor você deve ter percebido o assunto do momento: “aquecimento global”. Alguma vez você já se deu conta que o grande potencial do Brasil em fornecer água potável para o seu povo pode chegar ao fim? Que dentro em breve a Amazônia poderá virar cerrado e o sertão nordestino virar deserto?

Estes são alguns, dentre tantos outros problemas que nós e futuras gerações enfrentaremos por conta do mau uso e a destruição da natureza, destruição esta provocada por nós mesmos. O homem, você, eu, nós..., olha só a coincidência, a viagem de Curitiba a Caçador foi justamente com uma família mato-grossense, que por sinal pessoas muito queridas, me relataram que no inverno, época da seca, as queimadas destroem, devastam a região.

Mas e o objetivo desta coluna que é arte onde está? Quero apresentar-lhes um dos artistas mais engajados no tema da preservação ambiental, Frans Krajcberg. Ele diz, “Antes, era guerra do homem contra o homem; Hoje, é o homem contra a natureza.”.

Visitei recentemente o Espaço Cultural Jardim Botânico, em Curitiba, onde Krajcberg com suas inúmeras esculturas dá um grito de basta à destruição, principalmente com a destruição da Amazônia e do Pantanal Mato-grossense. O espaço é um local de reflexão de proposições de troca de idéias sobre a relação do homem com a natureza, sobre a arte e o meio ambiente. As obras são classificadas pelo artista conforme as características do material encontrado nos cenários de destruição. São troncos de árvores mortas, grande quantidade de cipós trançados, vegetação de mangues, bambus dentre tantos outros. Krajcberg retira da natureza a matéria para suas criações, locais esses devastados pelo homem são troncos de madeira queimados, retirados diretamente destes.

 

Polonês naturalizado brasileiro, o artista engenheiro isola-se na floresta e transforma todo este material em verdadeiras obras de arte. Usa de toda sua criatividade para produzir verdadeiros efeitos visuais a partir de troncos queimados. Para dar um sopro de vida à suas obras e mostrar o belo e não só o lado obscuro, ele utiliza diferentes técnicas com pedras e terra colorida É uma presença impar na arte contemporânea do nosso país, por seu profundo interesse em recriar artisticamente elementos da natureza.

Quero finalizar a coluna de hoje deixando a você meu amigo de final de semana, com uma das tantas frases escritas por este mestre que me inspira: “... o homem depende de uma natureza que desconhece e, no desconhecimento agride. Formar uma nova consciência é essencial para que as gerações futuras existam e vivam plenamente todas as potencialidades do ser humano...”. E há de concordar comigo que esta consciência vem de casa e da escola.


Aline Agusti em visita ao Espaço Cultural Jardim Botânico

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