3 de outubro de 2026
Crônicas

28/06/2012

Por Márcio Roberto Goes

A segunda é melhor que a primeira

Tive a honra e o prazer de, pela segunda vez, participar do Festival Caçanjurê da Canção... E, pela segunda vez, obviamente, não fui classificado para a finalíssima. Perdi com honra, pois o nível de qualidade dos meus oponentes era extremamente bom... Uma organização fantástica e um empenho fenomenal dos meus amigos da Rádio Caçanjurê que, pelo sétimo ano, dão uma oportunidade ímpar aos músicos de Caçador e região mostrarem seus talentos e soltarem a voz...

Na primeira noite, eu estava lá, aguardando minha vez que, por sorte (ou azar), era a última. Me acompanhavam dois alunos que me deixaram orgulhoso e emocionado com suas canções. Cantaram antes de mim e foram receber o último participante na escada do palco com abraços calorosos e votos de boa sorte. Repetiram a atitude do professor que também foi encontrá-los após a apresentação deles com um abraço ao pé da escada... O discípulo sempre carrega características do mestre...

Meus queridos e amados alunos cantores me fizeram sentir orgulho, mais uma vez, pela profissão que um dia abracei. Não os ensinei a cantar, nem a tocar violão, mas lá no palco estava um pouco de mim na décima e décima terceira apresentações. Enquanto cantavam, meu coração “latejava” como na canção do Daniel comoventemente interpretada pelo Douglas, minha mente criava asas com o “pássaro de fogo” da Paula Fernandes, lindamente cantado pela Taiane. Um orgulho para o mestre que vê seus discípulos o superando...

E na minha viagem mental passava pelo cotidiano da nossa escola, a descoberta dos talentos durante as aulas, o desafio de se inscrever para o festival, participar do programa “Talentos da nossa terra”, rever o amigo Luiz Damaceno, gravar as próprias vozes, fazer cinco cópias cifradas da música... Os ensaios com a banda e, finalmente o show... Nenhum de nós foi classificado, mas estávamos lá, no dia seguinte, aplaudindo os dez melhores e prestigiando os talentos musicais, priorizando, é claro, os artistas de nossa terra que, com empenho, humildade, dedicação e superação, deram o melhor de si, passando pelas Evidências, Ave Maria no Sertão, Caçador de corações, Comitiva Esperança, brilhantemente defendida pelo carteiro Camuzzatto e muitas outras canções que abrilhantaram a festa da fogueira e do quentão...

Se dependesse da música para sobreviver, talvez estivesse em pior situação do que ganhando o pão de cada dia lecionando, mas meus alunos foram aconselhados por mim a não desistirem e não deixarem que ninguém os fizesse desanimar na difícil escalada do sucesso...

Depois de tantas alegrias, tive a desonra e o desprazer de, pela primeira vez, assistir a um rodeio Cowtry... Um século de enrolação para esperar o tal locutor famoso que tem no sobrenome artístico, o nome do estado vizinho, aí mais um tempão rasgando seda com a politicagem eleitoreira que gosta de usar números para confundir a mente do povão: É um mostrando aprovação de não sei quantos mil para que o outro aplique não sei no que, não sei quando e não sei onde... E o outro, por sua vez faz um pronunciamento curto e sem segundas intenções para que se cumpra o verdadeiro papel da festa...

Após todas as formalidades, a oração: Chapéu na mão, concentração: pedem a proteção divina para que possam abusar da vida que Deus lhes deu e explorar a vida de outros animais a fim de se fazer o pior espetáculo criado pelas mentes humanas: o show da exploração dos animais por puro divertimento... Eu torci o tempo inteiro pelo touro... Imagine você numa arena cheia de bovinos na plateia esperando que um boi aguente oito segundos em suas costas com você pulando e rebolando... Estranho!... Cruel!!!... Desumano!... Pois é isso que penso do rodeio. Me perdoem os que apreciam esta exploração de vidas chamada de esporte, mas afinal vivemos uma democracia e, como está escrito aí em baixo, este portal não se responsabiliza pelo conteúdo aqui escrito. São palavras minhas, escritas com o coração de um ser humano que não acha certo pensarmos que somos superiores a ponto de usar a vida de outro animal em prol de um divertimento de nossos semelhantes... Sem falar na zoeira o tempo inteiro...

Rodeio: Este foi o primeiro e será o último que assisti por livre iniciativa... Neste caso, a primeira vez que vi um rodeio foi milhares de vezes pior que a segunda vez no festival da canção...

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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