3 de outubro de 2026
Amor & Sexo

11/06/2012

Por Lidiane Cattani

Casamento de Aparência

“Oi Lidi. Gostaria de dizer que a primeira coisa que leio no Jornal Folha da Cidade, nos sábados, é a sua revista, começo pelas crônicas, passo pelas páginas dos animais, confiro o editorial de moda e por aí vai até eu ler e ver a revista todinha. Lidi me identifico praticamente com parte de todas as histórias que publica. Menina, tu é corajosa em expor sua vida. E foi por causa dessa sua coragem que eu tomei coragem de te escrever e expor o meu dilema. Lidiane, sou casada há quase 25 anos, entre namora e casamento, dá quase 30. Meu marido foi meu primeiro tudo. Temos três lindos filhos. Hoje, depois de muitos anos de muito trabalho, conquistamos uma vida estável e apesar de quase uma vida toda de dedicação a meu marido, meus filhos, nossa casa e ao meu trabalho, não me considero uma mulher inteiramente feliz. Vou te confessar, meu marido sempre curtiu muito a vida sozinho, não porque eu não gostasse de acompanhá-lo, mas porque ele sempre teve costume de se reunir apenas com os amigos. E como ele sempre dizia: “O que tu vai fazer no meio dos homens?” Só que eu sempre soube que essas ‘reuniõezinhas’ nunca foram regadas apenas a comida e bebida, em quase todas elas tinha ‘sobremesa’ (mulheres). Eu sempre tolerei as escapadas do meu marido para permanecer casada. Não me via sozinha, não suportava a ideia de receber o título de mulher separada, por isso engolia cobras & lagartos para viver de aparências e, de mais a mais, também não suportava a ideia de uma outra mulher ocupando o meu posto e usufruindo de tudo o que suamos para conquistar, uma vez que ajudei o meu marido a construir o nosso patrimônio. Mas hoje, depois de ler toda semana seus artigos, estou começando a pensar mais em mim. Estou vendo que o tempo está passando, que eu estou envelhecendo e que até hoje tive muitos poucos momentos felizes. Há quase seis meses surgiu uma nova pessoa que está me tirando o chão. Nos conhecemos no meu trabalho, somos apenas amigos, não sei se posso chamá-lo de amigo, pois apenas conversamos lá na empresa. Lidi sinto que ele me vê como mulher, coisa que há muito tempo desconheço meu marido não me trata mal, mas não se preocupa em me agradar, me cortejar, me namorar como antes. Nossa relação é mecânica, sabe, tudo o que fazemos é porque parece que temos obrigação em fazer, não é mais por atração, por desejo. Eu o respeito, mas sei que a vida toda ele me traiu, me desrespeitou. Hoje, como já falei depois de ler tudo o que você vem contando aqui nas suas crônicas, de mulheres que vivem como eu, estou pensando seriamente em recomeçar, voltar a viver, voltar a me sentir mulher. Antes eu pensava muito em me explicar para os outros; me preocupava com o que os outros iriam pensar, dizer; me preocupava muito com o nosso patrimônio; como os nossos filhos iriam encarar tudo isso; até hoje vivi de aparência, mas resolvi que quero ser FELIZ, quero tomar as rédeas da minha vida, até ontem vive inteiramente a vida do meu marido, mas agora vou voltar a estar em primeiro plano. Meus filhos estão praticamente encaminhados, daqui a pouco vão seguir suas vidas e daí chegou a hora de eu pensar em mim, porque meu marido é a última pessoa que está querendo investir alguma ficha em mim, por isso se eu não der esse passo agora, vou continuar me anulando e vivendo a sua sombra e sendo infeliz, envelhecendo e me acabando em amargura. Não sou uma mulher de se jogar fora, estou mais inteira do que muita menininha de 18 anos, não sei se vai rolar alguma coisa com esse homem que estou envolvida, só sei que vou me libertar, vou voltar a viver BEM e FELIZ o tempo que ainda me resta. Como você disse várias vezes por aqui: “A vida é muito curta para ser vivida pela metade”, portanto Lidiane quero viver e ser feliz. Obrigada por abriu minha cabeça, obrigada por me fazer sentir coragem em tomar uma decisão importantíssima em minha vida. Agora vou reaprender a viver com minhas próprias pernas. Felicidades menina! Pode deixar que te mando notícias.” Solange – bairro Reunidas.

Oi gente! Quero começar informando que sempre uso um pseudônimo para identificar os leitores que me escrevem e também mudo parte das descrições, tudo isso para preservar sua imagem, cuidar para que as pessoas não identifiquem de quem é a referida história. Agora vamos lá comentar o dilema da minha leitora que vou chamar de Solange.

Sol estou muito feliz por você. Como é difícil tomar uma decisão como essa. Como é difícil encarar as mudanças. Infelizmente vivemos numa sociedade onde ainda as pessoas vivem de aparência. Outro dia ouvi de uma leitora a seguinte frase: O casamento é uma instituição falida. E eu concordo, em partes, com sua opinião, porque acredito que para que um casamento seja saudável e duradouro, deve existir maturidade de ambos. E essa maturidade só adquirimos com o tempo. Eu acho que as uniões são muito precoces. As pessoas mal se conhecem e já estão brincando de casinha. Acredito que homens e mulheres, antes de fazer os votos do matrimônio, devem viver muitos, conhecer pessoas, lugares, culturas, estudar, fazer amigos, curtir a vida da maneira que acham que devem curtir namorar, namorar, namorar muito. Depois quando achar que já provou, conheceu tudo o que acha que deveria ter conhecido, daí então, está preparado para encontrar uma pessoa para ter uma vida a dois. Nesse momento, tenho certeza, que ambos vão saber encarar com maturidade uma vida de casado, porque ambos estão juntos por livre e espontânea vontade. Quando ambos sabem o que querem a relação é saudável e madura. Nessa hora, não existe egoísmo, não existe traição, existe amor verdadeiro e respeito em primeiro lugar. Acredito que é possível SIM ter uma família, MASSS ambos tem que estar em sintonia. Num relacionamento maduro e saudável ambos sabem que a união deve ser como uma estrada de mão dupla, onde homem e mulher se doam igualmente na relação. E isso só é possível depois que ambos tenham vivido tudo o que quiseram viver e conhecer. Se você ainda sente ‘VONTADES’ de conhecer, então você não está preparado para o matrimônio, por isso não case, não assuma compromisso com ninguém, fique solteiro. Assim, vai agir com maturidade e, o melhor, respeitando as pessoas que te amam, evitando que sofram por atitudes suas que são reprováveis numa união entre duas pessoas. Ninguém merece sofrer, ninguém merece ser desrespeitado, ninguém merece passar por humilhações. Por isso mais uma vez eu digo: Enquanto não viveu tudo o que queria viver na sua solteirice, NÃO CASE, não assuma compromisso com ninguém, só o faço quando se achar preparado para ser único e exclusivo de uma pessoa. Certo?

E tu Sol está certíssima. Antes tarde do que nunca. Acho que a única obrigação que temos com nós mesmos é de ser FELIZ e você está em débito com você menina. Portanto, se não há mais solução, se não tem como resgatar o seu casamento, se LIBERTE. Quanto a seus filhos tenho certeza que eles vão te apoiar, porque eles querem a felicidade dos pais, independente se estiverem juntos ou separados. Conheço ‘n’ histórias, principalmente de mães que usam os filhos para segurar o marido, prender o pai da criança, e quando não conseguem usam o filho para atingir o pai tenta minar a criança para que odeie o pai, para que comprem suas dores, suas frustrações. ISSO é erradíssimo! Não é porque a relação MORREU que os filhos devem pagar pelas frustrações dos pais. Imatura a mãe ou o pai que tenta denegrir com a imagem do ex-cônjuge só porque o deixou ou o traiu. Quando acontece isso a única pessoa prejudicada, atingida é o próprio filho, não pense que estará atingindo a pessoa que te magoou, que te deixou, abandonou ou como queira chamar.

Por isso Sol, siga sua vida sem olhar pra trás. Está na hora de você recomeçar a viver e principalmente ser FELIZ. Pense nisso!

Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista

Lidiane Cattani

Sobre a coluna

Lidiane Cattani

Coluna Amor & Sexo

Depois de conversas e conselhos sobre relacionamentos amorosos à amigas, Lidiane passou a publicar essas histórias e opiniões. Os artigos deram tão certo que já são três anos desse trabalho. A participação do leitor e as pautas sobre o assunto são muitas, o que garante boas histórias. A popularidade da coluna se justifica pelo fato dos leitores se identificarem com as situações e pela forma descontraída como a autora conduz as respostas. A maioria dos artigos são apimentados, o que aguça a curiosidade do leitor.

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