3 de outubro de 2026
Rafael Seidel

15/02/2012

Por Rafael Seidel

Saúde em debate
A saúde esteve em debate hoje, na Câmara Municipal de Caçador. O motivo foram as declarações do vereador Vilso Soares dos Santos na semana passada e publicadas também aqui nesta coluna.

Representantes da classe médica e do Maicé afrontaram o pastor e deram explicações concisas sobre as suas funções, baseados em dados específicos.

Saúde em debate 1
O mais interessante é que entidades e os representantes do povo estava falando a respeito de saúde, em uma sessão comum da Câmara Municipal e nem a secretária municipal da Pasta, Dinamar Gomes e muito menos a gerente Tarciana Munaretto deram as caras.

E não adianta vir dizer que precisava de convite, porque se tratava de uma sessão comum da Câmara e não um evento especial. Na verdade, era especial sim, para elas, que são as representantes da área em Caçador.

Saúde em debate 2
Vou dividir cada uma das partes da sessão, começando pelas novas declarações do pastor. Na semana passada, ele fez graves denúncias a respeito da situação dos atendimentos dos médicos no Maicé. Além disso, chegou a citar que existe uma determinação através do Corpo Clínico, que proíbe que outros profissionais entrem em Caçador.

Nesta terça-feira, ele voltou a tecer as mesmas críticas e citou que o Maicé deveria ficar limitado à constituição, onde cita que qualquer gestor público obedeça aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, porque recebe dinheiro público.

Saúde em debate 3
Rebatendo as informações do pastor, Eduardo Barbosa Lopes, presidente da Associação Médica de Caçador, destacou que o Corpo Clínico atua de forma fechada, com a participação apenas dos médicos integrantes do mesmo, já que os assuntos discutidos não se referem à população, mas sim os problemas da classe médica dentro do Hospital.

Lopes fez questão de esclarecer que o Hospital Maicé é um privado, conveniado com o SUS e que não possui médicos contratados, já que estes profissionais são prestadores de serviços especializados.  Além disso, destacou que todos estes profissionais são cidadãos comuns como qualquer outro, que merecem respeito e a sapiência de reconhecer que o problema da saúde pública é de todos, não apenas deles.

“Como vereador preocupadíssimo, gostaria de saber quantas vezes o senhor fez projetos para enviar ao governo federal e trazer benefícios aos usuários do SUS, quantas vezes o senhor foi conversar com a direção do Hospital para perguntar o que poderia fazer para melhorar o atendimento (...)”, indagou, referindo-se a Vilso.

Por fim, destacou não estar ali para defender a classe médica, já que esta não necessita de defesa, “pois aqueles que realmente entendem, sabem que a classe faz aquilo que é possível fazer dentro dos meios que nos são fornecidos, pois não podemos fazer milagres, visto que somos homens e não Deus”.

“A Associação pretende entrar com processo de danos morais por calúnia e difamação contra o vereador”, disse.

Saúde em debate 4
O médico ameaçou processar o vereador mais uma vez diante da acusação de que foram usados mais de R$ 900 mil na compra de equipamentos que estão sendo utilizados pelo hospital. “Diga quais são esses equipamentos? Vamos, fale!”, disparou Lopes.

Diante da negativa do pastor de responder, o médico afirmou: “Quer levar mais um processo?”.

Saúde em debate 5
No entanto, o vereador Carlos Evandro Luz fez menção à Constituição Federal, no seu artigo 53, destacando a imunidade aos parlamentares no exercício das suas atribuições, cuja imunidade também é estendida constitucionalmente aos vereadores, quando no exercício da sua atribuição e no âmbito da sua circunscrição, seja pelas suas manifestações, palavras e votos, em tudo o que se diga respeito, afirmando, questionando ou levantando fatos, o vereador está imune de qualquer responsabilidade final desde que o faça e ceda às pessoas o direito da ampla defesa e do contraditório.

“E é exatamente isso que esta Casa está fazendo, oportunizando para que cada entidade citada pudesse estar aqui hoje e expor suas versões, como assim os fizeram”, ressaltou.

Saúde em debate 6
Já o médico Cláudio Araldi, citado por Soares em um possível caso de negligência médica no Natal de 2011, ressaltou que os fatos não ocorreram desta forma. Ele explica que a vítima, acidentada em uma queda de moto, havia sido atendida dois ou três dias antes do Natal, pelo plantão do Hospital e orientada a voltar no dia seguinte para a continuidade do atendimento pela Ortopedia. “No dia seguinte eu examinei e agendei o procedimento cirúrgico para o outro dia, pois ao contrário do que foi dito, queria operá-la logo, pois estava com viagem marcada”, disse.

Entretanto, segundo o médico, a paciente optou por consultar com um outro especialista na área e pagar pela consulta.

Saúde em debate 7
O assessor jurídico do Maicé, Gilson Kollross, afirmou, entre outras coisas, que Vilso Soares estava muito desinformado e poderia ter feito como o vereador Rubiano, que foi até o hospital para buscar entender o que poderia ser feito para melhorar a saúde.

O advogado salientou ainda a parceria com o vereador Carlos Evandro Luz, que também procura informações, para não chegar na Câmara e falar algo que desconhece.

Saúde em debate 8
Para Marcos Creminácio, a situação da saúde é caótica em todo o país e é preciso mudanças urgentes para que haja um atendimento de qualidade para a comunidade.

Foi ele que sugeriu a realização de uma audiência pública para a discussão da situação da saúde em Caçador.

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Nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, este colunista não vai postar nada aqui neste espaço. O motivo: é meu aniversário. Até quinta!

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