A vida não gira SÓ em torno da internet
“Bom dia Lidi. Amiga, fiz mais de 700 km até Caçador para viver com um rapaz que conheci pela internet. Estávamos namorando virtualmente há seis meses. Nos falávamos todos os dias, quase que 24 horas por dia. Tenho 27 anos e estou sem trabalho faz quase um ano. Ele, 34 anos, trabalha em uma empresa da cidade e o turno dele encerra às duas da tarde. Nos apaixonamos! Sabe aquela coisa doida, era amorzinho pra cá, amorzinho pra lá. Fazíamos juras de amor. Demonstrávamos muito desejo um pelo outro. Não víamos a hora de estarmos juntos. Decidi. Vou embora para Caçador viver esse grande amor. Malas prontas. Embarco para meu destino. Sem celular, sem PC e pouquíssimo dinheiro no bolso. Meus planos era chegar na cidade e começar a trabalhar. A cidade se aproximava e meu coração começou a acelerar, minhas pernas começaram a tremer. Afinal, daqui a poucos quilômetros, daqui a poucos minutos estarei de frente com o meu namorado que, antes era virtual e, agora passará a ser real. O ônibus encostou e ele estava lá. Desci com um sorriso largo no rosto. E ele? Apenas me cumprimentou com um singelo beijinho no rosto. Brochei. Eu estava cheinha de amor pra dar. Tinha até chupado um halls para ficar com o hálito agradável. Pensei que ao me ver correria na minha direção, me pegaria nos braços e me tascaria um beijo cinematográfico. Mas, infelizmente, não foi nada disso que aconteceu. Simplesmente pegou minha mala e me levou para casa. Iríamos morar com a mãe dele. Chegando na casa e uma “bela” recepção me esperava. Sabe qual a primeira frase dele? Antônia, chego em casa às duas e pouquinho da tarde, minha mãe deixava sempre comida pronta para eu comer na hora que chego mas, agora que você vai estar em casa tu faz comida fresca pra mim. Nossa, pela recepção que tive na rodoviária e agora na casa, confirmei que realmente não vim aqui para encontrar meu príncipe encantado, mais sim para ser uma empregada doméstica. Amiga isso foi só o começo, minutos depois ao invés de me cortejar, me acarinhar, me jogar na parede e me chamar de lagartixa, afinal, a um dia atrás fazíamos juras de amor, estávamos doidas para ir as vias de fato. Achei que iria perguntar como foi a viagem, saber mais de mim, essas coisas normais de quem acaba de se conhecer frente a frente. Mas não, me deixou assistindo TV e foi adivinha pra onde? Para frente do computador. E por lá passou o resto do dia teclando como um doido. Na hora de dormir se eu não o intimasse, dormiríamos um do lado do outro e ele nem se quer me daria um beijo de boa noite. Eu cá com meus botões pensei: o que estou fazendo aqui? Aonde eu vim me meter? Fiz mais de 700 km pra isso? Mas enfim, vamos lá, agora que estou aqui vou ter que encarar. Os dias foram passando e nada mudou, com exceção de que, pelo menos, o rapaz era bom de cama. Mas conversa mesmo, somente com minha sogra, com ele? Só se eu tivesse outro PC, daí sim poderia conversar com ele. A vida dele se resumia em sair para trabalhar, voltar para casa e se enfiar na frente daquela “merda”. Até comia na frente do computador. Dormir? Muito pouco. O único tempo dedicado a mim era quando queria ‘trocar o óleo’. Por aí você pode analisar quanto tempo apenas ele passava comigo. O pior de tudo isso é que eu não estava conseguindo nenhuma colocação no mercado. As semanas foram passando e comecei a ficar agoniada. Queria sair dali, não estava mais suportando aquela situação. A única coisa que me prendia naquela casa era o sexo, porque o cara era bom e porque achava ele um rapaz interessante fisicamente, mas só isso. Não tinha nada mais para me oferecer. Passou um mês e não consegui emprego. E lá estava eu, sem PC, sem celular, sem grana. Liguei para meus pais mandar dinheiro para eu voltar. Voltei para a minha terra segura de que, namoro pela internet nunca mais. Sabe Lidi, qual era o meu refúgio aqui em Caçador? Era um cãozinho que eles tinham atrás de casa e que também não davam à mínima. E outro, quando eu podia mexer no PC dele, era ler suas crônicas, por isso, antes de embarcar para São Paulo quis escrever para você e dividir a minha história. Espero que com ela possa abrir a cabeça das pessoas que estão querendo seguir o mesmo caminho que eu segui. Lidi, gostaria que opinasse sobre esse assunto.” Antônia – bairro dos Municípios
Amiga, que furada! Tu é doida. Como é que se mete numa fria desse tamanho? Menina, tu não é mais nenhuma jovenzinha. E seu pais, aonde estavam com a cabeça que te deixaram embarcam nessa aventura? Ainda mais sem grana. Conheço várias histórias semelhantes a sua. Coitados dos seus pais, como eles, tem ‘n’ pais na mesma situação. Sabem que os filhos vão quebrar a cara mas, não tem o poder de impedir algumas burradas que estão na cara, mas que os filhos não querem enxergar. Se obrigam a deixá-los livres, para depois ir atrás juntar os cacos, infelizmente. A única fórmula encontrada pelos pais para proteger os filhos é a oração, é colocar nas mãos de Deus e que seja como Ele quiser.

Antônia, outro dia na missa o Padre estava falando do tempo. Como estamos administrando o nosso tempo. Hoje as tecnologias estão aí, a cada dia, aparelhos mais modernos são criados para reduzir o tempo despedindo para realizar qualquer atividade. Mas e o tempo livre está sendo usado aonde? No lazer com a família? Infelizmente não. Hoje o que menos se vê é pais e filhos curtindo em família. Voltamos à era do cinema mudo. Lembra dos filmes do Charles Chaplin? Pois é, as casas, as empresas estão repletas de cena de cinema mudo. Não se ouve mais as vozes das pessoas. O que vemos hoje são pessoas dividindo o mesmo espaço e se comunicando através de máquinas. Isso é bom? Ruim? Depende do ponto de vista de quem vê.
E eu, particularmente, vejo os lares se destruindo por causa da internet. Não que a internet não seja boa. É sim, mas se usada com bom senso e responsabilidade. Se a pessoa não tem cabeça, se perde rapidinho com as várias ferramentas oferecidas pela rede mundial de comunicações.
Vou listar algumas situações e quero ver se você concorda comigo (Claro que não dá para generalizar mas, em muitos lares, acontece realmente tudo isso e mais um pouco):
1 – Hoje vejo relacionamentos sendo destruídas por causa da internet. Homens, mulheres, de todas as idades, vidrados nas redes sociais. Hoje os relacionamentos são múltiplos, tanto virtuais, quanto reais. A traição é geral, mesmo que virtual;
2 – Conheço casos de senhoras da terceira idade, é isso mesmo, vovós se despindo na frente de uma webcam para satisfazer um bacana lado outro lado e, claro, também se satisfazer;
3 – Vejo gente, de todas as idades, se masturbando em frente de uma webcam. Aonde vamos parar? Será que as pessoas não se tocam que essas imagens podem cair na rede?
4 – E os sites pornográficos? Quando eu era casada peguei várias vezes meu ex-marido, de madrugada, “vesgo” em frente do computador. Quantas pessoas, neste exato momento, estão se satisfazendo olhando essas imagens, essas cenas?
5 – E aqueles viciados em jogos. Aonde vão parar? Quem vai controlá-los? Conheço a história do filho de uma amiga que saia junto com ela para ir à aula, só que ao invés de ir para escola, dava a volta no quarteirão e retornava para casa jogar no computador. Depois de alguns meses que o garoto não aparecia na escola a mãe foi descobrir que o filho estava viciado num jogo da internet. A solução? Internação.
6 – Vejo pais jogando os filhos na frente de um computador achando que embaixo de seus olhos estão seguros, porque estão dentro de casa. Deixam seus filhos trancados em seus quartos isolados do convívio social. Sei que estão em contado com o mundo tudo, mas, isso não é saudável, ainda mais quando se perde o controle, o limite. Muitos pais acham um alívio ter os filhos mudos em frente à tela de um computador. Assim, aparentemente, não “incomodam”. Mas, conheço o filho de uma outra amiga que, literalmente, pirou o cabeção, porque ficava dioturnamente em frente de um computador, isolado do mundo, sem amigos, sem se relacionar com meninas. Gente, por mais que você tenha milhões de amigos virtuais, esses não substituem a presença física de um ombro amigo, de uma namorada (o). Não tem amigo ou namorado virtual que arranque do peito a solidão, a tristeza, a infelicidade. Não que um amigo real vá conseguir essa façanha, pode não conseguir, mas, pelo menos, existe calor humano, o que faz toda a diferença.
Por isso eu teimo em dizer: Gente é preciso sair, ver gente. Olhar na cara das pessoas, ouvir o burburinho de muito gente falando ao mesmo tempo. Cada um querendo ser ouvido, chamar atenção para si. Me digam: tem coisa melhor do que uma roda de amigos, uma bebidinha, passar horas jogando conversa fora, paquerando, vendo as pessoas passar, vendo a VIDA passar? Tem coisa melhor do que sentir a emoção, ver a expressão, a reação na cara das pessoas? Ou é melhor a frieza de uma máquina? Será que a máquina vai substituir os relacionamentos reais?
Amigos, eu lhes pergunto: Aonde vamos chegar? Qual é o limite? Ou melhor, não existe mais limites.
Gente, na sala de aula mesmo, há um tempo não muito distante, os alunos tinham apenas um provedor, que era o professor. Hoje, somos minados de informações por todos os lados. Mas, apesar de toda essa evolução tecnológica, vemos o ser humano, cada vez mais regredindo como pessoa. Os valores, os princípios, o TEMPO estão se perdendo.
De que adianta tanta informação, se a cada dia vemos nos noticiários, violência contra professores dentro da sala de aula; violência nas ruas envolvendo jovens acadêmicos que deveriam estar dando exemplo de educação moral e cívica. Isso tudo é uma vergonha! Será que estamos “emburrecendo”?
Mulheres, eu sei que está difícil encontrar um companheiro, mas não é por isso que temos que aceitar qualquer investida. Hoje, vejo que bastou um homem mostrar interesse em uma dessas redes sociais, que a mulher na mesma hora, já dá abertura para uma aproximação, na ânsia de encontrar seu príncipe encantado. E, 99% das vezes, quebram a cara, porque normalmente é um aproveitador barato que apenas está querendo levá-la para cama. Fujam amigas! Se relacionamento com homens REAIS (de carne e osso) está difícil, então imagina com esses virtuais que caiam da rede de pára-quedas. Pense nisso Antônia!
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista