Não inverta as fases
“Querida Lidiane, acompanho seu trabalho sempre que posso. Minha situação é a seguinte: sou natural daí de Caçador, mas há alguns anos tento a vida em outra cidade, sempre sozinho, solitário. Vivi muito bem assim, claro que sempre tive meus relacionamentos, mas nunca me envolvi muito. Quando me envolvia sempre deixava claro minhas intenções e pronto, isso me deu belos anos de pouco dinheiro, muito conhecimento e muitos planos. Há seis meses conheci uma mulher, nos envolvemos rápido, em menos de um mês fomos morar juntos. Tudo correu bem até uns 60 dias, daí tudo que havíamos combinado começou a não acontecer mais e, do nada, ela entrou em depressão. Já tentou se matar duas vezes, me agride, às vezes, fisicamente e me tortura psicologicamente todo dia. Já tomei uma decisão. Vejo que devo deixá-la, pois mulher nenhuma vale isso. Eu sou do tipo que é na saúde e na doença, mas não nessa situação. Ela foi casada e saiu de um casamento frustrado. Quando me conheceu se sentiu segura e agora quer descontar em mim. Saio com ela todos os dias, a levo sempre comer fora, porque ela não gosta de cozinhar. Ela só se importa em limpar a casa, quer tudo limpo e organizado. Não posso nem encostar nela, chegamos a ficar até uma semana sem sexo, quando eu a procuro se revolta e da as tais crises depressivas (choro, me agride, grita, quer se matar). Assim Lidi, eu sei agradar uma mulher, não deixo cair na rotina, surpreendo-a todo dia com alguma coisa boa e o mais importante, nunca a trai, ainda. Eu faço as coisas certas para Deus ver e não para os outros. Sou cristão e sigo o exemplo de Cristo, ou pelo menos, tento. Minha pergunta é a seguinte: como saio dessa agora?????? Estou sofrendo muito, me sinto um cão vira-lata que ganhou um lar mas não pode sair na rua.” Gustavo – bairro Reunidas
Querido Gustavo, o que veja na relação de vocês e na relação dos casais de hoje é que, infelizmente, inverteram as fases. O maior erro das relações “modernas” é que as pessoas mal se conhecem e já vão viver juntas. Eu já tive essa experiência. Meu “casamento” até durou bastante, sete anos. Deu certo? Sim. Não. Ficamos um tempo, relativamente, longo juntos, mas acabou, pela incompatibilidade de interesses. Não foi um relacionamento saudável, nos relacionamos por impulso, por uma paixão, momentaneamente, avassaladora. Depois ficamos juntos por comodismo, mesmo não estando 100% felizes.
Amigo, não sou a voz da sabedoria, mas hoje em dia defendo piamente de que, pelo menos, nos relacionamentos, devemos voltar no tempo, e seguir a ordem dos relacionamentos à moda antiga, onde os casais de conheciam, namoravam, noivavam, para daí então, casar. Sim pessoal, é preciso conhecer a outra pessoa, para ver se realmente tem afinidades, se as qualidades se sobressaem aos defeitos. É isso mesmo, porque ninguém apresenta somente virtudes. Se os defeitos forem toleráveis e o amor nascer, sim porque se for apenas paixonite, em pouco tempo esse fogo apaga e a relação se vai entre os dedos, mas se o amor prevalecer, então, a probabilidade deste relacionamento dar certo e ser duradouro é grande, caso contrário morre nos primeiros meses de vida.

Por isso querido Gustavo, agora, NO SEU CASO, como já entrou num barco furado, o recurso é tentarmos consertar esse erro. E o que vejo é que sua mulher precisa urgentemente de atendimento profissional. Agende hoje mesmo uma consulta com um psicólogo. Esse comportamento não é normal.
Não sei qual o sentimento que une vocês dois. Mas se, nestes seis meses, o amor nasceu. Se você ama essa mulher e quer tentar dar mais uma chance para a relação de vocês, acredito que um tratamento psicológico vai por ela no prumo. E vocês vão poder retomar o ‘casamento’ e a felicidade que existia no começa da relação. Mas amigo, se você realmente cansou e está a fim de sair fora, então, está provado que não erra amor e o que sentiam um pelo outro era sim paixão.
Eu sei que é insuportável viver com uma pessoa com o comportamento que sua mulher está tendo, mas como já falei seu comportamento não é normal. Ela mesma já devia ter ido buscar ajuda profissional, para não deixar a relação de vocês chegar ao ponto que chegou.
Por isso amigo, pense bem em tudo que está acontecendo na sua vida. E Gustavo, eu no seu lugar, antes de me separar, tentaria ajudá-la, porque queira ou não, vocês construíram uma história juntos, curta, mas construíram. Dê uma força neste momento. Espere ela se recuperar. E depois, se ver que realmente o casamento não tem mais salvação, cada um segue o seu rumo. MAS, amigo, se a separação acontecer, depois dessa experiência, nunca mais inverta as fases. Pense nisso!
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista