3 de outubro de 2026
Crônicas

09/12/2011

Por Márcio Roberto Goes

Os terceirões da minha vida
Parte III – Meu querido Wandão

 Não poderia terminar esta sequência sem escrever sobre a escola que me abraçou como efetivo há cinco anos, além de trabalhar lá como ACT (admitido em caráter temporário), desde 2002, antes mesmo te ter uma sede própria e se transformar no Abacatão mais querido do Martello...

Lá, na escola Wanda Krieger Gomes, tenho vivido grandes experiências que só fazem crescer cada vez mais meu amor pela educação pública que tem muito mais calor humano, existe luta coletiva por melhores condições, o que torna a equipe unida, seja ela composta de alunos, professores, ou ambos. Encontram-se lá,  pessoas que respeitam o professor, inicialmente como ser humano e, principalmente como amigo... Amigos se amam, com um amor tão fraterno que chega a ser partilha de vida... Vidas que, apesar das diferenças, se unem em favor de uma educação de qualidade que favoreça realmente o povão e os profissionais envolvidos, ao invés de engordar o bolso daqueles que foram eleitos para trabalhar em favor da população e não o fazem...

Foi no Wandão que encontrei uma turma de segundo ano de ensino médio capaz de produzir um torneio, angariar fundos, alugar uma sede campestre, envolver famílias, professores, direção e os próprios alunos, organizar um almoço com o dinheiro arrecadado no torneio, comprar salgadinhos e bolo... Tudo isso só para homenagear um professor aniversariante, tentando reanimá-lo a fim de continuar sua missão mais sublime que é simplesmente ser professor... Conseguiram! Este que vos escreve teve uma injeção de ânimo ao ser homenageado de surpresa num evento que parecia ser uma comemoração de final de ano letivo... Mas tinha algo mais: o amor pela educação pública também presente em meu coração passional...

Nesta escola querida, já tive vários terceirões. Fiz amizades que até hoje permanecem vivas e atuantes, encontro ex-alunos e não me furto o direito de “jogar uma conversa fora”. Isso me faz revigorar as forças e a esperança de dias melhores para nossa educação pública. Ver meus alunos crescendo e atuando na sociedade é suficiente para alimentar a alegria de ser professor...

Este ano, tenho orgulho de trabalhar com três turmas de formandos em ensino médio, uma matutina e duas noturnas... Minhas manhãs são abrilhantadas por uma galerinha pró-ativa que quebra a inércia da escola: Tem as meninas do fundão, sempre solícitas, a piazada que gosta de fazer tudo, principalmente quando não tem relação com a matéria. À frente, minhas porcelanas, entre elas, a futura juíza que fez bonito no júri simulado... Enfim, uma turma que jamais poderia passar desapercebida mesmo aos olhos e corações mais distraídos...

Minhas noites são melhores graças ao convívio com os alunos, sobretudo dos terceiros anos que nos empurram para a juventude novamente sem pedir licença... Lá  tem um povo que gosta de lutar pelos seus direitos, o que nos torna cúmplices nas lutas estudantis, pois onde estiver nosso aluno, lá estará um pouco de nós também. Numa das turmas, encontra-se a maior concentração de meninas por metro quadrado da escola: um representante do sexo masculino e mais de vinte do sexo feminino, fato que transforma a sala na mais dinâmica, característica marcante nas mulheres...

Enfim, trabalhar no Wandão chega a ser uma filosofia de vida, a cada dia aprendo coisas novas no melhor lugar para se conhecer pessoas: A sala de aula... E quando se trata de terceiro ano de ensino médio, o aprendizado é ainda maior, pois lá estão aqueles que têm maior bagagem de conhecimento e experiência entre os alunos da educação básica, o que nos torna seres humanos ainda mais iguais, podendo nos relacionar de forma igualitária e verdadeira sem receio de que as diferenças de idade e conhecimento nos tornem estranhos... Sou grato aos terceirões do Wandão por me fazerem uma pessoa melhor a cada ano...

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

Márcio Roberto Goes

Sobre a coluna

Márcio Roberto Goes

Coluna Crônicas

Professor de Língua Portuguesa, língua Espanhola e suas respectivas literaturas, efetivo na rede estadual de ensino de Santa Catarina, graduado em Letras pela Unc, antigo campus de Caçador e especialista em análise e produção textual pela FAVEST. Escritor, palestrante, diretor artístico e locutor da Web rádio Ativa Caçador. Membro da Academia Caçadorense de Letras e Artes.

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