3 de outubro de 2026
Rafael Seidel

10/07/2012

Por Rafael Seidel

A desistência
Como esta coluna havia adiantado em primeira mão, o vereador Marcos Creminácio não é mais candidato à reeleição no pleito deste ano. Na sessão desta segunda-feira, 9, da Câmara Municipal, ele expôs os motivos. Em um discurso muito explicativo e mostrando certa mágoa, o petista, único do partido a conquistar dois mandatos como vereador e professor do Estado concursado, apresentou razões lógicas, principalmente dentro do partido, para tomar tal decisão

A desistência 1
Antes de usar a tribuna, o vereador Rubiano Schmitz (PP) fez questão de lamentar a informação de que Marcos não seria mais candidato. “Da mesma forma, como recebi a solidariedade do vereador quando tomei a decisão de não ser mais candidato, agora afirmo que o Poder Legislativo vai perder muito com a sua ausência. Na seriedade que sempre teve na análise dos projetos e, acima de tudo, na bandeira do PT que defendeu de uma forma intensa, não sei se terá um substituto à altura”, disse, afirmando que “espero muito em breve vê-lo novamente no cenário político local ou quem sabe no estadual”.

A desistência 2
Creminácio começou seu discurso em tom de despedida. Agradecendo a todos os funcionários, ele salientou que poucas vezes fez uso da tribuna nos 7 anos e 7 meses de mandato.

“Com relação aos meus pares, acredito que cabe esta explicação, principalmente porque nunca tivemos críticas pessoais nesta casa, mas sempre ideológicas”, destacou.

A desistência 3
Citando a eleição indireta, onde Imar Rocha (PMDB) foi eleito, Creminácio fez questão de agradecer novamente Darci Ribeiro e Wilson Binotto, na época do DEM, que apoiaram o projeto. “Votamos no Imar, que é uma pessoa que tem a minha admiração e o meu respeito e até o dia 31 de dezembro ele será o meu prefeito”, disse.

A desistência 4
O vereador do PT citou ainda que ajudou na construção do partido. “Fui candidato pela primeira vez em 2000, quando fiz 344 votos. Na época, fiquei como suplente de Ricardo Pelegrinello, o primeiro vereador do PT eleito em Caçador, mas conseguimos uma votação muito expressiva com o candidato Eduardo Goes. Perdemos para uma ampla chapa encabeçada pelo então peemedebista Onélio Menta”, lembrou Creminácio.

“Já em 2004 fui eleito pela primeira vez e fomos para a campanha do companheiro Assis Pereira e, mais uma vez, quase nos elegemos. Quero apenas lembrar que fui eu que escolhi o Assis nas prévias, disputadas contra Pelegrinello. Afirmo aqui que só não ganhamos aquele pleito porque uma ala do PT, os sindicalistas, não quiseram”, disparou Creminácio.

O vereador fez questão de salientar ainda que foi o mais votado da coligação naquele ano, tenho Pica Pau em segundo lugar, uma pessoa a qual afirmou ter muita admiração e respeito.

“Já em 2008, tivemos um retrocesso na campanha, quando o Ricardo Pelegrinello teimou e quis ir para as ruas, saindo de mais de 13 mil votos para 1700. Só quero salientar que neste ano, nem eu e nem meu grupo estava na coordenação da campanha, o que aconteceu nos outros dois pleitos, que tivemos uma votação expressiva”, completou o vereador.

A desistência 5
Além disso, Creminácio citou um por um dos atuais vereadores, destacando amizade e embates salutares dentro da Câmara Municipal.

A desistência 6
Partindo para os fatos que levaram a desistir de ser candidato a vereador, Creminácio fez questão de salientar que “o povo tem pressa e não pode ficar esperando a outra vida”.

Se referindo aos sindicalistas, ele disparou: “Alguns que estão bem acomodados há 30 anos em alguns sindicatos não têm pressa, pois estão usando os carros da entidade, a estrutura da entidade e não precisam se preocupar com o povo”.

A desistência 7
“Não sou candidato porque, em uma eleição indireta, elegemos uma pessoa que era a nossa indicada para fazer certas coisas na Prefeitura, levar a bandeira do PT e chegamos a avisar que se nosso projeto falhasse, o custo seria muito alto, tanto para nós quanto para a população. Entretanto, esta semana, tomei minha decisão definitiva onde a caça às bruxas, por parte desta pessoa passou dos limites e fez com que o prefeito Imar Rocha não tivesse mais alternativa e tivesse que exonerar uma pessoa, da nossa extrema confiança e histórico do partido”, revelou Creminácio.

“O Imar sempre nos respeitou e a vice-prefeita não respeitou nem mais o PT e nem o vereador eleito nesta casa”, acrescentou.

A desistência 8
Citando ainda mais um fato que, segundo Creminácio praticamente inviabilizaria a sua ida às ruas pedir votos para a petista Luciane Pereira, o vereador salientou: “Sou professor do Estado e quem acompanha a nossa luta sabe que temos bandeiras clássicas e uma delas sempre foi o plano de carreira da educação. Enchemos o saco do ex-prefeito Saulo Sperotto, enchemos o saco do atual prefeito Imar Rocha, mas a nossa vice, do PT, ficou sentada em cima deste Plano durante todo o tempo que ficou lá”, acrescentou.

“Eu tenho um pouco de brio e da ética na política, mas os professores me cobram porque a vice-prefeita e então secretária de educação é do nosso partido, mas não tenho como fazer diferente, porque não fui eu que coloquei ela lá, foi o PT. Estou sacrificando um mandato para manter um pouco do meu brio e para poder olhar nos olhos dos professores com a cabeça erguida”, garantiu Creminácio.

A desistência 9
Sobre um candidato do PMDB dentro do Irmão Leo, seu principal reduto eleitoral, Creminácio fez questão de salientar que “a própria Secretaria de Desenvolvimento Regional o exonerou quando era diretor e isso não me diz respeito”.

A desistência 10
Quanto a Moacir de Oliveira, que foi exonerado depois de vários pedidos da petista Luciane Pereira, Creminácio desabafou: “Imagina o que ela vai fazer com os outros companheiros do PT por quatro anos se ganhar a eleição. Não vai sobrar um. Imagina o que ela vai fazer se ficar mais 4 anos na educação, se, enquanto esteve lá não mandou o plano de cargos e salários e nem ao menos exigiu do prefeito Imar o pagamento do piso da categoria”.

“Depois de tudo isso quero afirmar que não tenho como ir para a rua pedir voto para essa mulher (Luciane Pereira) que está filiada ao PT, mas não é do PT, não é trabalhadora, não é socialista, principalmente porque faz uma caça aos filiados”, completou o vereador.

A desistência 11
Depois das suas revelações e declarações, Creminácio fez questão de destacar que quer poder olhar com caráter para o rosto dos professores e das merendeiras, que tiveram a insalubridade cortada e podem ser exoneradas se houver terceirização.

“Mesmo que eu seja cassado depois disso, quero apenas afirmar que prefiro ser infiel ao meu partido, mas ser fiel ao povo que me elegeu”, argumentou.

“Alguém que senta em duas cadeiras e não deixa mais nenhum companheiro chegar perto não merece o nosso voto. Isso deve ser um alerta também aos companheiros da educação, para que prestem atenção e entendam que ela vai ficar na Secretaria por 4 anos, não mandando o plano de carreira da educação e perseguindo merendeira”.

A desistência 12
O vereador finalizou afirmando que o que ele disse não foi um desabafo mas sim, uma posição política. “Quero concluir com um item que muito me entristece, o de que muitos deputados do PT, que pegaram votos aqui em Caçador através dos sindicalistas, votaram contra a PEC dos Bombeiros. Estes não merecem mais o voto dos caçadorenses”, disse.

“Como dizia Fidel: Hoje, estou sendo condenado e serei condenado, mas a história e o povo, creio que me absolverão e, se não o fizerem, estou tranquilo”, finalizou, desejando boa sorte ao candidato Beto Comazzetto (PMDB) mas não à sua vice, Luciane Pereira.

Ironia?
Petista e sindicalista Vilmar Zollner, que está quase eternizado em uma entidade como presidente, passou o tempo inteiro ironizando as palavras do vereador Creminácio.

Quem entende do assunto afirma que esta é a mesma ironia com que a classe sindicalista do PT trata o povo caçadorense.

Ironia 1
Aliás, o mesmo Zollner é contrário aos empresários lojistas e, vez ou outra, passa nas lojas distribuindo panfletos afirmando para não crucificar os comerciários. Exemplo de pessoa que não pensa no desenvolvimento do município e se coloca, há anos, contra a classe produtora, que gera emprego.

Rafael Seidel

Sobre a coluna

Rafael Seidel

Coluna Rafael Seidel

Mais colunas