Nesta quinta-feira, 07 de junho, celebraremos a Solenidade de Corpus Christi. O que significa para nós tal celebração? É o próprio desenrolar do rito celebrado que nos responde a essa pergunta: Santa Missa, procissão Eucarística e Adoração. Estes três momentos constituem a celebração de Corpus Christi. Poderíamos dizer que num primeiro momento nos reunimos em torno do altar do Senhor; depois caminhamos com o Senhor, e por último caímos de joelhos diante dele em silenciosa adoração.
Meditemos sobre estes três momentos:
Em primeiro lugar nos dirigimos àquele que é o único altar de nossa cidade no dia de Corpus Christi. Diante do altar do Senhor nos encontramos com ele, permanecemos ali em sua presença. Ouvimos sua palavra de modo que ele mesmo nos fala e nos ouve. Neste altar o próprio Jesus se dá a nós num cálice bendito e num pão partido e abençoado. Esse momento diante do altar era chamado na Igreja antiga de “statio”, que quer dizer “parada”. Nesta parada tão necessária em nosso caminho de peregrinos, não escolhemos o que fazer ou com quem nos encontramos. Nos colocamos ali um ao lado do outro, vindos de tantos lugares e não celebramos aquilo que queremos, mas aquilo que o Senhor nos pede: “Fazei isto em memória de mim!”(Lc 22). O Corpus Christi nos ensina que ser cristão é estar na presença do Senhor e ser com ele e com os irmãos uma só coisa. Somos chamados a ser com o corpo de Cristo um só corpo. Somos chamados a ser o corpo dele no mundo!
No segundo momento formamos uma única e solene procissão de caminhantes com o Senhor. Não ficamos ali paralisados diante de Jesus eucarístico: ele nos faz levantar e caminhar, dar um passo adiante, nos coloca no caminho alimentados por ele. É tradição antiqüíssima da Igreja ornamentar com tapetes festivos o caminho por onde passará o Santíssimo Sacramento. Entre beleza e arte a Igreja quer preparar um caminho para que Deus possa andar nesse mundo. Mas esse cuidado vai além da arte, devemos preparar um caminho belo não somente esteticamente: que os caminhos que o senhor vai trilhar em nossa cidade sejam também caminhos de justiça, fraternidade, caminhos do bem e da não-violência. Assim os tapetes artísticos adquirem seu pleno sentido, quando colocamos para fora em forma de arte aquela beleza do bem que trazemos em nosso interior. Por isso estejamos atentos, para que durante essa semana não deixemos de fazer parte do gesto concreto de Corpus Christi promovido em todas as paróquias da cidade de Caçador.
No terceiro momento da celebração nos ajoelhamos em adoração diante do Senhor. Ajoelhar-se diante da Eucaristia é a proclamação de nossa liberdade, contra todas as idolatrias. Na adoração prolongamos a celebração da Eucaristia e a presença do Senhor em nosso corpo através da Comunhão. Adoramos este alimento sagrado pelo qual nosso corpo e nossa alma se nutrem de amor, de verdade, de paz, de esperança, porque, como disse o papa Bento XVI, “aquele diante de quem nos ajoelhamos não nos julga, não nos fere, mas nos liberta e nos transforma.”
Reunir-se diante do Senhor, caminhar com Ele e adorá-lo. Possa a liturgia de Corpus Christi através deste percurso orante, nos ajudar a vivenciar verdadeiramente a presença de Cristo entre nós, e ainda mais, aumente em nós a consciência de que no mundo, onde quer que estejamos, nós somos a corporalidade do Senhor que quer viver em nós, falar em nós. Que o corpo de Cristo que tantas vezes recebemos nas celebrações transforme-nos nEle. Assim seja.
Diácono Everaldo Antonio
Chanceler da Diocese de Caçador
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