Por: Alisson Luiz Agusti
Hoje, ao acordar, uma sensação muito agradável me tomou conta. Eram seis da matina, e muito me surpreendi. Fiquei a prestar atenção na quantidade e na variedade de cantarolares de pássaros que me atingiam o pavilhão auditivo.
Por um breve instante de tempo me pareceu estar de volta aos idos tempos de piá, na casa do avô meu. Mas de súbito, despertei melhor e fiquei ainda mais admirado ao prestar maior atenção e recordar que não há muito, não haviam tantos cantares dos mestres dos assobios.
O forte senso crítico que me é pertinente também me pôs a pensar acerca do por quê disso. Talvez fosse por causa da migração, êxodo rural(!) (cômico) das aves, dado o uso exacerbado de agrotóxicos (que rapidamente matam os insetos, em média velocidade as aves, e lentamente matam os humanos) (mas isso é para outro escrito em outro dia).
Em suma há pássaros e, se o ambiente é bom para pássaros, também o é para os seres humanos. E se uma lógica de inferência Aristotélica pode nos dizer que: se há pássaros, há arvores, e se há árvores o ambiente deve ser mais saudável, então, podemos assumir como verdade de que parece o ambiente urbano estar com boa qualidade de vida.
Uma foto panorâmica de nosso município denotará a quantidade admirável (e boa) de “verde” no perímetro urbano. As barrancas dos rios estão mais arborizadas, há áreas de preservação permanentes, a grande maioria dos terrenos particulares possuem árvores, as ruas... opa! As ruas??? Houve um tempo, mas muito longe, haviam árvores nas ruas!
Isso é polêmico! Mas como a polêmica causa discussão e o conseguinte crescimento, então julgo pertinente abrir uma. O corte das árvores nos passeios públicos tem sido uma regra aqui em Caçador, e seja dito de passagem, muito bem aplicada por sinal. Parece que há uma consciência oculta coletiva com a premissa de que “as árvores não conseguem se adaptar às calçadas, passeios públicos...”. Ora, essa!! Com tanto espaço disponível nesse Caçador amado, não se consegue fazer uma calçada que contemple regularidade do piso e a permanência de uma simples mas importantíssima árvore? É... mas aqui nos faltam os dois. Sem árvores e sem piso regular nos passeios.
Não é possível que em um mundo tecnológico o qual vivemos e com tanto conhecimento adquirido se optem por cortar árvores que não ”se adaptam ao concreto”, isso é simplesmente inacreditável! Ao descer pela rua até ao Largo Caçanjurê fiquei espantado com todas as árvores que lá haviam tinham sido decepadas. Logo lá que haviam canteiros grandes e fartos. Provavelmente naquele local, elas (as árvores), estavam atrapalhando o fluxo de veículos daquela “movimentadíssima” rua sem saída.
Árvores, vegetação em geral, surgiram milhares de anos antes da vida animal em nosso planeta, isso se deve ao fato de que, sem elas nos é impossível viver! Árvores amenizam o calor, agradam o ambiente, abafam o ruído, provêem umidade ao ar e que nos é imprescindível.
Graças à boa vontade das pessoas e que possuem árvores em seus terrenos é que Caçador ainda não é uma floresta de puro concreto. Mas publicamente pelas ruas não é esse o exemplo que a comunidade vem tendo e isso apenas mostra o caminho que se tem trilhado para um futuro, quente, seco e morto .
Ainda há tempo de deixar nossa cidade querida como um lugar gostoso para se caminhar mesmo sob o escaldante sol do verão.
Que delícia foi acordar hoje com tamanha e bela sinfonia que me bateu aos ouvidos!





