3 de outubro de 2026
Artigo

A orientação educacional e o alunado

Por Núcleo de Imprensa da UNIARP

Adelcio Machado dos Santos
Reitor da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe

Com finalidade de se conhecer, analisar e controlar o que se processa no âmbito da escola e direcionar as inovações necessárias à boa atuação de suas funções, sem que se corra o risco de se tomar posições e medidas unilaterais e específicas a alguns setores, em desconsideração ou até em detrimento de outros setores e do conjunto, faz-se mister analisar a escola através de um ponto de vista sistêmico.

Por sua própria função, a escola constitui-se em uma organização sistêmica aberta, ou seja, em um conjunto de elementos, que interagem e se influenciam reciprocamente, conjunto esse relacionado, na forma de troca de influências, ao meio em que se implanta.

Por conseguinte, o conhecimento da escola e da comunidade onde a mesma está inserida é importante tanto para o planejamento escolar como para a elaboração do plano de orientação educacional.

Além disso, através do planejamento, busca-se a compatibilização entre os objetivos educacionais, as expectativas da clientela e os recursos existentes, o que pressupõe o conhecimento prévio da escola e da comunidade. Por sua vez, tal conhecimento favorece uma definição mais realista das metas propostas e, conseqüentemente, maior segurança no alcance dos resultados esperados.

A função da orientação escolar se esclarece na medida em que ela analisa as dimensões sociais do sistema escolar e os processos de educação, de ensino,de aprendizagem e de convívio verificadas.

Destarte, faz-se mister a  orientação educacional e suas possibilidades e na realidade escolar.

Vista como um sistema social, a escola se refere a uma organização de posições e de papéis determinados em termos de administrador, de professor e de aluno. Tais posições trazem consigo um conjunto de direitos e de expectativas e determinam comportamentos específicos daqueles indivíduos que exercem seus papéis (BICUDO, 1978).

Assim, a realidade do sistema escolar é complexa. Aí se encontram aspectos exatamente institucionais que se antepõe a relacionamentos humanos autênticos. É preciso que estes aspectos sejam avaliados para que se tenha uma visão da dinâmica existente dentro da mesma.

Existem quatro características fundamentais na realidade escolar que se tornam pontos de convergência das atividades aí desempenhadas. Estes dizem respeito ao processo educacional, à situação de ensino e de aprendizagem. A realização dessas atividades dinamiza o sistema escolar. A sua força pode se tornar tão intensa que chega a levá-lo a passar além dos objetivos que levanta para si mesmo e para aquelas atividades. É este dinamismo que determina a realidade escolar, ao mesmo tempo em que a desvenda como ambígua em muitos dos seus aspectos peculiares (BICUDO, 1978).

A organização escolar envolve um complexo de posições e de papéis informais, os quais diferenciam de escola a escola quanto a sua maneira de apresentação. Como em qualquer grupo social, o referente à sala de aula é constituído por um conjunto de posições e papéis diferentes entre si. Estas posições são desenvolvidas pelos estudantes, ainda que possa existir uma influência praticada pelo tipo de relacionamento que o professor desencadeia nesse grupo.

Por conseguinte, o fator sucesso na escola pode envolver mais que somente realizações acadêmicas. O valor atribuído ao mencionado sucesso na organização formal da estrutura escolar é afetado pelas posições e papéis exercidos pelos estudantes nos diversos grupos existentes dentro da escola.

Enquanto um grupo social, a escola possui uma função determinada dentro do todo a qual pertence, ou seja, a sociedade. Seus objetivos são apresentados a partir e em função desse todo. Isto, tanto de um ponto de vista imediato, em relação à necessidade de elementos especializados para cumprir determinadas funções que lhe são importantes, como de um ponto de vista mais remoto, relativo à sua história cultural (BICUDO, 1978).

Segundo Seemann (s.d., p. 23) uma das funções específicas do orientador educacional é “participar, junto à comunidade escolar, na criação, organização e funcionamento das instâncias colegiadas, tais como; conselho de escola, APP, grêmio estudantil e outros, incentivando a participação e democratização das decisões e das relações na unidade escolar”.

Com isto, a escola, como toda sociedade, desempenha uma função educadora sobre o educando por meio do próprio processo de socialização, quando ele está sujeito a assumir o papel-do-outro e do outro-generalizado, e quando se expõe a relacionamentos pessoais.

De acordo com Miguel (1975, p. 52) “O centro da orientação educacional é, naturalmente, o aluno. O aluno em todas as suas dimensões psicológicas e, especialmente, no que diz respeito à dimensão escolar vocacional”.

Dessa forma, os objetivos da orientação educacional estão diretamente relacionados à natureza desta atividade. De maneira geral, pode-se dizer que ela se firma a uma natureza explicitamente psicológica ou se firma a uma natureza mais pedagógica.

Entretanto, o conceito de orientação tem modificado muito no decurso dos anos. Mesmo depois de três decênios de crescente interesse pela orientação, ainda não tem unanimidade nas opiniões e na prática. Maior confusão decorre na divergência entre a teoria e os processos de uso (GRINSPUN, 1992).

Além disso, a descontinuidade e a falta de sistematização do trabalho do orientador educacional nas escolas é devido, por certo, à falta de consistência no entendimento pelos administradores educacionais de nível macro, sejam estaduais, sejam municipais, quanto a uma política educacional e de recursos humanos para a educação.

Portanto, em consonância com o magistério da lavra de Lück (1991, p. 35), “Estes têm deixado de tomar as medidas necessárias para que seja organizada a orientação educacional nos estabelecimentos de ensino, de forma que seu desempenho ocorra em caráter contínuo, conforme determinou a lei de diretrizes e bases da educação nacional”.

Todavia, o processo evolutivo da orientação educacional presume uma assistência continuada por parte do orientador. Ainda que a orientação educacional não se identifique com a orientação vocacional, contudo, a insere. De tal modo que uma orientação pedagógica completa, se não concluir numa orientação vocacional, não terá realizado seguramente os seus alvos, que é ser realmente orientado.

Por fim, obter resultados positivos na orientação educacional dos alunos e na descoberta da sua vocação, é um problema dos mais complexos que a psicologia pedagógica tenta resolver. Com isto, devem-se, pois, tomar todas as providências para que uma tal orientação e descoberta vocacional, sejam acertadas.

O centro de atenção máxima da escola é o aluno. A escola existe em função dele, e, assim, para ele. A sua organização, em qualquer dos seus aspectos, precisa ter em vista a consideração do fim precípuo a que a escola se destina, que é a criação de condições e de condições favoráveis ao bem-estar emocional do educando, a fim de que o mesmo alcance habilidades, conhecimentos e atitudes que lhe admitem fazer face às necessidades vitais e existenciais.

Assim, a orientação educacional é uma área de ação pedagógica cuja necessidade de planejamento se torna ainda mais urgente, quando se demonstra a sua complexidade, dadas as suas múltiplas dimensões e seus múltiplos alcances. O risco de se perder direcionamento e especificidade é uma condição que pode ser controlada pelo orientador educacional, na medida em que esquematize, juntamente com os profissionais envolvidos, os trabalhos e metas a realizar.

Entretanto, o orientador educacional sempre deve colimar, para melhor compreender o comportamento dos alunos, especialmente na adolescência, os motivos especificamente importantes na determinação desses comportamentos, avultando a necessidade de escolhas complexas. (GIACAGLIO e PENTEADO, 2002).

Destarte, fica patente que aluno, assististido pelaOrientação Educacional e seus recursos, pode desenvolver integralmente a sua personalidade.

Com isto, compete ao orientador educacional, com a ajuda dos demais educadores, o desafio de fazer da escola um ambiente adequado e agradável para todos e, principalmente, fazer dela uma instituição educativa, no sentido mais amplo do termo. 

Referências
BICUDO, Maria Aparecida V. Fundamentos de Orientação Educacional. São Paulo: Saraiva, 1978.

GIACAGLIA, Lia Renata Angelini; PENTEADO, Wilma Millan Alves. Orientação Educacional na Prática: princípios, técnicas, instrumentos. 4 ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.

GRINSPUN; Mírian Paura Sabrosa Zippin. O Espaço Filosófico da Orientação Educacional na Realidade Brasileira. Rio de Janeiro: Rio Fundo, 1992.

LÜCK, Heloísa. Planejamento em Orientação Educacional. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

MIGUEL, Godeardo Baquero. Métodos e Técnicas de Orientação Educacional. 5 ed. São Paulo: Loyola, 1975.

SEEMANN, Vânio Cesar. Os Especialistas em Assuntos Educacionais e a Escola Pública de Ensino Fundamental. s.d.

Mais notícias