3 de outubro de 2026
Feminicídio

Suspeito de matar ex-mulher em Blumenau mandou foto à filha

Um dos três filhos de Margarete Zanella já havia registrado boletim de ocorrência

Por NSC

O principal suspeito de matar Margarete Zanella, 50, em Blumenau, teria enviado uma foto do corpo à filha mais velha da vítima na manhã desta quarta-feira, 9, logo após cometer o crime. O caso é tratado como feminicídio pela Polícia Civil. Depois de esfaquear a ex-mulher, o homem de 62 anos tentou cometer suicídio, mas foi levado ao Hospital Santa Isabel, onde permanece internado em estado grave.

A irmã de Margarete, Luzia Zanella, 60, conta que a sobrinha de 30 anos estava no trabalho quando recebeu uma mensagem por WhatsApp da mãe. Ao abrir a imagem, percebeu que se tratava do corpo de Margarete já sem vida. Ela chamou os socorristas, que seguiram para a casa do bairro Água Verde.

A filha e outros familiares chegaram na sequência. Os gritos de desespero foram ouvidos por alguns dos vizinhos, conta Airton Machi, 57, que mora na mesma rua. O corpo de Margarete foi levado pelo Instituto Geral de Perícias, que trabalha nesta tarde para concluir o laudo

"A gente tem máquinas de costura na sala encostada na parede deles. Sempre paramos de trabalhar às 10h. Foi justamente nesse intervalo, quando saímos de lá, que as coisas aconteceram" conta o vizinho.

Mãe de três

Luzia soube do assassinato pela internet. Ao ler a notícia, reconheceu o imóvel e deduziu que a vítima era a caçula dos 15 irmãos.

"Eu não consigo aceitar. Perdi meu pai e um irmão, mas foram fatalidades. Essa morte é diferente, tiraram a vida dela. Eu espero que ele sobreviva e pague pelo que fez " desabafa.

Após um relacionamento de dez anos com o homem, Margarete decidiu recentemente dividir o lar em que morava com ele. Porém, há cerca de três meses a união chegou ao fim. Luzia conta que por pena a irmã teria deixado o então ex-companheiro morar em um imóvel no mesmo terreno que ela.

As construções pertenciam ao pai de Margarete. Há cinco anos ela foi viver com ele e a madrasta porque os dois idosos precisavam de uma cuidadora. Pediu demissão da empresa em que trabalhava no Garcia e passou a se dedicar aos dois. O pai morreu há dois anos, a madrasta no primeiro semestre de 2020.

Com a decisão de se mudar para a Água Verde, a casa em que morava antes, no bairro Fortaleza, ficou para a filha mais velha. Os outros dois filhos, de mais de 20 anos, também foram viver com os avós, junto com a mãe. Eles não estavam em casa no momento do crime.

Perfil agressivo

Segundo a Polícia Militar, o filho de Margarete já havia registrado um boletim de ocorrência contra o suspeito em 2017. Luzia lembra do motivo. Era aniversário do pai dela e o companheiro da irmã teria iniciado uma discussão com Margarete. O jovem quis defender a mãe. Brigou com o homem e chegou a ser ameaçado de morte. Ao tentar apaziguar a situação, Margarete caiu da escada e quebrou o braço.

O aniversariante pediu que a filha jamais perdoasse aquele homem agressivo, mas o relacionamento foi retomado. Após a morte do pai, os encontros com a família ficaram mais escassos e por isso Luzia não sabe como a situação estava mais recentemente

"Tinha um bom coração"

"Ontem eu encontrei ela no bairro e disse que passaria na casa do pai para conversarmos. Acabei atrasando as minhas coisas e não fui. Nunca imaginei que seria a última vez que veria minha irmã " lembra Luzia.

Ela ainda tem as mensagens que trocava com a irmã no celular. Brincalhona e dedicada aos filhos, Margarete gostava de jogar baralho e sair para dançar.

"Tinha um coração bom " resume Luzia.

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