Motoristas que participaram de um buzinaço em Lages, na Serra catarinense, em protesto contra agressões de um policial militar contra universitárias dentro do apartamento delas estão sendo multadas.
Ao menos 167 motoristas foram autuados pela PM. Eles receberam duas multas: uma de R$ 2.934,68 por participar na via como condutor em eventos organizados sem autorização e outra de R$ 88,38 por usar buzina prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto.
O protesto foi realizado em 4 de agosto, no dia seguinte às agressões verbais e físicas de um policial militar contra três jovens no mesmo prédio. Incomodado com o barulho delas, ele foi ao local onde ocorreram agressões verbais e físicas, registradas em vídeo.
Imagens feitas pelo celular de uma das estudantes mostram o PM com um cassetete na mão, agredindo as jovens durante uma discussão. As cinco universitárias comemoravam a aprovação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de uma delas. Três delas foram agredidas pelo policial que estava afastado das funções por ser do grupo de risco do coronavírus e mora no mesmo prédio.
Um boletim de ocorrência foi feito e um termo circunstanciado pelas agressões foi lavrado contra o policial. As agressões ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público, assim como pela Polícia Militar.
Quase um mês após as agressões, os participantes do protesto foram surpreendidos pelas multas. As mais de 160 pessoas que foram multadas devem entrar com um recurso porque alegam que comunicaram as autoridades por meio do Gabinete de Crise sobre a realização da manifestação e que não cometeram infrações contra medidas sanitárias pois os manifestantes permaneceram em seus veículos - veja abaixo vídeo do protesto nos carros.
A Diretoria de Trânsito informou que foi procurada e orientou que os manifestantes pedissem autorização para o Gabinete de Crise, mas que por conta da pandemia não permitiu manifestação que tivesse aglomeração.
O Comando da Polícia Militar não soube informar quantas pessoas foram multadas no último ano por participarem de manifestações. Em nota, o 6º Batalhão da PM, de Lages, afirmou que não concorda com a atitude do policial militar que agrediu as jovens e que está tomando as medidas legais para esclarecer o caso.
Sobre a carreata, a Polícia Militar diz que alguns veículos foram notificados por terem cometido infrações de trânsito, e que elas são passíveis de recurso. A nota diz ainda que policiais são obrigados a tomar providências legais quando flagram uma situação como essa.
O caso também deve ser apurado pelo Ministério Público para verificar se houve desvio de finalidade nas autuações realizadas pela PM na noite do buzinaço que resultaram em quase R$ 500 mil em multa.






