A defesa de Marli Aparecida Teles de Souza, conhecida como Viúva Negra, protocolou nessa quinta-feira, 18, ao Poder Judiciário em Caçador, um novo pedido de prisão domiciliar para tratamento de saúde, desta vez por problema nos joelhos. A apenada foi internada ontem no hospital Maicé.
Na quarta, o juiz da Vara Criminal de Caçador revogou a prisão domiciliar anterior e determinou que a Marli retornasse ao Presídio em até 24h, o que não ocorreu até agora.
Os advogados alegam que durante o período em que esteve segregada, Marli teve agravamento de doenças nos dois joelhos. Segundo a petição, ela foi diagnosticada com tendinopatia, bursite, condropatia patelotroclear, derrame articular, perindinite e entesopatia.
Dois médicos ortopedistas emitiram parecer informando a necessidade de cirurgia. “Indicado tratamento cirúrgico em ambos os joelhos, pois a paciente apresenta dor importante e risco de aumento da lesão em meniscos, piora da condropatia e evolução para artrose”, detalhou um dos especialistas.
De acordo com os advogados, devido à dificuldade em locomover-se, a apenada foi internada no Hospital Maicé nesta quinta-feira, 18, para receber medicação intravenosa. “Novamente o laudo médico foi taxativo ao relatar a importância da realização do procedimento cirúrgico com urgência”, alega a defesa, que pede liberação para tratamento fora do domicílio e repouso domiciliar após a cirurgia.
O pedido de prisão domiciliar será analisado pelo Poder Judiciário em caráter de urgência.
Remoção do útero
Marli foi condenada no ano passado a mais de 18 anos de detenção pela morte do ex-marido e outros crimes. Alegando grave enfermidade, ela ganhou o benefício da prisão domiciliar com validade por 30 dias e fez uma cirurgia de remoção do útero no dia 20 de junho deste ano. Depois disso, ganhou o direito de ficar mais 90 dias para recuperação pós-operatório.
No dia 4 de outubro, Marli foi submetida à nova perícia. No laudo, o médico-perito atestou que "tendo em vista não apresentar complicações cirúrgicas e a ferida cirúrgica estar com bom aspecto, a periciada não necessita de cuidados além de sua higiene corporal e evitar esforços exagerados, não necessitando de repouso domiciliar para sua recuperação”.
Com base no que atestou o médico, o Poder Judiciário de Caçador decidiu revogar a prisão domiciliar a determinou que, em no máximo 24 horas, ela retorne ao Presídio Regional de Caçador para cumprir a pena que lhe foi imposta. Até às 10h desta quinta-feira, 18, a apenada ainda não havia se apresentado na unidade prisional.
Condenação
Em fevereiro de 2017, no fórum de Caçador, Marli Aparecida Teles de Souza, de 48 anos, foi condenada a mais de 18 anos de reclusão pelo homicídio triplamente qualificado de Rui Nadarci Dias de Oliveira, além dos crimes de corrupção de menor, fraude processual e tentativa de estelionato contra as duas seguradoras.
O filho Ulisses Antônio Souza de Oliveira, de 23 anos, também foi condenado no mesmo júri e vai cumprir 17 anos, 11 meses e 22 dias de prisão.
De acordo com a sentença, a maioria dos jurados entenderam que mãe e filho premeditaram o crime para receber um seguro no valor de R$ 1,2 milhão. Marli e Ulisses estão presos desde que a polícia descobriu a trama, em novembro de 2014.






