Os demais presos da Operação Emergência ganharam liberdade na noite desta sexta-feira, 10, por volta das 19h. Eles são suspeitos de integrarem uma organização criminosa que fraudava a lista de espera por procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ganharam o alvará de soltura os médicos José Roberto Queiroz, Rogério Neves e Ricardo Chagas Bassan, a enfermeira Sarah Cristina Chiesa Massoco, o vereador Marcio José Farrapo e Selmir Paulo Bodanese.
O gerente do Presídio de Caçador, Wilton Lazarotto, explica que o Tribunal de Justiça optou em não converter a prisão temporária para preventiva. “O prazo da prisão ia até amanhã (11), mas o Tribunal decidiu conceder a liberdade ainda hoje”, acrescenta.
De acordo com a direção do presídio, o médico José Roberto passou mal à tarde. “Foi chamada uma ambulância do Samu, que o conduziu até o hospital. A informação que tivemos é que ele assinou o alvará de soltura no Maicé. Não sabemos o diagnóstico dele”, disse Wilton.
Ao todo, nove pessoas foram presas na operação. Três delas haviam deixado o Presídio na segunda-feira, 6: Sérgio José Schmitz Júnior (diretor do hospital Maicé), May Filho Chagas da Silveira (médico de Videira) e Zélia Cardoso dos Santos, a qual teve a prisão convertida para a domiciliar.
Operação Emergência
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as investigações continuam e apuram a prática dos crimes de organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação, concussão, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, falsidade de atestado médico, fraude em licitação, entre outros crimes e atos de improbidade administrativa.
O nome da operação deve-se ao fato de a investigação apontar que a organização criminosa atuava de modo a "emergenciar" os pacientes favorecidos, simulando situações de emergência clínica para que os pacientes, mediante pagamento ou outros interesses, recebessem atendimento como urgência hospitalar, burlando as centenas de pessoas que aguardam procedimentos cirúrgicos nas listas de espera do SUS.
De acordo com o MPSC, Durante a investigação constatou-se esquema paralelo e escuso de "fura-fila" no SUS, envolvendo agentes públicos e terceiros, que beneficiam pessoas determinadas em procedimentos cirúrgicos e, mediante o pagamento indevido e violação às regras de organização e funcionamento do SUS, adotam medidas ilícitas, para "agilizar" o atendimento respectivo, em sua maioria no Hospital Maicé de Caçador.
Entre as práticas ilícitas adotadas para agilizar e desrespeitar a ordem de atendimento estava a inserção de dados falsos no Sistema Nacional de Regulação (SISREG) pelos profissionais de saúde, que registravam um procedimento eletivo como "emergência".
Em nota oficial, a direção do hospital Maicé informou que são apuradas possíveis irregularidades cometidas por prestadores de serviços e colaboradores, e que a direção está auxiliando e disponibilizando tudo aquilo que for necessário para esclarecer os fatos e apurar as responsabilidades.





