Mais um crime bárbaro será julgado pelo Tribunal do Júri de Caçador. Nesta sexta-feira, 18, três acusados de torturar, estuprar e matar um homem no município de Calmon, em junho de 2014, irão a júri popular. Cleiton da Silva Reval, de 34 anos, Cristiano Alves Antunes, 21, e Felipe Cesar da Luz, 21, são os acusados do crime.
A vítima, Júlio Cesar Pereira Lopes, foi morta aos 31 anos de idade porque teria dançado com as ex-namoradas de dois dos acusados em uma festa na noite anterior ao crime. Os réus respondem por homicídio triplamente qualificado, por crime de estupro praticado duas vezes e por sequestro qualificado.
Segundo o Ministério Público, a vítima permaneceu sob o poder dos denunciados, com sua liberdade restringida e sendo submetida a agressões, ameaças, humilhações e atos libidinosos, por cerca de três horas, sendo evidente o grave sofrimento físico e moral. Após passar por tudo isso, a vítima foi levada a um local ermo, próximo ao reservatório da Casan, no Centro de Calmon, onde foi morta com brutalidade.
Presidido pelo juiz de direito Rodrigo Dadalt, o júri popular é aberto à comunidade e inicia às 9h no Fórum de Caçador. A Defensoria Pública de SC fará a defesa do réu Cleiton. Já Cristiano e Felipe serão defendidos pela advogada Jucemara Thibes de Campos. O promotor de justiça João Paulo de Andrade, do Ministério Público, fará a acusação.
O crime segundo o Ministério Público
No dia 31 de maio de 2014, por volta das 22h, os denunciados Cristiano, Felipe e Cleiton, tentando “dar uma lição” em Júlio, pelo fato de ter ele dançado com as ex-namoradas de Cristiano e Cleiton naquela noite, abordaram a vítima em frente ao Bar do Cide, em Calmon. Os autores convidaram a vítima para com eles se dirigir até a residência de Cleiton para ingerirem bebidas alcóolicas. A vítima concordou e foram até a casa, na rua Theodósio Paulek, no Centro de Calmon.
Chegando ao local, e estando já no interior da residência, os denunciados revelaram seu verdadeiro propósito. Todos privaram a vítima de sua liberdade mediante sequestro, impedindo-a de abandonar o local, e passaram a submeter a vítima a tortura física e psicológica. Os maus-tratos resultaram em grave sofrimento físico e moral.
De acordo com o Ministério Público, Cleiton estava munido de uma faca e de um facão e desferiu violentos golpes na vítima, utilizando-se do facão para bater em suas costas e tórax, fazendo cortes em seu braço com a faca, além de outros ferimentos. Cleiton ainda teria ordenado que a vítima tirasse suas roupas, e efetuou dois cortes no tórax da vítima, desenhando uma cruz em seu peito.
Não bastasse a tortura, a vítima foi submetida a atos libidinosos. Inicialmente, Cleiton praticou conjunção carnal, obrigando a vítima ao coito anal. Já Felipe teria obrigado a vítima a fazer sexo oral, inserindo um bastão de madeira no ânus.
Cessados os abusos sexuais, a vítima foi coagida a acompanhá-los caminhando como um animal até local ermo, nas proximidades do reservatório da Casan, onde foi morta em seguida.
Por volta da 1h do dia 1º de junho, Felipe segurou a vítima por trás, imobilizando seus braços, e Cleiton passou a desferir numerosos e violentos golpes contra a cabeça de Júlio. A vítima teve o nariz arrancado, foi escalpelada, teve a testa e o maxilar divididos, além de ter a face desfigurada completamente. Os vários ferimentos gravíssimos resultaram em sua morte, na mesma hora.
Um pedestre que trafegava por uma via transversal avistou o corpo no chão rodeado de cães pela manhã do mesmo dia. Imaginando se tratar de um homem alcoolizado, ele aproximou-se, mas descobriu que se tratava de um cadáver.
* As informações são da denúncia oferecida pelo Ministério Público
Suspeitos são presos
Felipe e Cristiano, na época já com 18 anos, foram presos em Calmon no dia 2 de junho de 2014, um dia após a morte da vítima. O mentor do crime, Cleiton, estava foragido, mas acabou preso no dia 3 de junho em Curitibanos. Os três foram encaminhados ao Presídio Regional de Caçador





