4 de outubro de 2026
Pena severa

Carlos Correa é condenado a 63 anos de prisão

Júri popular foi marcado por momentos de comoção de amigos e familiares de Josué

Por Caçador Online

O assassinato do ex-jogador e técnico de futebol, Josué Henrique Kaercher, e mais quatro crimes renderam ao autor 63 anos, nove meses e 10 dias de prisão. Esse foi o resultado do júri popular de Carlos Correa, conhecido como Carlinhos da Pantera Negra, nesta sexta-feira, 23, no Fórum da Comarca de Caçador.

O julgamento, que teve início às 9h e se estendeu até a leitura da sentença às 18h, foi marcado por momentos de comoção. Parentes e amigos de Josué e da família Kindermann levaram faixas, cartazes e camisetas cobrando punição severa ao autor dos crimes.

Ele foi condenado por homicídio duplamente qualificado, tentativa duplamente qualificado, constrangimento ilegal, cárcere privado e posse irregular de arma de fogo.


Josué (arquivo abril de 2015)

Para o pai de Josué, a condenação do réu alivia apenas em partes a dor da perda. “Perdemos um filho, um irmão, um amigo da comunidade de Caçador. Fica o registro de que a cidade de Caçador está de parabéns e que esse júri seja uma referência, pra nenhum crime como esse passar impune em nenhum lugar desse país”, disse Samuel Henrique Kaercher, acompanhado da esposa e mãe, Alaisa de Lourdes Nunes Kaercher, e do filho e irmão de Josué, Júlio Francisco Kaercher.


Samuel, pai do Josué

Entre os fatos que agravaram a pena do réu, está o fato de ter cometido o crime embriagado, de ter mentido em juízo, de ter cometido cárcere privado mediante dissimulação e em razão de uma das vítimas ser mais de 60 anos (Salézio).

Carlinhos deverá cumprir a pena em regime inicialmente fechado. Segundo o juiz, o réu deverá cumprir pelo menos 3/5 da pena para que possar ter direito à progressão de regime, mas seguindo a legislação, o tempo máximo que pode ficar preso é de 30 anos.

Repercussões do resultado

Salézio Kindermann – uma das vítimas: “Eu o perdoo”

“Não queríamos que ninguém fosse apenado, mas infelizmente não tem como voltar atrás. Lamentamos que ele estragou a sua vida e acabou com a de um pai de família. Não é porque ele foi demitido que podia fazer o que fez. Mas nós somos seres humanos, todos nós erramos. Lamento por ele. Mas a justiça foi feita e a vida continua. Eu criei Josué como um filho, tanto é que está no túmulo da minha família. Nós sentimos muito por tudo. Mas eu perdoo o Carlinhos. Quem não tem pecado que atire a primeira pedra. Eu tenho um grupo de oração e oro por ele, por que sei que está precisando”.

Rodrigo Dadalt – juiz de direito

"O tribunal do Júri foi um pouco mais extenso do que esperávamos. Os jurados votaram os quesitos e depois foi dada a condenação que, acredito, foi dentro da expectativa da família. Foi um trabalho tranquilo. Foi elogiável a postura tanto da promotoria quanto da defesa, se pautando dentro da maior urbanidade possível defendo as teses e interesses cabíveis ao caso analisado".

João Paulo de Andrade – promotor de justiça

“É uma pena justa e que corresponde, de forma proporcional, à agressão que ele provocou, não só a Josué, mas às outras vítimas e a toda a comunidade de Caçador. É uma resposta que soa razoável por aquilo que ele fez”.

Gilson Kollross – assistente de acusação

“É um caso que despertou comoção pública. Consideramos este resultado muito satisfatório, e felizmente os jurados puderam entender a gravidade do que ele fez. Saio hoje com o sentimento de dever cumprido. Mostrei aos jurados e à sociedade que essas perdas e sofrimentos mereciam que fosse dada uma resposta justa. Quem conheceu Josué sabe que ele era gentil e trazia alegria a todos. Não havia motivo para que Carlos Correa cometesse esse crime. Até porque no momento que Josué foi morto estava sentado pedindo calma. É uma perda irreparável, cujas famílias ainda irão sofrer muito para o resto da vida. E um crime grave como este tem, sim, que ser punido severamente”.

O crime

No dia 11 de dezembro de 2015, Carlinhos foi até o Hotel Kindermann e fez cinco pessoas reféns dentro de uma sala de reuniões. Ele não conseguia aceitar o fato de ser demitido do time de futsal do Kindermann após ter viajado bêbado para um jogo fora da cidade.

Carlinhos estava com um revólver calibre 32, várias munições no bolso e uma lista de nomes com quem queria conversar e acertar contas. Em determinado momento o criminoso atirou no peito do atual técnico da equipe na época, Josué. O disparo atingiu o peito da vítima.

Logo em seguida, Carlinhos ainda apontou o revólver para Richard Kindermann, dirigente do time, e puxou o gatilho. Mas a arma falhou. Nesse momento ele foi contido até a chegada da polícia.

O crime chocou a cidade de Caçador e ganhou repercussão nacional. Naquele mesmo ano, Josué comandou o Kindermann no título da Copa do Brasil de Futebol Feminino. Em 2012 ele foi campeão da Série C do Estadual jogando pela Caçadorense.

Josué deixou um filho pequeno. Os pais dele e o irmão assistiram ao júri popular.

O júri

O juiz que coordenou os trabalhos do júri foi Rodrigo Dadalt. Na acusação atuou o promotor João Paulo de Andrade e o advogado Gilson Francisco Kolross como assistente de acusação. A defesa do réu se deu através do defensor público Leonardo Grasel Diniz de Figueiredo.

O primeiro depoimento do júri foi de Valéria Kindermann, que estava no local dos crimes. Depois Richard Kindermann também deu seu testemunho. Nesse momento o júri precisou ser interrompido por duas vezes por comoção durante a narrativa dos fatos.

Depois foi a vez do réu dar seu depoimento. Ele disse que não tinha a intenção de matar ninguém e que foi armado ao local para que as pessoas concordassem em ouví-lo.

Carlinhos disse ainda que não lembra do momento em que atirou em Josué e que só se deu conta quando foi levado ao presídio. Por fim falou a acusação e depois ocorreu a votação dos jurados e a leitura da sentença.

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