O delegado regional de Caçador Fabiano Locatelli concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 15, ocasião em que divulgou detalhes da investigação de mais um crime chocante na cidade, em que uma jovem de 23 anos matou a própria mãe. De acordo com o delegado, não resta dúvidas da autoria de Valéria Ribeiro da Silva e a participação do namorado dela, Leandro Matheus Alves Negretti, 24, e da prima Priscila de Fátima Ribeiro, 25 anos. Os três foram presos na terça-feira, 14.
Segundo o delegado, a investigação iniciou com o desaparecimento de Agenor Régis Ribeiro Filho, 42, que é tio de Valéria e irmão da vítima, Elenir Aparecida Ribeiro.
O delegado apreendeu um celular que era de Valéria e através da perícia conseguiu recuperar uma gravação de uma conversa dela com o namorado Leandro, dialogando sobre a morte de Elenir. O áudio comprova a participação no crime (ouça abaixo).
Locatelli comentou que a vítima era bastante doente e sofria de esquizofrenia há 23 anos. E com isso necessitava de cuidados especiais. A filha, para se ver livre dos encargos de cuidar da mãe, decidiu por tirar a vida dela e poder retomar o relacionamento com Leandro, pois ele não aceitava a condição de Valéria cuidar da mãe.
O delegado indiciou os três acusados por homicídio duplamente qualificado por meio que dificultou a defesa da vítima e também por motivo torpe.
Elenir começou a passar mal 1h depois de ingerir o medicamento
De acordo com o delegado, Valéria ministrou a dose do medicamento Efedrina logo após o almoço junto com os medicamentos de uso habitual da mãe. Uma hora depois, Elenir começou a passar mal e pedir ajuda a filha.
Neste momento, Valéria e a prima, Priscila, passaram a entrar e sair do quarto para acompanhar a evolução do problema e a todo o tempo em contato com Leandro. A vítima ficou mais de 3h agonizando até morrer, por volta das 17h. Uma hora depois, os Bombeiros Voluntários foram acionados e chegando ao local constaram o óbito.
Valéria entrou em contato com a funerária que foi até a residência no bairro Industrial e fez os procedimentos fúnebres. O médico que atestou a morte não solicitou exames necroscópicos, nem mesmo chegou a examinar o corpo. Ele fez o atestado com base no relato da acusada, pois era médico da vítima há mais de 10 anos e sabia dos problemas de saúde. Ele atestou infarto do miocárdio.
Leandro confessa ter fornecido os medicamentos
Em depoimento à polícia, Leandro confessou parcialmente envolvimento na morte de Elenir. Ele deu seu depoimento acompanhado do advogado e disse ter fornecido o medicamento que é um termogênico usado na perda de peso, porém ingerido em grande dosagem pode levar à morte. Disse também que desconhecia que o remédio seria usado para causar a morte de Elenir.
Ele disse ao delegado que depois que Elenir foi morta, Valéria usou o fato de ter recebido dele o medicamento para fazer ameaças e também por medo não procurou a polícia.
Provas contestam versão
As provas e depoimento de Priscila mostram o contrário do que foi dito por Leandro. No áudio ele confessa ter fornecido o medicamento e que sabia qual seria a finalidade e também da reação possível.
No áudio, Leandro fala que o medicamento era absorvido pelo organismo em até 12 horas e não ficaria vestígios, caso o corpo fosse submetido a algum tipo de exame, que se fosse o contrário, o crime teria sido descoberto no dia da morte.
Valéria comenta no áudio que deu à mãe uma cartela inteira do medicamento.
Agenor também pode ter sido vítima da trama
A investigação ainda segue sobre o desaparecimento de Agenor continua e não é descartada a hipótese de também ser vítima da trama. O delegado teve o conhecimento que o tio sabia de que Valéria planejava tirar a vida da mãe e por isso pode haver ligação.
Investigação começou sem querer
Locatelli explicou que investigação começou sem querer, através de um outro caso.
"Estávamos investigando o caso do Fábio da Silva que matou duas pessoas e era suspeito de outras mortes. A partir daí começamos a buscar todas as informações de desaparecidos. No caso do Agenor, ele estava desaparecido há 40 dias. Começamos a apurar e interrogar a família. Durante a investigação surgiu a morte suspeita de Elenir e demos um outro foco que acabou culminando em mais um crime chocante em Caçador, infelizmente”, disse o delegado.
Ouça um trecho da conversa cedida pela Polícia Civil:





