3 de outubro de 2026
Inquérito concluído

“Motorista do caminhão estava sob efeito de drogas”, diz delegado sobre acidente no Castelhano

Detalhes da investigação policial foram divulgados na manhã desta terça-feira

Por Caçador Online

O delegado regional de Caçador, Fabiano Locatelli, realizou uma coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, 26, para revelar dados do inquérito policial do acidente entre um caminhão e um ônibus no dia 19 de fevereiro, na SC 350 na ponte do Castelhano. A colisão frontal deixou três mortos, sendo os dois motoristas e uma estudante que faleceu dias depois no hospital, além de 47 feridos.

A investigação descobriu que o motorista do caminhão, Danilo de Souza Kubis, 24 anos, estava sob efeito de drogas. O exame toxicológico detectou a presença de anfetamina e cocaína.
 
Como Danilo também morreu no acidente, o inquérito tem grandes chances de ser arquivado na Justiça. O caminhão que ele conduzia tinha placas de Vila Velha (ES) e estava carregado de tomate.
 
As outras vítimas fatais foram Alzerino Leffer Ortiz, de 58 anos, condutor do ônibus, e a estudante da Uniarp, Fernanda Caetano, 20 anos, que morreu três dias depois no hospital.
 
O coletivo da Prefeitura de Santa Cecília transportava alunos para a Uniarp, em Caçador.
 
Investigação
 
O delegado Locatelli revelou que foram 90 dias de investigação, onde várias pessoas foram ouvidas, sendo até o motorista do Fiat Pálio, o qual foi ultrapassado pelo caminhão e também atingido momentos antes da colisão com o ônibus, em cima da ponte.

O motorista do Pálio foi submetido ao teste do bafômetro o qual apontou que não estava embriagado. O motorista do ônibus, Alzemiro Leffer Ortiz, também foi submetido a perícia alcoólica e toxicológica, tendo resultado negativo.
 
Velocidade
 
“Analisamos imagens da empresa Sul Brasil e também fizemos a comparação de velocidade dos veículos de acordo com o tacógrafo. Momentos antes do acidente em determinado local, o motorista do caminhão chegou a 104km/h. Antes de chegar à ponte, ele trafegava a 84km/h e na hora da colisão estava em 43km/h devido a frenagem”, esclareceu o delegado.

Segundo Locatelli, oito requisições de perícias foram solicitadas, sendo velocidade, poltronas e estrutura física do ônibus, exame toxicológico, imagens. “Após tudo isso ficou comprovada a culpabilidade do motorista do caminhão, que estava em alta velocidade e sob efeito de entorpecentes”, concluiu o delegado.
 
Ônibus
 
Locatelli esclareceu ainda que o ônibus não estava com a lotação acima do permitido. Eram 48 passageiros. Sobre os bancos do ônibus, que se soltaram ou se moveram com a colisão, não foi possível apontar se havia alguma irregularidade nesse sentido.
 
 
O delegado comentou também que a velocidade do ônibus não se pode apurar com exatidão, tendo em vista que o disco do tacógrafo, que é semanal, não havia sido trocado.
 
“A velocidade do ônibus foi registrada no disco, porém estava com o antigo e acabamos tendo que nos basear em depoimentos. O ônibus estava em uma velocidade compatível com a rodovia até porque segundos antes ele passou por uma lombada”, disse.
 
Prefeitura de Santa Cecília vai processar seguradora do caminhão
 
A procuradora da Prefeitura de Santa Cecília, Steli Ceolla Ribeiro, acompanhou a divulgação do inquérito. Segundo ela, este trabalho serviu para esclarecer alguns pontos do acidente.
 
“Realmente este inquérito foi esclarecedor para nós que ouvimos muitos rumores, até de culpabilidade do motorista do ônibus. Ficou comprovado que estava dentro do limite de velocidade e com uma lotação dentro do limite. Agora vamos pegar este inquérito para entrar com uma ação contra a seguradora do caminhão”, disse.
 
Todo o inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário.

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