Laurentino Baroa, 68 anos, desaparecido desde o dia 19 de abril, pode ser o homem encontrado boiando no rio Caçador na manhã desta quarta-feira, 15, cerca de dois quilômetros da ponte da Pista Olímpica, no bairro Bello.
Durante a tarde, o enteado de Laurentino, Éderson Souza Cordeiro, esteve no IML (Instituto Médico Legal) e reconheceu o corpo. Segundo ele, além da falta de um dedo na mão direita e de uma cicatriz na cabeça, a roupa também era a mesma que o padrasto usava no dia em que desapareceu.
O IGP (Instituto Geral de Perícias) tem 30 dias para apresentar o laudo que vai apontar a causa da morte do homem. Outros familiares estão sendo chamados para confirmar o reconhecimento do corpo.
Enquanto isso a Polícia Civil abrirá um inquérito para investigar o caso.
Laurentino desapareceu depois de ser atendido no PA
Laurentino Baroa morava com o enteado numa propriedade na Linha Faxinal São Pedro, km 26, em Lebon Régis. No último dia 19 de abril, o idoso passou mal e foi levado pelo próprio enteado ao Pronto Atendimento Municipal de Caçador.
Éderson relatou que levou o padrasto primeiramente ao hospital Maicé, mas foi orientado a procurar o PA. Lá, Laurentino foi medicado (estava com pressão alta) e Éderson permaneceu aguardando até às 21h, quando retornou pra casa.
“Depois que ele foi medicado e a pressão baixou um pouco, ele (Laurentino) me disse pra ir em casa pegar uma roupa limpa, e como o enfermeiro falou que eu não poderia ficar de acompanhante, deixei um telefone pra me ligarem quando ele tivesse alta”, contou.
Segundo Éderson, no dia seguinte ele recebeu uma ligação que seria do PA informando que Laurentino havia recebido alta. “Chegando no local eles me falaram que ele tinha sido transferido ao hospital Maicé, e aí não tivemos mais notícias”,disse o enteado, que registrou um boletim de ocorrência na Delegacia.
O que diz o PA
A enfermeira Kátia Possamai negou que alguém do PA tenha ligado para o familiar na manhã do dia seguinte. Segundo ela, Laurentino recebeu um encaminhamento para ser transferido ao hospital Maicé ainda na noite anterior.
“Ele deu entrada no PA às 18h36 do dia 19 de abril, foi medicado às 18h50 e às 21h40 recebeu um encaminhamento para ser atendido no hospital Maicé. Também posso afirmar que conversei com a equipe e ninguém teria ligado para o familiar, até porque o Laurentino já não estava mais no PA desde a noite anterior às 21h40”, disse.
Segundo Kátia, como seu turno encerrou às 19h ela não sabe dizer de que forma esse encaminhamento aconteceu. “O mais comum é que isso aconteça através de uma pessoa da família. Mas também pode ser através dos Bombeiros. Ou ainda através de uma ambulância do município caso for horário de funcionamento da Secretaria de Saúde”,explicou.
Os Bombeiros Voluntários também afirmaram não ter registro de translado de paciente entre PA e hospital Maicé nesta data, 19 de abril.
Familiares de Laurentino afirmaram ainda que no hospital Maicé também não há registro de entrada do paciente com esse nome.
Filho de Laurentino está desconfiado
Desde então, a família passou a procurar Laurentino em casa de amigos ou outros familiares, mas sem sucesso. O filho dele, Adão Baroa, que mora em Santa Cecília, esteve na Rádio Caçanjurê divulgando o desaparecimento do pai. Na ocasião, ele disse que achou estranha a forma como tudo aconteceu e também registrou um boletim de ocorrência.
“Alguma coisa está errada. Espero que possamos encontrar meu pai o mais breve possível”,disse Adão Baroa, em entrevista na rádio no dia 9 de maio, uma semana antes do corpo ser encontrado.





