3 de outubro de 2026
Caso Ana Carolina

Inconformada com absolvição, mãe afirma que vai processar Estado

“Tenho como cúmplice da morte da minha filha a polícia de Balneário Camboriú”

Por Caçador Online

A família de Ana Carolina Antoniolli está inconformada com a absolvição de Pierre Reia, 23 anos, em juri popular realizado na última quinta feira, 21, em Balneário Camboriú. Ele estava sendo acusado de matar a jovem de 20 anos com 18 facadas. O crime aconteceu em agosto do ano passado no apartamento onde morava o casal de namorados, os caçadorenses Pierre e Ana, em Balneário Camboriú.

Indignada com o resultado do julgamento, a mãe da vítima, Maris Antoniolli, afirmou que vai entrar com uma ação indenizatória contra o Estado. Segundo ela, houve falhas tanto na investigação quanto no próprio júri, onde testemunhas cruciais não compareceram.

“Houve muitas falhas por parte da polícia na investigação. Não fizeram perícia na faca usada no crime, não pegaram as imagens do circuito interno de câmeras do prédio e muito menos levaram em conta os boletins de ocorrência que registramos antes por cárcere privado. Como que um réu confesso é absolvido e sai pela porta da frente como se não tivesse feito nada”, indagou Maris.

Na época, Pierre foi preso logo depois do homicídio e teria confessado o crime à Polícia, versão que mudou no dia do julgamento. (Leia abaixo como o crime aconteceu)

A mãe da jovem comentou que um policial, amigo de Pierre que morava no mesmo prédio, foi transferido de cidade dois dias depois da morte de sua filha e não compareceu ao júri. Ela enfatizou também que outras três testemunhas de acusação não compareceram.

“Os dois rapazes que estavam no apartamento onde minha filha foi morta deram o depoimento por apenas vídeo, mas afirmaram que foi o Pierre. A enfermeira que atendeu a Ana Carolina no hospital, e que foi quem ouviu minha filha dizer quem tinha a esfaqueado, não compareceu e nem justificou”, explicou Maris, duvidando da transparência do julgamento.

“Estou abrindo uma liminar contra o Estado e também culpo a polícia de Balneário Camboriú como cúmplica desse crime, pois foram negligentes na investigação e de certa forma coniventes com tudo que aconteceu, sendo que haviam registros das agressões e ameaças que a Ana vinha sofrendo há muito tempo”, afirmou.

Maris lembrou que durante as investigações, Pierre confessou o crime. Já no júri, ele deu outra versão e acusou os dois outros rapazes que estavam  no apartamento onde o homicídio aconteceu. Ele foi absolvido por unanimidade sob o argumento de falta de provas.

Maris Antoniolli afirmou ainda que além de acionar a Justiça, ela irá pedir proteção para sua família.

Relato do crime, segundo o site Click Camboriú

O relacionamento de um casal que namorava desde a adolescência terminou da pior maneira possível na noite desta quarta-feira (22): com morte. Ana Carolina Antoniolli, de 20 anos, foi assassinada com 18 facadas pelo companheiro Pierre Reia, de 22 anos, em um apartamento no centro de Balneário Camboriú.

Foi no apartamento 713 do Edifício Small, localizado na Rua 1001 com a Avenida do Estado, por volta das 18h 30min, onde os primeiros golpes de facas foram desferidos. Segundo testemunhas, a jovem correu para o terceiro andar e se refugiou no apartamento 308. Mas Pierre não parou. Ele a perseguiu e invadiu a residência. Ameaçados com a  arma, os vizinhos se evadiram, momento em que Ana Carolina recebeu pelo menos 18 facadas, segundo a Polícia Civil.

Em estado grave, Ana Carolina foi encaminhada ao Hospital Municipal Ruth Cardoso, após a Polícia Militar e o Samu serem imediatamente acionados. O assassino foi detido em flagrante. Segundo o que Pierre teria dito aos policiais, o crime teria sido motivado por uma traição, e que ele poderia ir para qualquer lugar, mas que jamais seria corno.

Ana Carolina morreu por volta das 23h.

O jovem casal morava em Caçador antes de vir morar em Balneário Camboriú, há cerca de três meses. De acordo com o depoimento do assassino, eles trabalhavam como autônomos em uma empresa de empréstimo consignado. Durante toda à tarde ele havia consumido muita cocaína e ingerido bebida alcoólica.

Confessando o crime, Pierre declarou que uma suposta traição da parceira o teria motivado a matar. Segundo a delegada Ruth Henn, Pierre teria dito durante o relato que, durante a discussão, Ana Carolina disse que o traiu em Caçador, mesma cidade onde Pierre responde por alguns crimes, como, estelionato, apropriação indébita e violência doméstica.

Ainda segundo a delegada, o casal já tinha um histórico de violência.

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