3 de outubro de 2026
Homicídio

“Ela morreu para defender a família”, diz a mãe

Mãe de Ana Carolina revela diário onde jovem relatava agressões e cárcere privado

Por Caçador Online

A família de Ana Carolina Antoniolli, 20 anos, após a sua morte ocorrida na quarta-feira, encontrou um diário onde a jovem relatava situações que vinham acontecendo na sua vida. Num pequeno caderno, ela escrevia sobre as agressões que sofria do namorado, Pierre Reia, 22 anos, e até cárcere privado. De acordo a mãe da vítima, Maris Antoniolli, sua filha morreu para proteger a família.

Ana Carolina foi assassinada com 18 facadas pelo próprio Pierre, que foi detido em flagrante logo depois do crime.

No apartamento de Ana Carolina, além do diário foi encontrada uma máquina fotográfica com imagens que mostram a jovem com o corpo cheio de hematomas. Segundo a mãe, a família desconhecia as agressões. “Ela nunca nos contou que apanhava e que era ameaçada de morte. Ela sempre nos ligava chorando e quando perguntávamos o motivo ela dizia que era saudade”, revela Maris.

Maris comentou que em conversa com os vizinhos da filha em Balneário Camboriú, descobriu que Carolina vivia em total cárcere privado e apanhava todos os dias. Ele não deixava ela ter contato com nenhum familiar e ainda dizia que se ela fugisse, mataria toda a sua família.

De acordo com a irmã de Carolina, Katieska de Freitas e também a mãe, nas raras vezes que a jovem ligava para a família, sempre pediam para ela abandonar tudo e voltar para Caçador. “Ela sempre dizia que tinha um motivo muito forte para ficar lá, mas que quando conseguisse voltar contaria tudo”, lembra a irmã.

Katieska contou que a irmã estava em Caçador até no sábado, 18, quando Pierre ligou ameaçando-a mais uma vez. Já em Balneário, na quarta-feira, 22, quando foi morta, Ana Carolina estava arrumando suas coisas para deixar o namorado e voltar em definitivo. Este teria sido o motivo da ira de Pierre, segundo a irmã.

A irmã contou ainda que ficou dois dias sem falar com Carolina. Por intermédio de alguns parentes em Balneário Camboriú, conseguiu um contato e conversou com ela pela última vez no dia que Ana foi morta. “Conversei com ela às 13h e às 19h um vizinho ligou contando que a minha irmã tinha sido esfaqueada pelo companheiro”.

A mãe revelou que algumas coisas que estavam acontecendo com Carolina em Balneário Camboriú, ela já sabia, mas desconhecia as ameaças e que inclusive, a jovem tinha registrado um boletim de ocorrências por cárcere privado além dos outros de violência doméstica. “Ela só não fugiu de medo que acontecesse algo com a sua família”.

Em entrevista à Rádio Caçanjurê na semana passada, Maris Antoniolli disse que Pierre é “um psicopata”. Ela revelou ainda que a mãe do rapaz foi até o velório de Ana Carolina, pediu perdão e disse que não gastaria um centavo com advogdo para defesa do filho.

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