O ex-prefeito de Calmon, João Batista De Geroni, foi flagrado em um verdadeiro quarto de “hotel” dentro do Presídio Regional de Caçador, onde está detido desde o dia 1º de janeiro. Depois de denúncias, a juíza Gisele Ribeiro, o promotor Cássio Antonio Ribas Gomes e representantes da Coordenadoria de Investigações Criminais (CIE), de Joaçaba, realizaram uma operação na manhã desta quarta-feira, 19.
De acordo com informações da edição desta quinta-feira, 20, do jornal Folha da Cidade, De Geroni estava em um quarto especial separado dos outros detentos, que seria o dormitório dos agentes prisionais. De acordo com o promotor, na hora em que a operação chegou até o local, além do ex-prefeito, um dos agentes estava dormindo também.
Foram encontrados ainda um televisor, ventilador e diversas regalias. O que mais chamou a atenção foi um carregador de celular, que De Geroni afirmou se tratar de propriedade da Secretaria de Estado do Bem-Estar Social, onde ele trabalhava.
“Nós chegamos ao local já tendo informações de onde seria o quarto. A juíza solicitou a um agente que abrisse a porta onde estaria De Geroni, onde flagramos o preso dormindo com o agente que trabalha no presídio”, afirmou Gomes à Folha da Cidade.
Ainda, segundo ele detalhou, o dormitório onde De Geroni estava era um alojamento feminino para agentes prisionais, onde foram adaptadas grades na porta e janela para o recolhimento do político.
Além de um banheiro dentro do alojamento, foi encontrado ainda um aparelho de telefone fixo dentro de um armário. “Solicitei que o aparelho fosse ligado na rede de telefone do quarto e constatamos sinal para ligações internas no presídio”, acrescentou o promotor.
Com o agente que estava dormindo, foram encontrados dois aparelhos celulares. “Estou solicitando a quebra de sigilo telefônico para apurarmos se houve o uso por parte do preso. Caso isso seja comprovado, serão apuradas as responsabilidades: se houve a facilitação por parte de agentes ou do diretor Jair Boaventura”, garantiu Gomes.
O promotor ainda destacou que outras denúncias estão sendo apuradas, como a de uso de internet por De Geroni dentro do Presídio.
Segundo apurou a Folha da Cidade, outros 26 detentos estão na regalia, em um espaço de tamanho parecido com o que se encontrava De Geroni.
A versão do diretor
O diretor do Presídio, Jair Boaventura, afirmou, em entrevista ao jornal caçadorense, que a separação de De Geroni dos outros presos foi uma ordem do juiz Gustavo Marcos de Farias. “Ele nos determinou que o político fosse colocado em local separado dos demais detentos, pois na época da sua prisão, ocupava o cargo de diretor geral da Secretaria de Estado do Bem-Estar Social, além de possuir diplomas de prefeito. De Geroni não tem direito a isso, mas devido a estes fatores e por ser um homem público, é necessário que o mesmo receba segurança para sua integridade física dentro do presídio, afirmou, comentando que é obrigação do Estado garantir a segurança do preso.
O diretor afirmou que depois da ordem judicial, determinou a adequação do local onde De Geroni ficaria preso, com a colocação de grades e portões. “Para isso, usamos um antigo alojamento feminino que não era mais usado pelas agentes prisionais”, explicou Boaventura.
A respeito da pessoa que estava dormindo com o preso, Boaventura destacou que se trata de um policial militar da reserva e não um agente prisional. O promotor Cássio Gomes afirmou que o funcionário trajava o uniforme do Departamento de Administração Prisional (Deap).
“Ele justificou que foi convocado em emergência para conduzir um preso até Chapecó e chegou cansado, por volta da 1h”, revelou o promotor.
Boaventura salientou que o funcionário assumiu os riscos de ser severamente punido. “Ele colocou um colchão no chão e dormiu, alegando que naquele local havia o silencia necessário para descansar, sendo que o portão foi fechado por outro funcionário com cadeado”, garantiu o diretor.
Quanto aos aparelhos celulares, o diretor destacou que eram de propriedade particular do agente, mas que vai esclarecer melhor o fato de ele portar os equipamentos dentro da cela.
No tocante ao telefone fixo, o Boaventura garantiu que trata-se de um aparelho inútil, que fazia ligações apenas para o interior do presídio. “Por estarmos em reformas e adequações emergenciais, não foi novidade o promotor e a juíza encontrarem uma linha telefônica de ramal, pois para retirar, demanda de técnico especializado, uma vez que o presídio é adequado de sistema integrado de comunicação e não poderíamos simplesmente cortar a linha”, afirmou Boaventura ao jornal Folha da Cidade, garantindo que a linha não realizava ligações.
Afirmando ter acontecido uma falha na revista, o diretor justificou o fato de De Geroni estar com um carregador de celular dentro da cela. “Uma sindicância interna será aberta para apurar este caso. Como passou pela revista sem ser percebido o carregador, De Geroni entendeu que era permitido. No entanto, o responsável por isso será punido”, disse Boaventura, lembrando que quando o ex-prefeito foi apresentado no presídio, entregou dois aparelhos celulares na recepção: um seria de sua propriedade e outro, da Secretaria de Estado de Bem-Estar Social.





