3 de outubro de 2026
Na Taquara Verde

“Estou arrependida”, diz mãe que enterrou recém-nascido

Andréia Martins será enquadrada pelo crime de Infanticídio

Por Caçador Online

Andréia Martins, de 23 anos, afirmou, em entrevista ao repórter Gilvano Genuíno, da Rádio Caçanjurê, que se arrependeu de ter enterrado viva a sua filha recém-nascida. “Estou arrependida e não faria de novo”, disse. O crime aconteceu na semana passada, no distrito de Taquara Verde.

Ela contou ainda que escondeu a gravidez da sua família por medo da reação, tanto deles quanto da vizinhança. “Eu mesma enterrei, fiz um buraquinho no meio do mato e coloquei a criança lá”, contou Andréia, salientando que não sabia o que fazer. “Nem pensei em avisar a minha família”, revelou.

Andréia, que é mãe de uma menina de seis anos e que tem deficiência, explicou também que não sentiu dores durante a gravidez e que pensou que a criança poderia também ter problemas. Ela não quis comentar sobre quem era o pai da recém-nascida.

O pai de Andréia, José Martins, ressaltou que é uma situação muito difícil, que chocou a família, mas que todos estão do lado da filha para auxiliar. “Ela podia ter nos contado, não precisava ter ficado com medo”, garantiu.

Indiciada por Infanticídio
De acordo com o delegado Carlos Evandro Luz, Andréia será indiciada no crime de Infanticídio, crime pelo qual a pena é reduzida por motivos fisiopsicológicos. “Ela nos confessou que enterrou a criança e por isso foi indiciada pelo artigo 123, que é um crime que se assemelha ao homicídio, mas recebe um tratamento diferenciado”, destacou Carlão.

Segundo ele, Andréia não ficou presa por não se tratar de um flagrante, já que a criança foi enterrada na parte da manhã de um dia e encontrada na tarde do outro. “Não há necessidade de decretar a prisão preventiva dela e ela responderá o crime em liberdade”, salientou.

Infanticídio é relacionado à doença mental
O psiquiatra Marcos Hening explicou que o Infanticídio é um crime geralmente relacionado a alguma doença mental. “Pode ser por uma depressão pós-parto ou quadros psicóticos, como o transtorno bipolar ou esquizofrenia. Na maior parte das vezes, após o parto, as mães veem a criança como uma ameaça e o que fazem é se livrar dela”, completou.

LEIA MAIS
Bebê recém-nascido é enterrado vivo pela mãe

Mais notícias