O Tenente Coronel Ricardo Ribeiro Freitas, subcomandante do 15º Batalhão da Polícia Militar, está de saída de Caçador para integrar o Batalhão de Lages. A transferência foi confirmada pelo comandante da PM catarinense, Eliézio Rodrigues e deve se concretizar em fevereiro.
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Há dois anos em Caçador, Freitas atuou no cargo de Major e em novembro de 2008 foi promovido a Tenente Coronel. “Profissionalmente minha passagem foi boa, criei situações novas, implantei uma política diferente em relação ao público interno, além de procurar aproximar a polícia da comunidade com palestras sobre segurança, por exemplo”, avalia Freitas, informando que outro oficial deve ser nomeado para o cargo de subcomandante do 15º Batalhão da PM em Caçador.
Confira abaixo artigo escrito pelo Tenente Coronel Freitas:
A conquista da cidadania plena passa pela segurança!
A segurança só é possível com um bom entrosamento entre todos os setores da sociedade: polícia, mídia, empresários, estudantes, trabalhadores e classe política. Segundo o psicólogo americano Abraham Maslow, o ser humano tem na segurança a segunda das suas necessidades básicas, antes das fisiológicas que são a sobrevivência (respirar, alimentar-se, etc.). Tal conceito ajudou a determinar ou influenciar o comportamento de cada pessoa.
A cidade de Caçador e região circunvizinha tem sido palco de várias ocorrências envolvendo usuários de drogas e conseqüentemente associações ao tráfico. Poder-se-ia dizer que a “droga” tem sido o mal do século e vem prejudicando várias famílias, diante das recorrentes denúncias de violência domésticas, demissões e furtos provocados na busca de um vício ou em razão do uso freqüente.
Faz mister ressaltar a máxima: “Dê atenção ao seu filho antes que um traficante o adote”. Nos 26 anos de polícia militar, me deparando com viciados e combatendo traficantes, me mostraram que mais de 80% dos elementos que estão no vício, tem origem no desajuste familiar. A concluir que a família é o fator mais importante na prevenção e mesmo na recuperação do jovem viciado.
As causas mais freqüentes do uso de drogas são:
• Busca de novas experiências;
• Curiosidade;
• Falta de diálogo;
• Más companhias;
• Fugas;
• Modismo;
• Atividade de “agressão” contra os pais por não ser compreendido
No ano de 2008 temos registrado uma quantidade muito alta de ocorrências que podem ser associadas aos crimes de uso e comércio de entorpecentes, a saber:
o Uso de tóxico ou entorpecentes -12
o Posse de tóxico ou entorpecentes – 18
o Comércio de tóxico ou entorpecentes - 8
o Furto a estabelecimento Comercial – 85
o Furto Consumado – 151
o Arrombamento/furto em veículo – 155
Se não prevenirmos, teremos que posteriormente lamentar perdas constatando que o traficante levou o nosso ente querido, ou o assaltante não deu chance de que o mesmo vivesse. Portanto, a sociedade caçadorense precisa encontrar caminhos para que a criminalidade diminua já que o art. 144 da Constituição Federal diz que a segurança pública é dever do estado, mas também acrescenta que é RESPONSABILIDADE de TODOS.
Podemos fazer a nossa parte como cidadão, contribuindo no fornecimento de dados que possam contribuir na detenção de marginais e delinqüentes; escolhendo bem nossos representantes políticos, já que a exemplo, a perda da qualidade da educação e desocupação de jovens nas últimas décadas são algumas razões do aumento da violência e criminalidade, bem como a crescente urbanização, provocando uma convulsão social aumentando o atrito; a falta de conscientização da cidadania, acaba por tornar o ser humano individualista, acrescido com o distanciamento de valores apregoados na crença à Deus.
Ainda o 15º BPM tem se mobilizado para solução do problema no que concernem as estratégias de segurança, no entanto a conquista da cidadania passa necessariamente pelo empenho de todos, a começar por respeitar as normas mais básicas de civilidade, tais como as regras de trânsito, o código de postura do município e até mesmo regras sociais de boa convivência entre vizinhos. Não é raro ver-se motoristas falando no celular enquanto dirigem ou não utilizarem o cinto de segurança, com o agravante de estar com a família testemunhando tais condutas como se fossem alienadas as leis, bem como vizinhos jogando lixo em propriedade alheia.
Voltando as questões relacionadas ao usuário de drogas, podemos identificá-lo em casa observando:
1º. Mudança brusca na conduta do familiar suspeito;
2º. Irritabilidade sem motivo aparente de explosões nervosas;
3º. Inquietação motora. O usuário apresenta-se impaciente, inquieto, irritado, agressivo, violento;
4º. Depressões, estado de angustia sem motivo aparente;
5º. Queda do aproveitamento escolar ou desistência dos estudos;
6º. Insônia rebelde (denunciada por ele mesmo ou percebida pelos familiares)
7º. Isolamento. O usuário se recusa a sair de seu quarto, evitando contato com amigos e familiares;
8º. Mudanças de hábitos. O usuário passa a dormir de dia e fica acordado à noite;
9º. Existência de comprimidos, seringas, cigarros estranhos em seus pertences;
10º. Desaparecimentos de objetos de valor, ou ainda, incessantes pedidos de dinheiro. O usuário precisa cada vez mais, a fim de atender as exigências dos traficantes, para a aquisição de produtos que lhe determinaram a dependência.
O QUE FAZER?
? Não rejeitar o dependente. O primeiro amparo que o viciado deve ter é da família;
? Manter a calma e se informar sobre o assunto;
? Não estigmatizar com preconceitos incriminando o jovem com moralismos e acentuando o conflito de gerações;
? Não buscar desculpas e partir para soluções práticas;
? Evitar companhias que levem á recaída;
? Ser franco, afetivo e evitar superdimensionar o problema;
? Conhecer os recursos da comunidade;
? Buscar auxílio especializado;
? Incentivar os esportes;
? Proporcionar guarida em Deus.
Por fim é importante reconhecer que em segurança, “quando tudo vai bem ninguém lembra que existe, quando vai mal, dizem que não existe, quando é para investir, alega-se que não é preciso que exista, porém, quando realmente não existw, todos concordam que deveria existir.”





