Os últimos dias têm sido de luto e revolta para a família Fernandes, em Caçador. Em duas ocasiões na mesma semana, o casal Francisco José, 89 e Maria dos Anjos, 87, moradores do bairro Mutirão, foram vítimas da ação de marginais. No sábado, 20, Francisco faleceu, segundo a filha, de desgosto. “Meu pai morreu de tristeza”, conta Dalva Fernandes.
A primeira selvageria por parte dos criminosos aconteceu no sábado anterior, dias 13, quando foram furtados objetos e alimentos da casa onde o casal de idosos vivia há 2 anos. “Eles estavam passando o final de semana na minha casa e quando voltamos percebemos o roubo”, relata Dalva. Com medo de retaliação, a família não registrou botelim de ocorrência na Polícia e a única providência foi fazer um rancho e repor os alimentos roubados.
Cinco dias depois, na quinta-feira, 18, o casal novamente foi vítima da bandidagem. Três jovens apedrejaram e invadiram a residência, agrediram Maria e Francisco e o filho, João Fernandes, 51, a socos e pontapés. Levaram o que puderam e ainda ameaçaram os moradores de morte.
“Eu estava num curso quando vizinhos me ligaram contando que estavam fazendo terrorismo na casa dos meus pais. Fiquei apavorada quando cheguei na casa e me deparei com a situação”, diz Dalva. Desta vez a Polícia foi informada e dois suspeitos foram presos, um menor de idade encaminhado ao CIP (Centro de Internação Provisório) e outro maior de idade que está preso.
No último sábado, 20, Francisco José Fernandes, 89, faleceu. “Depois que aconteceu esse fato meu pai ficou muito abatido, só chorava. Na sexta-feira ele passou mal e levamos para Hospital onde o médico disse que não era nada. No sábado ele amanheceu morto. Tenho certeza que ele morreu de tristeza, porque ele era saudável e vivia a vidinha dele normalmente”, relata a filha.

Maria dos Anjos Fernandes e João Fernandes foram levados para casa de familiares em outro bairro da cidade. Segundo Dalva, furtos, vandalismo e crimes estão cada vez mais comuns no Mutirão, mas nunca havia chegado nesse ponto. “Tem muita gente boa nesse bairro e tem também um grupo de desocupados que só querem saber de beber, se drogar e roubar”, denuncia.





