Diretor do Presídio Regional de Caçador, Rovílio Ficagna, fala da rebelião ocorrida nesta quinta-feira, 20
Direção e agentes do Presídio Regional de Caçador foram surpreendidos na manhã desta quinta-feira, 20, quando um grupo de detentos iniciou uma rebelião. Os presos se negaram a voltar para as selas após o banho de sol, colocando fogo nos colchões e quebrando portas e camas. Foi necessária a ação de uma equipe do Corpo de Bombeiros Voluntários para controlar o fogo.


A rebelião encerrou no início da tarde após interferência da juíza de Lebon Régis, Lívia Rocha Cobalchini, e o comando da Polícia Militar, que negociaram com os detentos. Não houve reféns e nem confronto entre polícia e detentos. Por medida de segurança, cinco presos que estavam em uma ala separada foram colocados em um camburão durante a rebelião, que durou 3h30.

Após o encerramento da rebelião o grupo foi revistado
Com capacidade para 80 detentos, o Presídio de Caçador tem atualmente 182 presos. Destes 38 tiveram que ser transferidos no mesmo dia para presídios da região. “28 para São Cristóvão e 10 para Chapecó, até que tenhamos condições de reparos e melhoria de segurança”, disse o diretor do presídio, Rovílio Ficagna, que classificou a rebelião com “um ato de vandalismo dos detentos.

Das 38 selas do local, 24 foram destruídas. Das 14 que sobraram apenas 6 intactas e 8 parcialmente destruídas. Ele ainda informou que 118 presos estiveram envolvidos no motim. “Após se recusarem a entrar na sela eles começaram a insultar os carcereiros e chutar as portas. Quando não houve mais controle eu acionei a Polícia Militar”, conta.



“Já havia ameaça de rebelião há meses”
Ficagna recebeu telefonemas de diversos departamentos da Polícia de Santa Catarina
A Polícia Militar, que contou com o auxílio de policiais dos destacamentos de cidades vizinhas para manter a ordem, fez o primeiro contato de negociação com os detentos que solicitaram a presença da juíza. O Major Freitas destacou que a negociação foi sem maiores problemas. “A juíza Lívia foi bastante técnica e trabalhamos juntos no diálogo com os detentos. Eles falaram o que queriam e depois perceberam que não tem motivo para isso”, diz.
Motivo
Segundo Lívia Rocha Cobalchini, os presos reivindicaram três coisas. A situação processual de presos que alegam ter pena encerrada e benefícios de direito, tratamento pelos agentes prisionais e uso de armas por agentes prisionais durante as visitas. “Em relação a este último item é necessário que eles entendam que é para a própria segurança da família do detento”, afirma.

Lívia recebeu participou das negociações e recebeu reivindicações por escrito. "Vou encaminhar para a Juíza Corregedora do Presídio, para os Juizes das duas varas criminais para que verifiquem os processos"
Em relação as outras duas, a juíza explica que haverá uma reavaliação dos processos e sindicância para apurar possíveis problemas internos. O diretor do presídio enfatiza que todos os procedimentos serão tomados. “Concordo que se investigue e vamos contribuir com o que precisar, mas quero adiantar que nenhum preso aqui pode dizer que cumpriu totalmente a pena e não queremos soltar”, conclui Rovílio. “Os maiores prejudicados são eles que sofrerão com sansões e punições pelo que aconteceu hoje (quinta-feira)”.
Reformas
As reformas no local devem iniciar nesta sexta-feira, 21, autorizadas pela Secretaria de Desenvolvimento Regional, através do secretário Valdir Cobalchini, que esteve no local. O diretor do presídio clamou por mais agentes e mais segurança no presídio.

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