3 de outubro de 2026
Rebelião

“Foi um ato de vandalismo dos detentos”

Diretor do Presídio Regional de Caçador fala da rebelião ocorrida ontem

Por Caçador Online

Diretor do Presídio Regional de Caçador, Rovílio Ficagna, fala da rebelião ocorrida nesta quinta-feira, 20

Direção e agentes do Presídio Regional de Caçador foram surpreendidos na manhã desta quinta-feira, 20, quando um grupo de detentos iniciou uma rebelião. Os presos se negaram a voltar para as selas após o banho de sol, colocando fogo nos colchões e quebrando portas e camas. Foi necessária a ação de uma equipe do Corpo de Bombeiros Voluntários para controlar o fogo.

A rebelião encerrou no início da tarde após interferência da juíza de Lebon Régis, Lívia Rocha Cobalchini, e o comando da Polícia Militar, que negociaram com os detentos. Não houve reféns e nem confronto entre polícia e detentos. Por medida de segurança, cinco presos que estavam em uma ala separada foram colocados em um camburão durante a rebelião, que durou 3h30.

Após o encerramento da rebelião o grupo foi revistado

Com capacidade para 80 detentos, o Presídio de Caçador tem atualmente 182 presos. Destes 38 tiveram que ser transferidos no mesmo dia para presídios da região. “28 para São Cristóvão e 10 para Chapecó, até que tenhamos condições de reparos e melhoria de segurança”, disse o diretor do presídio, Rovílio Ficagna, que classificou a rebelião com “um ato de vandalismo dos detentos.

Das 38 selas do local, 24 foram destruídas. Das 14 que sobraram apenas 6 intactas e 8 parcialmente destruídas. Ele ainda informou que 118 presos estiveram envolvidos no motim. “Após se recusarem a entrar na sela eles começaram a insultar os carcereiros e chutar as portas. Quando não houve mais controle eu acionei a Polícia Militar”, conta.

“Já havia ameaça de rebelião há meses”

Ficagna recebeu telefonemas de diversos departamentos da Polícia de Santa Catarina

A Polícia Militar, que contou com o auxílio de policiais dos destacamentos de cidades vizinhas para manter a ordem, fez o primeiro contato de negociação com os detentos que solicitaram a presença da juíza. O Major Freitas destacou que a negociação foi sem maiores problemas. “A juíza Lívia foi bastante técnica e trabalhamos juntos no diálogo com os detentos. Eles falaram o que queriam e depois perceberam que não tem motivo para isso”, diz.

Motivo

Segundo Lívia Rocha Cobalchini, os presos reivindicaram três coisas. A situação processual de presos que alegam ter pena encerrada e benefícios de direito, tratamento pelos agentes prisionais e uso de armas por agentes prisionais durante as visitas. “Em relação a este último item é necessário que eles entendam que é para a própria segurança da família do detento”, afirma.

Lívia recebeu participou das negociações e recebeu reivindicações por escrito. "Vou encaminhar para a Juíza Corregedora do Presídio, para os Juizes das duas varas criminais para que verifiquem os processos"

Em relação as outras duas, a juíza explica que haverá uma reavaliação dos processos e sindicância para apurar possíveis problemas internos. O diretor do presídio enfatiza que todos os procedimentos serão tomados. “Concordo que se investigue e vamos contribuir com o que precisar, mas quero adiantar que nenhum preso aqui pode dizer que cumpriu totalmente a pena e não queremos soltar”, conclui Rovílio. “Os maiores prejudicados são eles que sofrerão com sansões e punições pelo que aconteceu hoje (quinta-feira)”.

Reformas

As reformas no local devem iniciar nesta sexta-feira, 21, autorizadas pela Secretaria de Desenvolvimento Regional, através do secretário Valdir Cobalchini, que esteve no local. O diretor do presídio clamou por mais agentes e mais segurança no presídio.

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