Os dirigentes dos partidos políticos que participaram da coligação que elegeu Saulo Sperotto (PSDB) e Lucir Christ (PP) nas eleições municipais de 2004 declararam que realmente houve um financiamento para a eleição, num valor aproximado de R$ 72 mil. As informações foram prestadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga denúncia de irregularidades nos descontos em folha de pagamento de servidores comissionados e com funções gratificadas.
Segundo o ex-presidente do Partido Progressista, Carlos Júlio Luhrs, a dívida nunca foi apresentada oficialmente e que por conta disso, os valores arrecadados em 2005 e início de 2006 não foram repassados ao PP, indo diretamente para a conta do CESC.
Disse que sua preocupação era de que a dívida fosse paga o quanto antes, pois como presidente do partido, não queria deixar débitos pendentes. No entanto, segundo seu depoimento, várias vezes ele questionou o prefeito, mas este dizia que iria verificar, pois a responsabilidade do pagamento estava em boas mãos.
O ex-presidente do então PFL, Sérgio D´Agostini (D25) também afirmou que o valor da dívida era de R$ 72 mil e que havia vários credores e quem prestava contas era Bruno Reichert, que havia ficado responsável pela coordenação da campanha.
D’Agostini salientou ainda que houve um acordo verbal entre os partidos integrantes da coligação e que o prefeito Saulo Sperotto nomeou alguém posteriormente para cuidar da quitação da dívida e Reichert passou apenas a informar os partidos.
Depois que os descontos passaram a ser feitos pela Associação dos Servidores Públicos Municipais, os valores passaram a ser repassados em espécie por Antonio Castilho, depois que os cheques já tinham sido trocados.
Para o presidente da CPI, Gilberto Comazzetto (PMDB) este recurso deve ter sido declarado pela coligação ao Tribunal Regional Eleitoral durante a prestação de contas e que o próximo passo será esta investigação.
Relembre o caso
- Vereadores recebem denúncia de irregularidades no desconto das folhas de pagamento.
- Pela documentação, verificam que o CESC não existe e que foi uma entidade criada apenas para destinar o dinheiro arrecadado.
- Em seguida, descobrem que a Associação dos Servidores Públicos também foi utilizada no esquema e ficava com porcentagem do dinheiro.
- Com a cópia dos cheques em mãos, verificam que servidores trocavam os cheques antes de repassá-los aos partidos.
- Ernani Fezer e Maria Cecília Stefanes trocam acusações durante acareação sobre quem trocava os cheques.
- Presidentes de partidos reconhecem a dívida, que segundo eles, gira em torno de R$ 72 mil.





