A acareação realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara de Vereadores, envolvendo o ex-diretor de Orçamento e Controle, Ernani Ricardo Fezer, e a tesoureira da Prefeitura, Maria Cecília Stefanes Benetti, foi marcada pela intensa troca de acusações. Nos depoimentos individuais, ambos tinham acusado um ao outro, sobre quem trocava os cheques e controlava os pagamentos das dívidas de campanha.
A acareação foi realizada ainda no final de 2007, quando os vereadores já estavam em recesso parlamentar, mas diante da importância das informações, os membros da CPI decidiram realizá-la.
“Agora temos a certeza que realmente servidores trocavam cheques na boca do caixa, descumprindo aquilo que diz a Lei, que os cheques deveriam ser depositados nas contas dos beneficiários”, definiu o relator Marcos da Silva Creminácio (PT).
Fezer afirmou ainda em seu depoimento, que a auditoria contratada pelo prefeito Saulo Sperotto (PSDB) já havia se manifestado pela ilegalidade da operação ainda em 2005, alertando que o procedimento não era correto.
Ele confirmou que endossou alguns cheques apresentados por Ciça, mas que devolvia os mesmos pra ela, que fazia as trocas no banco, controlando tudo num livro. Ela negou a existência do livro, mas acabou confirmando que trocou alguns cheques e disse que entregou os valores para Fezer, depois de ver a cópia dos mesmos.
O bancário João Hamilton Kurtz, ouvido em depoimento, declarou que é comum servidores da Prefeitura trocarem cheques na agência, mas não lembrava se algum era para o CESC ou Associação dos Servidores Municipais.
Ele trabalhava na agência do BESC anexa à Prefeitura, mas faz quatro meses que foi transferido para a agência central da Avenida Barão do Rio Branco. O secretário de Administração e Fazenda, Nereu Baú afirmou que não sabia que seus subordinados trocavam cheques da Prefeitura e acusou as agências bancárias de cometerem irregularidades.
Entenda o caso
* A Câmara de Vereadores aprovou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, para investigar denúncias de irregularidades em descontos de folha de pagamentos de servidores que ocupam funções gratificadas, cargos de confiança e estagiários.
* Segundo a Prefeitura, o dinheiro era para os partidos aos quais os servidores são filiados. Com as cópias dos cheques e depoimentos, os vereadores descobriam que foi criada uma entidade fantasma para direcionar o dinheiro em 2005, utilizando-se posteriormente a Associação dos Funcionários Públicos Municipais, que cobrava uma comissão de 5% para participar do esquema.
* Os cheques eram trocados por servidores da própria Prefeitura, sendo que no ano de 2005, nenhum partido recebeu o dinheiro.





