O curso de Arquitetura e Urbanismo da Uniarp realizou, no
primeiro semestre de 2026, mais uma etapa das atividades de curricularização da
extensão por meio do projeto “Ruas para Crianças”, desenvolvido em parceria com
a Escola Básica Prof. Domingos da Costa Franco, no bairro Bom Sucesso, em
Caçador.

A ação envolveu acadêmicos de diferentes fases do curso,
organizados em ateliês verticais, promovendo a integração entre ensino,
extensão e comunidade. As atividades tiveram como objetivo compreender como as
crianças percebem o bairro, o caminho até a escola e os espaços urbanos que
fazem parte do seu cotidiano.
Durante a primeira etapa do projeto, os estudantes
universitários realizaram caminhadas técnicas, leitura do território e
conversas com a direção da escola, buscando compreender as condições de
mobilidade, acessibilidade, segurança e infraestrutura do entorno escolar. Em
seguida, foram desenvolvidas dinâmicas lúdicas e participativas com as
crianças, utilizando desenhos, mapas afetivos, vídeos, rodas de conversa, brincadeiras
e atividades criativas.
As crianças compartilharam percepções importantes sobre o
bairro e os trajetos realizados diariamente. Entre os principais apontamentos
estavam a insegurança nas travessias, ausência de calçadas adequadas, pouca
iluminação em alguns percursos, presença de cães soltos, dificuldades na trilha
utilizada como atalho até a escola e a carência de espaços de lazer e
convivência. Ao mesmo tempo, relataram desejos por ambientes mais coloridos,
arborizados, seguros e com mais espaços para brincar.
Além do diagnóstico técnico, a proposta valorizou a escuta
infantil como ferramenta fundamental para compreender o território a partir da
vivência das próprias crianças. A experiência demonstrou como elas percebem
detalhes muitas vezes não identificados apenas pela análise urbana tradicional,
contribuindo para a construção de um olhar mais humano, sensível e inclusivo
sobre a cidade.
As atividades envolveram turmas do ensino fundamental em
diferentes faixas etárias, com metodologias adaptadas para cada grupo. Entre as
dinâmicas realizadas estiveram sessões de cinema educativo, desenhos sobre o
trajeto casa-escola, rodas de conversa, mapas afetivos e atividades colaborativas
sobre os espaços do bairro.
Segundo os professores envolvidos, a curricularização da
extensão fortalece a formação acadêmica ao aproximar os estudantes das demandas
reais da comunidade, promovendo experiências de aprendizagem baseadas na
escuta, no diálogo e na atuação territorial. Além disso, permite que a
universidade contribua de forma ativa para a construção de cidades mais
inclusivas, acessíveis e acolhedoras para as crianças.
No segundo semestre, o projeto terá continuidade com o
desenvolvimento de propostas e pequenas intervenções a partir dos diagnósticos
realizados, buscando transformar em ações concretas às demandas e percepções
levantadas pelas crianças e pela comunidade escolar.