3 de outubro de 2026
Crônica

O mestre Enéas Athanázio, por Silmar Bohrer

Literatura catarinense perdeu um dos seus expoentes

Por Caçador Online

A literatura catarinense perdeu um dos seus expoentes, na prosa em especial, no domínio do conto, da novela, do ensaio, da crônica, da crítica, da história da literatura. 

O DOCTORRRR ENÉAS, como era chamado por seus conterrâneos das plagas de Campos Novos, obreiro do verbo, artífice da palavra, namorou por bom tempo com a arte da escrita até afeiçoar-se a ela. As primeiras rabiscadas na faculdade e depois nas lides forenses como advogado abriram picadas.

No início dos anos setenta do século passado, já Juiz de Direito, publicou o primeiro livro, incendiando a verve num conto campeiro dos tantos que o consagraram - na sua humildade - como escritor dos Campos Gerais. Especializou-se em biografias, sendo especialista em Monteiro Lobato e Lima Barreto. 

Possuído pelo demônio das viagens, andejou de norte a sul da pátria, sempre envolvendo seus caminhos com a busca de conhecimentos, aliando o útil ao agradável das jornadas. Assim surgiram opúsculos retratando literatura e estudos de personagens regionais. [12:07, 12/04/2025] +55 49 9916-1507: Numa destas viagens nos descobrimos na Bahia, ele e sua Jandira rumando o Piauí, e este também possuído, com itinerário até a Natal potiguar. 

E as reminiscências caseiras ? Quando guri passava as férias na casa dos avós nos altiplanos de Calmon. Invernos intensos, julhos gelados, julhos divertidos na meninice peregrinando pelos campos e campinas e canhadas quebrando gelo, pés descalços, a cavalo ou a pezito, ventos de arrengar cusco nas planuras de São João de Cima. 

Quanta história e estórias, imagens, palavras, causos e lendas nas comunas, vilarejos, cantos de matas e restingas. (Recordar é viver, dizem alguns com propriedade).

Em meio às atividades da escrita gostava de colecionar corujas de qualquer tamanho, todas usando um cantinho especial na sala de leituras e escrevinhares. Há poucos dias adquiri uma delas para levar até o seu "rancho" e juntar à coleção. Infelizmente não deu tempo. 

" Escrever está na minha natureza ", dizia o opíparo escriba. Seu legado faz parte da história do Planalto catarinense e de todo o Brasil. Seguirá sua sina de homem das letras nas mansões do Altíssimo. 

Silmar Bohrer

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